A Elegia Visual de Zé Barreta

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Elegia Visual, trabalho de Zé Barreta, não é exatamente um ensaio é, antes de mais nada, um lamento. Editado a partir de trabalhos documentais que perpassam a cidade, não pretende constituir um tema propriamente dito, nem um local específico. Sua geografia é outra e está inscrita na imagem apenas e no diálogo possível entre elas.

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Zé Barretta. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

A minha vivência é no fotojornalismo e no documentarismo. Eu venho fazendo trabalhos documentais há mais de 10 anos e todos com tema, lugar ou questão específica, especialmente em São Paulo, que é de onde eu sou. Para realizar esse trabalho foi feito, na verdade, um exercício de edição. Eu voltei para os arquivos, mas agora sem a preocupação de formar um tema definido e sim de ver como, ao longo desses 10 anos de documentarismo, as imagens dialogavam entre si.

Eu já venho fazendo isso desde o ano passado e quando eu veio o tema do Prêmio, achei de casava bem e fazia essa ligação. Por não ter um tema, esse meu trabalho vai para um lado, posso dizer assim, pessoal. As imagens vão falando e dando outros significados. Eu fiquei muito feliz que fui selecionado.

Essa pausa para olhar os arquivos ocorreu também agora, em 2020, mais intensamente, mas o começo do exercício veio do ano passado.

Nesse ano maluco, eu fotografei uma São Paulo vazia, algo que eu, como fotodocumentarista, nunca tinha visto na vida, mas também produzi em casa. Eu fotografei meu filho e fui mostrando um pouco dessa loucura que é ficar o tempo inteiro você e uma criança trancados dentro de casa.

Então, a questão dos arquivos só se aprofundou e tem muita coisa ainda para mergulhar.

Eu acho que, se tem um legado dessa pandemia, é entender que sim, as nossas tecnologias são muito úteis para conexão, mas nada substitui o encontro. As artes sofreram muito com esse recolhimento forçado porque as obras precisam desse encontro com o público.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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Beto Skeff apresenta os campos de concentração do Ceará

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Nos anos de 1915 e 1932, duas secas extremas assolaram o sertão cearense provocando migrações em massa do interior em direção à abastada Fortaleza na busca pela sobrevivência. Temendo que grande contingente de famílias “invadisse” a Capital, o governo criou espaços chamados Currais do Governo, que se assemelhavam aos campos de concentração – no entanto, antes mesmo da Segunda Guerra Mundial. Beto Skeff em “Currais das Almas”, conta que lá amontoavam-se os cidadãos que as autoridades denominavam de “flagelados”. Prometendo-lhes trabalho e comida, os sertanejos eram conduzidos para os miseráveis Currais à espera do tempo melhor. Estima-se que 73.000 pessoas foram confinadas sob condições extremamente precárias, o que resultou em muitas de mortes.

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Currais das Almas, de Beto Skeff, artista selecionado

Confira o seu depoimento:

Eu nasci no sertão do Ceará, numa cidadezinha muito próxima da cidade onde ficavam dois campos de concentração. Durante a minha vida toda, não ouvi relatos, não tive nenhum professor de história que nos levasse lá ou trouxesse esse tema para a gente durante os 17 anos que eu morei lá. É sério isso de apagar a história.

Aí quando foi em 2017, o Fernando Jorge, que também foi selecionado nesse ano e que tem uma pesquisa muito forte sobre a questão do apagamento, me levou para conhecer o campo de concentração de Senador Pompeu. Esse é o único campo que tem uma edificação, ela foi construída antes da chegada dessas pessoas por uma companhia inglesa sem nada a ver o assunto. Aí essa estrutura foi reaproveitada.

Hoje em dia já existe um resgate dessa história e, de uns anos para cá, essa história começou a ser recontada mais por iniciativas particulares do que por iniciativas governamentais e institucionais.

Tudo isso tem uma relação, por incrível que pareça, com o que a gente está vivendo agora. As questões do isolamento, da ‘história oficial’ e da existência de uma força governamental que esquece as pessoas estão presentes até hoje.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

Henrique Montagne e o bonde chamado desejo

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Em Um bonde chamado desejo, Henrique Montagne se apropria de fotografias de casais queer de épocas distintas e significativas do começo do século XX. 

As imagens foram achadas na internet e nelas ele cria, através do texto, uma possível narrativa ficcional, mas que poderia ser real em mundo onde as estruturas machistas e homofóbicas do patriarcado não tivessem sido instauradas. 

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Henrique Montagne e Rosely Nakagawa, curadora convidada da edição. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

Esse trabalho é uma pesquisa que eu já venho realizando, que faz parte da minha pós e que traz a questão dos relacionamentos afetivos, principalmente os relacionamentos queers.

Dentro dessa pesquisa, falar de relacionamento é também falar de história. Eu falo dessa construção dos corpos e dos amores que foram invisibilizados por essa história que a gente possui hoje, que é patriarcal e que escondeu essas narrativas.

A intenção desse trabalho é justamente focar de uma forma mais poética mas, ao mesmo tempo, crítica e política em como poderiam ser possíveis essas histórias, narrativas e imagens na nossa contemporaneidade. Por isso que brinco com essas referências da cultura pop e da literatura.

Eu fico muito feliz dele estar no Prêmio porque é um trabalho, não somente delicado, mas que também aguça essa outra perspectiva que é a de criticar.

Não é só um sonho, poderia ser realidade. É voltar ao passado para construir um novo futuro.

O texto junto das imagens é fundamental. A composição do texto com a imagem é o que constrói esse trabalho. Ele não é só a apropriação das imagens, é a composição dessa narrativa que é visual e textual. São pequenas histórias no paspatour que convidam a pessoa a olhar mais de perto

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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O retrato do que o corpo fala nas imagens de Karina Motoda

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“3X4”, série de Karina Motoda, é uma alusão direta às tradicionais fotografias utilizadas em documentos oficiais. No entanto, enquanto tais fotos padronizam os retratados, colocando-os na mesma posição, mostrando apenas os seus rostos e determinando a expressão que devem passar, a série parte em outro caminho. 

Ela busca propor questões de como nossas identidade e emoções podem ser expressas e o quanto as deixamos transparecer sem que sequer nos demos conta.

A artista foi selecionada para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Karina Motoda e Rosely Nakagawa, curadora convidada desta edição, na abertura da exposição. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

O trabalho surgiu de uma proposta na faculdade. Eu fazia uma disciplina que tinha fotografia analógica. Aí resolvi trabalhar com formatos pequenos e retratos. 

Quando eu vi o resultado, percebi que lembrava muito as fotos 3×4, mas eu tentava não ficar presa naquela pose padrão. Então, fazia fotos do corpo inteiro, de movimentos diferentes para mostrar que o corpo todo pode comunicar a identidade e os sentimentos da pessoa.

Associamos muito o rosto com as emoções, mas o corpo inteiro diz algo.

Eu gostei muito do nome da exposição falar de “pensamentos imperfeitos” porque eu queria trazer isso no trabalho. Por exemplo, se a fotografia é 3×4, nós somos obrigados a ficar sérios enquanto nos outros retratos sempre buscamos mostrar o nosso melhor lado e a nossa felicidade.

Nós temos sentimentos e colocamos valores neles, mas não existe certo e errado.

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Os diálogos familiares de Melvin Quaresma

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Em Diálogos familiares, Melvin Quaresma fotografa a casa da avó materna em todas as viagens que faz até Belém, sua terra natal. Tornaram-se personagens da série suas primas e primos, que agora brincam, convivem e crescem num espaço que também foi pátio de sua própria infância.

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Melvin Quaresma. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

Quando comecei a fotografar, isso por volta de 2012, eu percebi que gostava muito de fotografar pessoas, mas, ao mesmo tempo, eu sou muito tímido. Eu experimentei muito, mas o que mais gostei de fotografar era exatamente aquilo que eu tinha mais dificuldade: gente. Foi aí que comecei a fotografar a minha própria família.

Eu sou paraense, mas quando iniciei na fotografia já morava no Sul. Então, quando eu vinha visitar a minha família aqui, via que era um lugar em que eu estava sempre muito à vontade, pois era na casa da minha avó, que é o lugar onde eu cresci, com todas as pessoas que conheço.

Eu fui exercitando a minha fotografia assim e ela foi chegando em um ponto muito de saudade mesmo, de fotografar a infância dos meus primos como se estivesse fotografando a minha própria infância, fotografando lembranças muito fortes que eu tenho. Fui fazendo fotografia com esse sentimento de pertencimento em um lugar que também é muito meu, que é a casa 913, a casa da minha avó.

Nesse trabalho que está no Diário Contemporâneo, eu conversei com as minhas primas sobre várias fotos que eu tinha feito ao longo desses anos. Nós entramos em assuntos sensíveis, engraçados, tristes e em outros bem do tipo conversa de primo mesmo. 

Assim, se criou uma outra coisa que são as fotos junto das conversas. Eu deixei o gravador rodando, então ele gravou horas de papo.

Eu acho que as conversas transformaram tudo o que eu já tinha feito para caminhos que jamais poderia imaginar. Depois que as minhas primas me dizem algo sobre a foto, a imagem não é mais só uma foto, ela se transforma na mistura do que ela representa para cada um de nós.

Ressignificamos várias imagens juntos.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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As flores da casa de Anna Ortega

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A casa, para Anna Ortega, artista que levou o Prêmio Residência Artística Belém, sempre foi um ambiente de acolhida. Não há casa sem flores é um projeto ainda em andamento no qual ela mergulha neste lugar simbólico. 

A artista fará a residência artística em Belém com a orientação de Alexandre Sequeira em 2021.

Anna Ortega. Foto: Divulgação.

Confira o seu depoimento:

Eu sou uma mulher criada por mulheres. Fui criada pela minha mãe, minha avó e pela minha tia. Quando eu nasci, a minha primeira noite no mundo foi com a minha avó, dormindo nos braços dela. A minha casa sempre foi uma casa de mulheres.

Aos poucos eu fui me interessando pela fotografia, pelo vídeo, pela imagem e pela expressão. Eu sempre me interessei pelo cotidiano e pelo que era ordinário, o que era miúdo.

Ano passado, em 2019, eu comecei esse trabalho que se chama “Não há casa sem flores”. O título vem de um hábito que nós temos, herdado da minha avó, que é o de sempre cultivar flores em casa e sempre ter um vaso com flores.

Desde o ano passado eu venho documentando essa minha casa e as mulheres dela a partir de retratos. A princípio, era um trabalho estritamente fotográfico documental da casa, do cotidiano, do nosso elo. 

Nós somos muito juntas e isso é uma coisa que vem atravessando o trabalho. Nós temos um corpo nosso comum que é de muito amor e muito afeto. Esse cuidado e esse carinho que me levaram a querer entender as imagens que isso podia trazer.

O que apareceu aos poucos no processo foi o interesse em trazer o vídeo também para o trabalho. O vídeo que está na exposição deste ano do Diário Contemporâneo é uma reunião de vários vídeos que fiz no ano passado, nos quais eu sento à mesa e começo a gravar da perspectiva das flores do vaso que fica sempre nela.

Eu observo e ouço essas conversas, além de estar presente conversando. 

Foi uma forma diferente que eu encontrei para além do retrato da fotografia, mas que não deixa de ser um retrato também. É uma forma diferente de retratar, fazendo isso ao compartilhar um momento. Meu interesse foi o de entender esse cotidiano, além de ouvir e ver os gestos dele.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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A riqueza do candomblé nas imagens de Arthur Seabra

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Em Sob a luz dos candeeiros: movimentos do sagrado, Arthur Seabrafotógrafo paraense residente em Salvador, conta que os candeeiros precisaram ser utilizados em virtude da falta de energia elétrica ocasionada pela queda de um poste. Um cenário ancestral foi recriado pelo “acaso”, parecido com aqueles do século XIX e início do XX no Brasil, quando o povo preto em diáspora praticava o culto a orixá sob essas mesmas luzes, os mesmos cânticos, danças e instrumentos musicais. Arthur Seabra foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos.

Arthur Seabra e seu trabalho selecionado durante a montagem. Foto: Irene Almeida.

Confira o depoimento do artista:

Eu fotografo candomblé há um tempo já, desde 2015. A minha relação enquanto fotógrafo documentarista era, inicialmente, como pesquisador e depois com o passar dos anos eu entrei no mundo do candomblé e me tornei um adepto.

A minha relação com as pessoas desse ensaio, especificamente, é muito próxima porque eles são componentes do candomblé que eu frequento. É uma relação de confiança e respeito.

Eu curso antropologia então, de alguma maneira, eu sempre busquei conhecer, me informar, sempre tive interesse em conhecer mais as religiões de matriz africana, tanto que cheguei a me iniciar. É uma relação de família, a gente constituiu uma comunidade, nós somos uma comunidade de terreiro.

A nossa roça está localizada dentro de uma área rural no município de Camaçari, no interior da Bahia, dentro de uma reserva de Mata Atlântica protegida. A nossa vizinhança é de pescadores, agricultores, pessoas que trabalham com o cultivo, pequenos vendedores e artesãos. 

Como nós desenvolvemos o nosso trabalho em respeito à natureza tanto quanto eles, a gente goza de uma respeitabilidade. Mas isso eu sei que é algo pontual, a gente é a exceção, porque o que a gente vê, de uma maneira geral, é que os terreiros e as comunidades que estão em locais urbanizados sofrem muito mais com a intolerância religiosa, com o racismo religioso e com o terrorismo religioso.

A gente tenta sempre desenvolver uma boa relação, inclusive, trazendo eles para perto da gente no sentido de interagir, trocar experiencias e aprender o manejo que eles tem com a natureza.

Nós, como praticantes de religião de matriz africana, temos a natureza como base do nosso culto. Na história, elas sempre foram demonizadas e a gente procura mostrar para os nossos vizinhos que não é nada dessa imagem que nos foi pintada.

Detalhe de “Sob a luz dos candeeiros: movimentos do sagrado”, de Arthur Seabra. Foto: Irene Almeida

Nós temos um respeito profundo pela natureza, pelas relações. A gente tenta sempre combater essa ideia que foi construída e essas fotos também seguem neste sentido.

É mostrar e não mostrar. Elas têm algo próprio da nossa religião que é o segredo, uma vez que, historicamente, ela sempre foi muito atacada e precisamos desenvolver mecanismos de autodefesa e proteção. 

O meu trabalho fotográfico tem hoje em dia essa responsabilidade de mostrar a beleza do nosso culto, a riqueza que nós temos e a importância cultural do que o candomblé e que os nossos ancestrais escravizados trouxeram para a formação do povo brasileiro.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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Diário Contemporâneo debate os arquivos fotográficos

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Os pesquisadores Heloisa Espada e Nelson Sanjad participam da mesa “Arquivos fotográficos, estudos e curadoria” pelo 11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. O encontro será na quinta-feira (10), às 19h, transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do Diário Contemporâneo.

Em sua fala individual “O mundo vegetal de Jacques Huber”, Nelson irá apresentar um panorama sobre o acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi com destaque para o seu estudo sobre trabalho de Jacques Huber.

Heloisa Espada (Foto: Fernando Rabelo) e Nelson Sanjad (Foto: Divulgação)

Já em “Arquivo Peter Scheir – acervo e curadoria”, Heloisa fará uma apresentação sobre o acervo do Instituto Moreira Salles com destaque sobre sua curadoria da exposição “Arquivo Peter Scheir”, realizada neste ano no IMS Paulista.

Para a exposição, foi iniciada uma pesquisa no acervo composto por cerca de 35.000 itens – entre negativos fotográficos, cópias de época e documentos – do fotógrafo. Os estudos dos arquivos fotográficos são importantes para conceituar estes documentos dentro de um contexto e, assim, os colocar em diálogo com o momento atual. São essas reflexões que garantem que a relevância das produções anteriores, bem como o resgate da memória.

“Trabalhamos a partir de negativos que deram origem a cópias contemporâneas, a partir de impressões fotográficas de época e de revistas que originalmente divulgaram as imagens de Scheier. Este estudo de caso envolve uma discussão sobre os critérios de seleção de fotografias comerciais e jornalísticas mostradas em ambientes museológicos. Além disso, implica numa reflexão sobre como escolhas relativas a dimensão das fotos, tipos de papel, molduras, arquitetura e mobiliário expositivo interferem no significado das obras”, explicou Heloisa sobre a apresentação a ser realizada.

A palestra integra o eixo “Arquivo, documento e documentário”, proposto por Sávio Stoco, integrante do comitê cientifico desta edição, que realizará a mediação da programação ao lado de Mariano Klautau Filho, curador geral do projeto.

BIOGRAFIAS

Heloisa Espada é curadora do Instituto Moreira Salles e doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Curadora, pesquisadora e crítica de arte. Com trânsito nacional e internacional, é um dos principais nomes da pesquisa sobre arte concreta, especialmente sobre fotografia.

Nelson Sanjad é pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi/MCTIC, professor do Programa de Pós-Graduação em História/UFPA e editor Adjunto de História, Ciências, Saúde-Manguinhos desde 2015.

SERVIÇO: Diário Contemporâneo debate os arquivos fotográficos. Data: 10 de dezembro de 2020. Horário: 19h. Local: canal do YouTube do projeto. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE. Informações: (91) 98367-2400,  diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

O ontem e o hoje da fotografia em palestra de James Roberto Silva

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O professor e pesquisador James Roberto Silva realizou a palestra “O ontem e o hoje da fotografia: dimensões documental, arquivística e social de um (não) artefato”, na última quinta-feira (26). A programação foi transmitida ao vivo pelo canal do YouTube do Diário Contemporâneo e contou com a mediação de Sávio Stoco.

“São sempre as pessoas e não as máquinas que vão decidir quando e como fazer uma fotografia”, observou James, ressaltando ainda que “artefatos não são sujeitos, são sempre objetos diretos e indiretos da ação humana”.

O professor falou sobre a fotografia, sua origem e as transformações que ela vem passando em nossa sociedade, além de seus usos e serviços.

Ele ainda destacou a questão da imagem digital, suas facilidades e fraquezas como a impermanência e a ausência de aspecto físico. “A gente tem uma caixa preta dentro do celular hoje em dia”, disse.

Somos nós que damos significados às imagens e objetos. “O quanto a fotografia e esses processos sociais envolvendo a fotografia têm parcela em relação a uma proliferação e uma banalização?”, questionou Sávio.

No contexto atual em que vivemos, é preciso sempre que refletir sobre a circulação das imagens, sua força e sua ligação com a percepção do real.

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Suely Nascimento nos convida a adentrar a Casa de Marlene

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Nestes últimos meses, a casa adquiriu um significado mais forte para todos. Até aqueles que a tinham como um lugar de dormir se viram nesta situação de introspecção e tiveram que ressignificá-la como um lugar de estar. A casa sempre teve uma força na vida de Suely Nascimento. A paraense conquistou o Prêmio Residência Artística Recife na 11ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia com a fotoinstalação A casa de Marlene – A cozinha, um fragmento da pesquisa desenvolvida para o seu doutorado.

Suely Nascimento na fotoinstalação “A casa de Marlene – A cozinha”. Foto: Irene Almeida

Confira o depoimento da artista:

Eu tenho uma relação forte com a casa. É nessa casa aí em que eu nasci e que eu vivi até os 44 ou 46 anos. Ela é a casa da minha mãe, uma casa construída pelo meu avô. Foram várias gerações morando nela. Lá é uma casa cheia de conversas, de falas, então isso permeou toda a minha vida. 

Quando teve um período de saúde da minha mãe bem delicado, eu senti vontade de registrar a casa, só ela, sem as pessoas. Eu queria, bem dentro de mim, que ficasse registrado o jeito que ela ajeitava na casa. Olhando agora, é a casa da mamãe, ali estão todas as coisas dela.

Depois de um tempo, vendo e lendo sobre memória na academia, pois eu levei esse projeto para dentro da academia, eu entendi que a casa sou eu. Cada um de nós é uma casa.

A gente vai para tanto lugar… Eu levo a casa da minha mãe dentro de mim e, ao mesmo tempo, eu sou uma casa, eu sou essa fotoinstalação que também ativa a nossa memória para pensar em outras coisas.

Quando veio o edital do Diário Contemporâneo eu estava naquela quarentena fechadona, a mais rígida e pensei se me inscrevia ou não. Todo dia eu montava alguma coisinha. Essa proposta eu apresentei no segundo semestre de 2019 dentro da sala de aula, só que foi uma situação completamente diferente. A gente não estava na pandemia, eu fiz uma projeção, usei a mesa da professora com uma toalha antiga da minha mãe. Aí houve toda uma conversa com os colegas em que falamos sobre casa, sobre mãe, sobre vó e essa vivência me chamou atenção.

A artista e sua obra durante a montagem da 11ª edição. Foto: Irene Almeida.

Quando eu me inscrevi, como eu tava no momento da quarentena do lockdown, isso estava muito forte dentro de mim. Eu estava dentro de uma casa da qual eu não podia sair, então essa proposta da mesa do café é interessante porque era uma coisa que não se podia fazer naquele momento bem forte da quarentena. O encontro da família, as falas, toda essa vivência que é um falatório, tudo isso estava cerceado. Nós estávamos todos dentro das nossas casas individuais e coletivas, mas essa grande vivência com as pessoas e com a grande família em que todo mundo se unia não podia.

Então, era o momento de reflexão, um momento de só se pensar nestes encontros e no que nos é nutritivo porque isso tem a ver com alimento. Se nutrir e nutrir o outro. Qual é a comida que nos nutre? Não é uma comida física, é um alimento invisível.

Todos estes questionamentos me passaram pela cabeça no momento em que eu estava construindo essa proposta.  

Agora, para a residência, a proposta é que a gente se afaste um pouco do lugar onde mora para também pensar um pouco sobre o nosso trabalho. Em Recife eu passei alguns dias, mas nunca morei lá. 

A minha ideia é, se for possível, realizar lá um dos cafés. Na verdade, não é um café, é uma vivência, um encontro em que vamos falar da construção deste processo criativo todo e possibilitar a interação. Para mim, é muito importante essa interação com o outro, com a pessoa que vê, que está em um outro lugar mas também vivencia. Eu acho que vai ser muito rica essa experiência  

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Suely Nascimento fará a sua residência artística em Recife sob a orientação de Ana Lira em 2021.

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