Três perguntas para: Diego Bresani

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Por: Debb Cabral

Vencedor do Prêmio Diário de Fotografia, Diego Bresani (DF) é fotógrafo e diretor de teatro, formado em Artes Cênicas. Sua pesquisa atual constitui uma experimentação com as fronteiras entre a fotografia documental e a encenação.

Confira a entrevista:

Público observa as imagens de Diego Bresani durante a abertura da exposição. Foto: Irene Almeida

Debb Cabral: Em que constitui a série “Ao Lado”?

Diego Bresani: A série “Ao Lado” surgiu de uma questão constante que tem em Brasília. Eu sou de Brasília, nascido e criado lá, numa cidade que foi feita para os  carros, a partir da ideia de que a coluna vertebral dela são as vias. Lá, a vida de criança e de adulto é, basicamente, sempre dentro de um carro se locomovendo em Brasília de um lado para o outro. Então, é sempre normal a gente, pela janela do carro, ver situações que acontecem na cidade com pessoas que não estão no carro. Eu comecei a guardar essas imagens.

Debb Cabral: Então todas essas imagens de fato aconteceram?

Diego Bresani: Todas essas imagens existiram de verdade, são imagens reais. O que acontecia, é que eu não andava com a câmera, então parava e anotava num caderno o que tinha na imagem que tinha acabado de ver. Depois eu retorno a esse lugar e com atores reenceno a mesma imagem que vi quando estava passando de carro.

Eu destaco da cronologia real da coisa uma ação que estava acontecendo e isolo-a. A partir dessa ação absolutamente banal, corriqueira ou ordinária eu realoco-a em outro lugar e proponho ao espectador a experiência de criar cada um a sua história, seja um antes ou depois.

Debb Cabral: Você é de Brasília, como que é estar expondo aqui em Belém, mostrar a tua fotografia a partir do olhar daqui do Pará?

Diego Bresani: Eu respeito à fotografia que vem sido feita em Belém há muitos anos. Ela é muito respeitada no Brasil inteiro, a fotografia, as figuras, os fotógrafos e as pessoas que trabalham com fotografia aqui. Pra mim é muito importante e muito especial estar aqui, pois sempre tive Belém como referência e a vi com muito respeito. Esse prêmio foi uma surpresa, porque foi a primeira vez que eu mandei alguma coisa pro Prêmio.

Quando eu recebi a noticia da premiação foi num sábado à tarde, eu fui pra casa, tomei um banho e fui numa vernissage de uns fotógrafos amigos meus. Quando cheguei a vernissage foi como se eu tivesse ganhado o Oscar: todo mundo sábia do prêmio, todo mundo me parabenizou e foi ai que eu vi como o Prêmio tem uma importância nacional, ele é muito reconhecido e é muito valorizado.

A “Mostra dos artistas premiados e selecionados”, no Espaço Cultural Casa das 11 Janelas; e as exposições “Cidade Invisível”, de Janduari Simões; e “Pequenas cartografias (e duas performances)”, com trabalhos de Marise Maués, Michel Pinho, Cinthya Marques, Rodrigo José, Marco Santos e Luciana Magno; no MUFPA, seguem com visitação até o dia 22 de junho de 2014. A entrada é franca.

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