Flavya Mutran é a artista convidada da nona edição

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Mestre e doutora em Artes Visuais pelo PPGAVI do Instituto de Artes da UFRGS, com pesquisas sobre arquivos fotográficos e compartilhamentos de imagens via web, Flavya Mutran, atualmente é professora do Departamento de Design e Expressão Gráfica na Escola de Arquitetura da UFRGS, em Porto Alegre (RS), onde vive desde 2009.

Ela integrou a comissão de seleção do 9º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia do qual também é artista convidada. Trabalhos conhecidos como EGOSHOT, BIOSHOT e DELETE.use serão apresentados na mostra “Lapso”.

Na entrevista a seguir, Flavya conversa sobre a sua relação com a fotografia e com o nosso mundo mediado por imagens.

Da série DELETE.use. Foto: Flavya Mutran

Seus trabalhos abordam muito a questão da fotografia como elemento construtor de memorias. Seriam as fotografias as histórias da representação? 

De certa forma sim, já que de um jeito ou de outro, fotografias acabam representando alguma coisa ou alguém, certo? Se pensarmos em fotografias como aquilo que opera com a nossa noção de tempo, de espaço, de escala, e de tantas outras formas de presentificações, então elas são mesmo empreendimentos memoráveis. Aliás, essa é uma maneira ótima de olhar para fotografias: ter a devida consciência de que elas não são testemunhas fiéis dos acontecimentos, ainda que teimosamente a gente adore se deixar enganar por elas.

Fotografias e fotografados representam, apresentam, inventam. Tem sido assim desde o princípio da História da Fotografia.

A internet se tornou uma grande enciclopédia virtual e você mergulhou nela em pesquisas que tem como foco desde a figura humana até o “apagamento” desta. O que te levou a investigar esse assunto?

Se para alguns a fotografia enquanto linguagem, miniaturizou e transformou o mundo numa versão portátil, a internet é sua plataforma de embarque e desembarque. Ela tem sido o ponto de partida dos meus últimos trabalhos não apenas pelo viés enciclopédico, mas principalmente porque parte da metodologia de acesso aos canais da rede envolve algum tipo de relação PALAVRA + IMAGEM e isso sim move meu trabalho.

Foi da relação de interdependência entre texto e fotos, que comecei a olhar como as pessoas se comportam e como transformam a si mesmas em lugares, IPs localizáveis de várias partes do mundo.

Mapear endereços virtuais e fotografar essas autorrepresentações, para mim, é quase o mesmo que fazer uma viagem para algum território diferente do meu sem, no entanto, precisar que eu tire os pés de casa.

Assim, o melhor da interdependência palavra-imagem na web é a possibilidade de construir relações de sentido diferentes para uma mesma imagem, alterar os pontos de observação sem mudar o ponto de vista inicial do fotógrafo precursor de determinada cena. Gosto de pensar que criar apagamentos ou sobreposições de elementos visíveis em fotografias do passado são alternativas de futuro para narrativas tidas como encerradas. É como se eu convidasse outros olhares para atuar em novas fábulas em cenários já conhecidos.

A artista convidada desta edição.

Atualmente vivemos em um mundo com o qual nos relacionamos através das imagens, mas, ao mesmo tempo, também nos fazemos presentes produzindo conteúdo visual diariamente. Qual seria então o papel cultural da fotografia para você?

Segundo Paul Ricoeur, nossa relação com o tempo é feita da mistura entre o histórico e o ficcional. Nesse sentido, o imaginário é fundamental pois a ficção de certa forma é também histórica, inerente a todos nós. A fotografia, cada vez mais acessível e democrática, é uma riquíssima linguagem para construção do imaginário, seja factual, histórico ou ficcional, certo? Através dela é possível criar discursos que misturam vivências e vocabulários pessoais com repertórios e dinâmicas coletivas, e é daí seu papel cultural tão relevante. Cada um de nós pode assumir-se como fotógrafo e, portanto, como narrador. A fotografia, então é esse canal (auto) discursivo. Este, aliás, é o mote que o Mariano Klautau Filho criou para o edital dessa edição do Prêmio, “Realidades da Imagem, Histórias da Representação”, testando e talvez atestando em que medida a fotografia está a serviço dos dois extremos do imaginário contemporâneo.

Em muitos dos seus trabalhos há o uso de suportes diferentes como vídeo, gravura, instalação, entre outros. Eu percebo todos eles como desdobramentos a partir da fotografia. É correto afirmar isso? Por que?

Sim, todo suporte que eu adoto como meio deriva de uma matriz fotográfica. Sou uma legítima representante da espécie HOMO PHOTOGRAPICUS, descrita por Michel Frizot como aquele tipo de criatura que aprendeu a ver e se expressar através de lentes. Mas para ser bem honesta, a fotografia como meio apenas não basta. Nunca bastou para mim. Ela sempre foi rápida demais enquanto ferramenta de produção de imagem, daí que nunca me dei por satisfeita de encerrar assuntos depois do disparo da câmera.  Sempre procurei entender o tempo de maturação da imagem após a captura, seja no laboratório químico, escavando negativo, criando camadas sobre o papel ou transferindo imagem para tela ou metal. Tudo procurando uma maneira de permanecer no campo das maquinações da imagem.

Como você enxerga a nossa relação atual com as imagens? Há quem diga que vivemos uma saturação de selfies, mas não seriam elas tentativas de autoconhecimento? 

A principal atração que fisga nossa atenção na web é a imagem. Fotografias e vídeos são as iscas perfeitas para aumentar o tempo de navegação. É a partir de imagens que nos colocamos diariamente à mercê de um sistema codificado que regula todo e qualquer tipo de trânsito de informação em rede, mesmo que a maioria de nós sequer saiba quais são as implicações reais desse vínculo. Não é à toa que o termo mais adequado para definir nosso papel na web seja o de USUÁRIO, tão próximo ao consumo de drogas, justamente porque imagem alicia, vicia, pode causar dependência.

Não dá para saber em que medida o excesso de imagens ao qual somos constantemente bombardeados atrapalha ou contribui para o nosso autoconhecimento. Fato é que desde a popularização dos dispositivos móveis de acesso à internet as fronteiras entre o espaço público e o privado sofreram grandes rupturas. A partir da época da chamada WEB 2.0, lá pelo início dos anos 2000, o ego humano parece ter se agigantado dando o tom das relações objetivas e subjetivas que tratam do local e do global na cena contemporânea. Cada dia fica mais claro que, por trás das páginas pessoais, há muitos interesses corporativos das grandes empresas que financiam as redes gratuitas da internet escusos nos algoritmos que lhes constituem.

Se hoje o meio virtual é o guardião de nossas histórias mais secretas e da nossa imagem mais pública, que preço pagaremos pela guarda consignada da nossa memória? Quem nos assegura que no futuro teremos acesso fácil aos nossos arquivos pessoais de textos e imagens que estão online? Será que mantê-los e acessá-los ainda será gratuito? Na falta de máquinas que decodifiquem esses algoritmos, quem garante que seremos capazes de lembrar do nosso tempo e das muitas versões digitais das nossas fotos, textos, sons, entre outros?

Da série EGOSHOT. Foto: Flavya Mutran

O que você anda pesquisando atualmente?

Só duas coisas atualmente atraem minha atenção e curiosidade: as fotos da Curiosity Rover da NASA e uma vontade enorme de um dia cruzar com o carro do Google Street View!

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional realizado pelo jornal Diário do Pará com apoio da Vale, colaboração da SOL Informática e apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA e do Museu da UFPA.

Diário Contemporâneo abre seleção para mediadores culturais

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Uma das principais preocupações do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é fomentar a reflexão a partir da arte. Por isso, anualmente o projeto dedica um momento para formar a sua equipe de educadores que irá receber os mais diversos públicos no espaço dos museus. Intitulada “Tempo para duvidar: por uma formação de espíritos livres” a ação educativa deste ano abriu inscrições para a seleção de mediadores culturais. Elas podem ser feitas pelo site www.diariocontemporaneo.com.br até o dia 29 de abril.

Visitação escolar da mostra “Poéticas e Lugares do Retrato”, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Foto: Irene Almeida/2017

Segundo a artista e pesquisadora, Cinthya Marques, que irá ministrar o minicurso de formação deste ano, “esta convocatória visa selecionar o grupo que desenvolverá um trabalho com ênfase na formação de cidadãos com foco em estudantes do ensino fundamental e médio, possibilitando o acesso ao ensino das artes visuais e priorizando como mote principal fomentar uma forma de pensar/refletir diferente do que se espera, para além dos muros das escolas em consonância com as instituições educacionais (espaços museológicos e exposições de arte), abrindo múltiplas possibilidades de diálogos entre Arte, Fotografia e Sociedade”.

Será este grupo que atenderá desde as turmas escolares de ensino fundamental e médio até o público regular dos museus formado por educadores, artistas, estudantes e demais interessados em Arte Contemporânea.

Sob a coordenação de Rodrigo Correia, a ação educativa atuará durante o período das exposições, de 15 de maio a 15 de julho. O público-alvo da convocatória são alunos universitários de artes visuais, museologia, comunicação social e demais áreas afins. Após as inscrições e entrevistas presenciais, os pré-selecionados participarão do minicurso de formação. “Nesta edição o projeto educativo visa desenvolver possibilidades de inserir em debate temas contemporâneos presentes na sociedade brasileira, abrindo espaços de diálogos entre estudantes e obras de arte através do acesso à informação, para que nesta edição os educadores possam discutir com os estudantes temas relacionados à realidade social e política dos principais assuntos em debate no país”, frisou Cinthya.

Após o minicurso serão selecionados os mediadores que irão atuar no projeto pelos próximos meses, lotados no Museu do Estado do Pará – MEP e Museu da UFPA.

CRONOGRAMA

  • Inscrições: até 29 abril de 2018
  • Seleção/Entrevistas: 02 e 03 de maio, das 14 às 17h, no escritório do Projeto por ordem de chegada
  • Minicurso: 05 e 06 de maio, de 09 às 12h e de 14 às 17h
  • Carga horária: 12hrs

SERVIÇO: Diário Contemporâneo abre seleção para mediadores culturais. As inscrições podem ser feitas pelo site www.diariocontemporaneo.com.br até 29 de abril. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA e do Museu da UFPA. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Site: www.diariocontemporaneo.com.br.

Diário Contemporâneo divulga os premiados e selecionados da 9ª edição

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Após avaliação intensa das obras inscritas, a comissão de seleção e premiação desta edição, composta por Rosely Nakagawa (SP), curadora e pesquisadora; Walda Marques (PA), fotógrafa e Flavya Mutran (PA), artista e professora, escolheu os trabalhos que irão compor a exposição do 9º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia.

A partir da temática “Realidades da imagem, Histórias da Representação” vieram 300 dossiês de todas as regiões do país concorrendo a um dos três prêmios no valor de R$ 10.000,00 cada, sendo dois deles concedidos na forma de bolsa para residência artística nas cidades de São Paulo e de Belém.

Seleção da IX edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Foto: Irene Almeida.

O início dos trabalhos de seleção foi marcado por uma conversa com o curador do projeto, Mariano Klautau Filho, que abordou a trajetória do Prêmio e destrinchou a temática escolhida para 2018.

Cada ano traz um processo de seleção particular. A proposição temática entra em contato com o artista e o trabalho deste entra em contato com o olhar da comissão. “Devemos pensar as relações que a arte tem com a sociedade, com a realidade, com o contexto social”, observou Flavya.

O alto nível dos trabalhos inscritos fez com que a comissão optasse por aumentar o número de contemplados. Inicialmente o edital previa a escolha de até 20 trabalhos, já contando com os três premiados. Ao final, 26 trabalhos integrarão a mostra.

Criado em 2010, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia trata-se de um projeto nacional, que em seus anos de atuação contribuiu para a consolidação do Pará como lugar de reflexão e criação em artes, além de proporcionar o diálogo entre a produção local e nacional. É uma realização do jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA e do Museu da UFPA.

Veja abaixo a lista completa dos fotógrafos premiados e selecionados:

  • Prêmio Diário Contemporâneo – Edu Marin Kessedjian (SP)
  • Prêmio Residência Artística São Paulo – Ionaldo Rodrigues (PA)
  • Prêmio Residência Artística Belém – Ricardo Ribeiro (SP)
  • Ana Lira (PE)
  • André Penteado (SP)
  • Camila Falcão (SP)
  • Élcio Miazaki (SP)
  • Emídio Contente (PA)
  • Fernando Schmitt (RS)
  • Fernando de Tacca (SP)
  • Gabriela Lima (RJ)
  • Ivan Padovani (SP)
  • João Castilho (MG)
  • João Paulo Racy (RJ)
  • José Diniz (RJ)
  • Marcelo Kalif (PA)
  • Marcílio Caldas Costa (PA)
  • Marco A. F. (RS)
  • Maurício Igor (PA)
  • Natasha Ganme (SP)
  • Paulo Baraldi (SP)
  • Pedro Clash (SP)
  • Roberto Setton (SP)
  • Sérgio Carvalho (PI)
  • Thiéle Elissa (RS)
  • Tiago Coelho (RS)

Inscrições para a nona edição entram na sua reta final

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As inscrições para a 9ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foram prorrogadas até o dia 26 de março. O Projeto concederá três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo dois deles na forma de bolsa para residência artística nas cidades de São Paulo e Belém. O edital com a ficha de inscrição está disponível no link.

“Vivaz”, série premiada de Guido Couceiro Elias

A greve dos correios adiou em alguns dias o encerramento das inscrições. Mariano Klautau Filho, curador do Projeto, considera que “uma prorrogação sempre funciona a favor do artista, para que ele possa se organizar mais e mandar o seu material. Portanto, sempre terá um lado positivo apesar de mexer no nosso cronograma geral. Acredito que o resultado é termos muito mais opções e diversidade de trabalhos para selecionar”.

Os trabalhos terão como ênfase a temática “Realidades da Imagem, Histórias da Representação”. O tema escolhido tem como objetivo selecionar e premiar obras que proponham uma reflexão ampla sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão histórica.

Sobre o que espera para esta nona edição de um projeto que já se firmou como um dos grandes editais de fotografia e arte do país, Mariano acrescenta que suas expectativas são “as melhores possíveis, além da curiosidade em como os artistas vão interpretar a proposição temática este ano. Digo isso porque a fotografia sempre estabeleceu com a vida social uma relação muito intensa, e as questões da representação da realidade estão sempre em pauta quando falamos do signo fotográfico”, explica.

RESIDÊNCIA ARTÍSTICA

Pelo segundo ano consecutivo o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia concede dois de seus prêmios na forma de bolsa para residência artística. Sobre isso, Mariano comenta que “é importante continuar a experiência das residências, porque estamos desenvolvendo uma experiência nova, aprendendo a lidar com essa dinâmica. É um aprendizado que abre a possibilidade de o artista estabelecer relações com outros ambientes distintos de seu lugar de origem. A residência no Diário Contemporâneo é um laboratório para todos nós”, afirma.

Fotografia produzida por Guido Couceiro Elias durante a residência em São Paulo

Em 2017, da Bahia, Hirosuke Kitamura veio para Belém e o paraense Guido Couceiro Elias foi para São Paulo. “Depois de quase um ano da residência, percebi que ela foi um marco na minha vida, não apenas pela importância do prêmio, mas pela experiência em si, pelo o que ela mexeu comigo. Não foi fácil para mim ir a São Paulo com 18 anos, ainda não tendo iniciado os estudos na faculdade de Artes Visuais. Foi uma espécie de pulo, me colocou em uma realidade que eu não estava pronto ainda, mas se não fosse a residência, talvez eu não estivesse pronto para essa realidade hoje. Foi um momento muito especial”, lembra Guido.

Serão selecionados no máximo vinte artistas, incluindo os três premiados. O artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho. O edital abre espaço também para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional realizado pelo jornal Diário do Pará, com apoio da Vale, apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA e do Museu da UFPA.

SERVIÇO:  O IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até dia 26. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até dia 26 de março

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As inscrições para a 9ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foram prorrogadas até o dia 26 de março. O projeto concederá três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo dois deles na forma de bolsa para residência artística. O edital com a ficha de inscrição está disponível no site www.diariocontemporaneo.com.br.

Autômatos, de Péricles Mendes, selecionado na 5ª edição.

Os trabalhos terão como ênfase a temática “Realidades da Imagem, Histórias da Representação”. O tema escolhido tem como objetivo selecionar e premiar obras que proponham uma reflexão ampla sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão histórica. O Diário Contemporâneo abre espaço também para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes.

Serão selecionados no máximo vinte artistas, incluindo os três premiados. O artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional realizado pelo jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA e do Museu da UFPA.

SERVIÇO:  IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até dia 26 de março. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

O papel da fotografia e a temática da nona edição

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A temática da nona edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, “Realidades da imagem, histórias da representação”, propõe pensar na relação entre a arte e o seu contexto social. Qual seria o papel da fotografia diante da nossa realidade tão complexa? O projeto selecionará e premiará obras que proponham uma reflexão ampla sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão histórica. As inscrições seguem abertas até 13 de março. O edital com a ficha de inscrição está disponível no site www.diariocontemporaneo.com.br.

Pra Sempre, de Mirian Guimarães, artista selecionada em 2017

As múltiplas possibilidades que a fotografia abarca permitem não só uma experiência estética como também o desafio de representação do cotidiano e da sociedade. Mariano Klautau Filho, curador do projeto conta que o tema “surgiu da própria fotografia enquanto linguagem de embate e empatia com a realidade. A fotografia sempre foi tomada como um meio de aproximação com o mundo real no sentido social, mas essa questão é sempre mais ampla do que aparenta”, afirma.

As condições da sociedade brasileira, os problemas de cunho político, racial e de renda estão manifestos em muitas construções artísticas contemporâneas. Realistas ou não, essas produções tem o caráter de registro deste momento para uma memória.

Em seu artigo “A arte brasileira e a crise de representação”, o crítico de arte Moacir dos Anjos explica que, “é preciso lembrar que qualquer produção artística está sempre ligada, com menor ou maior evidência ou consciência, aos lugares e aos tempos vividos por seus autores. Aquilo que é inventado pelos artistas, ou mediado por suas subjetividades, sempre deixa transparecer, como sintoma ou como análise, a situação e o contexto específicos que lhe serve de chão e calha”.

A fala do especialista reforça a questão de que por mais universal que seja a mensagem do artista, ela sempre está ligada ao contexto que ele está inserido. “A resposta é perceber como o artista pensa isso por meio de sua posição no mundo e a gramática que ele escolhe para construir suas imagens do mundo”, explica Mariano.

Da série Balaclava de Randolpho Lamonier, selecionada na 5ª edição do projeto.

REPRESENTAÇÃO DO INIVISIVEL

Sujeitos presentes, sujeitos ausentes. Grupos invisíveis encontram na arte o seu lugar de fala. Moacir atenta, “ao se falar de crise de representação, fala-se, portanto, de uma situação em que os danos que uma dada partilha do sensível provoca ou condensa são finalmente explicitados. Situação em que se evidenciam, por vários meios, as desigualdades que moldam e que definem certo contexto social, fazendo que a alguns seja dado o poder de terem rosto e de terem fala, enquanto a outros são negados o direito à própria imagem e o de narrar suas histórias. E é diante desse entendimento amplo do que é representação e de como a arte potencialmente atua para questionar uma dada configuração hegemônica do que pode ou não pode ser figurado em um dado lugar e momento, que se pode pensar a ideia de uma arte que resiste. De uma arte que recusa a naturalização da invisibilidade social de determinadas questões, grupos sociais e entendimentos sobre o mundo. De uma arte que resiste à ideia de que as representações dominantes não podem ser questionadas e alteradas. Resistência que é entendida, assim, não como gesto passivo frente a uma força que acua, mas, paradoxalmente, como postura ativa de transformação”.

A fotografia é, então, o recorte de uma realidade complexa. Ainda assim, o olhar do artista traz um destaque, um realce daquilo que ele busca uma correspondência com a vida individual daquele que observa a sua imagem. Cada um responderá ao seu modo aos questionamentos trazidos pela temática da 9ª edição. “A fotografia é uma possibilidade de resistência assim como a arte. Aqui estamos falando também da imagem como modo de representação e posicionamento diante da história aqui e agora. O aqui e agora também inclui o fotógrafo em seu fazer artístico”, finalizou Mariano.

 O PRÊMIO

Além da fotografia Diário Contemporâneo abre espaço para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes. Serão concedidos três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo dois deles na forma de bolsa para residência artística nas cidades de São Paulo e Belém. O artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho. Serão selecionados no máximo vinte artistas, incluindo os três premiados.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional realizado pelo jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA e do Museu da UFPA.

SERVIÇO:  O IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até 13 de março. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

Realidades da Imagem, Histórias da Representação é a temática do 9º Diário Contemporâneo

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O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia realiza em 2018 a sua 9ª edição. “Realidades da Imagem, Histórias da Representação”, temática escolhida, tem como objetivo selecionar e premiar obras que proponham uma reflexão ampla sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão histórica. As inscrições estão abertas e seguem até 13 de março de 2018. O edital com a ficha de inscrição está disponível no site www.diariocontemporaneo.com.br.

Da série Fora do Lugar, de Alex Oliveira, selecionada em 2017.

Toda produção artística está ligada ao seu tempo e aos seus autores, sendo assim uma expressão histórica desde já. Por mais que a fotografia tenha alcançado o patamar de arte, abraçando a ficção, ela nunca deixou de ter relação com o mundo real. O que mudou foi a forma de se relacionar. O que antes tinha a obrigação de ser a cópia fiel da realidade, hoje se apresenta como um recorte dela, um olhar, uma possibilidade sensível que convida para ao diálogo.

Mariano Klautau Filho, curador do projeto, propõe vários questionamentos acerca do tema, “quais os mecanismos da arte diante do contexto social? Quais os papéis que desempenham as imagens fotográficas na arte em face de realidades tão concretas? Quais reflexões podemos construir sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão social? Qual o lugar do artista nas representações históricas e nas histórias da representação? A fotografia oferece, desde seu surgimento, vários desafios. É o que o IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia propõe para o ano de 2018”.

Que obras representariam esta nossa realidade tão complexa? A crise de representação atual tem a ver com a falta de reconhecimento político, questões de raça, classe social, gênero e sexualidade.

Os artistas narram o mundo em que vivem. Ao acolher as diversas ideias, grupos e debates o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia reforça a potência da arte em resistir e de se fazer presente no que estar por vir.

Da série Cracolândia, de Tuca Vieira, selecionada em 2012

O PRÊMIO

Serão concedidos três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo dois deles na forma de bolsa para residência artística nas cidades de São Paulo e Belém. Os selecionados e premiados participarão da 9ª Mostra Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, no Museu do Estado do Pará – MEP, que ocorrerá no período de 08 de maio a 09 de julho de 2018.

O Diário Contemporâneo abre espaço também para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes. O artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho. Serão selecionados no máximo vinte artistas, incluindo os três premiados.

Aberto a todos os artistas brasileiros ou residentes no país, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia trata-se de um projeto nacional, que em seus anos de atuação contribuiu para a consolidação do Pará como lugar de reflexão e criação em artes, além de proporcionar o diálogo entre a produção local e nacional. É uma realização do jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA e do Museu da UFPA.

SERVIÇO:  IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia já está com inscrições abertas. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.