Belém, Pará, Brasil. Cultura. Oficina O Retrato e o tempo com Valério Silveira, realizado durante a programação da VIII edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. 08/06/2017. Foto: Irene Almeida.

Oficina do Diário Contemporâneo exercitou a relação entre “O Retrato e o Tempo”

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O 8º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia ofertou ao público, no período de 05 a 08 de junho, mais uma programação formativa. A oficina “O Retrato e o Tempo”, foi ministrada pelo professor de artes visuais, desenhista e fotógrafo, Valério Silveira e contou com uma metodologia que instigava o olhar para si e para o outro.

Valério Silveira selecionou todos as pessoas que se inscreveram, seu único critério era que o participante gostasse de fotografia. Dessa maneira, a oficina foi amplamente democrática e teve a participação desde fotógrafos experientes até os iniciantes, que encontraram na ação formativa do Diário Contemporâneo o seu primeiro contato com os exercícios do fazer e da reflexão fotográfica.

Belém, Pará, Brasil. Cultura. Oficina O Retrato e o tempo com Valério Silveira, realizado durante a programação da VIII edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. 08/06/2017. Foto: Irene Almeida.
Foto: Irene Almeida

O professor apresentou um pouco do princípio da fotografia, sua história, relação com as outras linguagens artísticas e com a sociedade, além da democratização do fazer fotográfico com o advento da imagem digital e a portabilidade das câmeras.

Questões éticas como intimidade e respeito com o fotografado também foram debatidas. A fotografia é uma maneira de se aproximar das pessoas, se comunicar com elas, pois “quem retrata, também coloca um pouco de si na foto”, afirmou Valério.

Memória e o medo da própria imagem. O homem persegue o tempo. “Nós temos uma série de retratos nossos feitos ao longo da vida e aqueles nas imagens não são que somos, mas quem um dia fomos”, refletiu. A máquina fotográfica seria então uma máquina do tempo? Qual é o tempo da fotografia? Muita coisa acontece antes e depois do instante do clique. “A fotografia retira do tempo o que o tempo retira do homem”, acrescentou.

Com todas essas questões em mente, Valério propôs aos participantes retratar um colega, mas também permitir que ele o fotografasse. O retrato envolve a pose e o consentimento, é uma frontalidade que comunica.

“A vivência foi muito boa. Foi interessante poder fotografar outros colegas, treinar outras técnicas e aprender mais. O que eu preciso agora é praticar as técnicas que eu não domino, pois algumas eu quero dominar com a excelência que o Valério faz. Acho que partir daí as coisas possam mudar”, contou Úrsula Bahia, fotógrafa com mais de 20 anos de experiência na área e que participou da oficina.

Além da primeira, dedicada aos debates sobre a temática da oficina, foram duas tardes de produção e uma de seleção, em uma espécie de curadoria coletiva, na qual todos compartilharam as imagens produzidas, suas dificuldades, surpresas e relatos de experiências. “Toda fotografia reconstrói seus lugares e personagens, mais que tudo, reconstrói suas memórias”, finalizou Valério Silveira.

Foto: Beatriz Araújo
Foto: Elisa Bentes

VISITAÇÃO

A exposição “Poéticas e Lugares do Retrato” exibe os trabalhos premiados, selecionados e participações especiais da 8ª edição do Diário Contemporâneo. As obras ficam divididas entre o Museu da UFPA e o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Além disso, o MUFPA recebe a mostra individual “Interiores”, com trabalhos de Geraldo Ramos, artista convidado. A visitação segue até dia 30 de junho, no MUFPA e 02 de julho, nas Onze Janelas.

 SERVIÇO: O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Museu da Universidade Federal do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.