Isabel Gouvêa abre a programação de palestras do Diário Contemporâneo

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Integrante da comissão de seleção do 10º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, a fotógrafa Isabel Gouvêa aproveita a sua passagem pela capital paraense para realizar a palestra “Lutas criativas no campo da arte: As experiências da Bahia no Prêmio Pierre Verger e no Programa Kabum! de Arte e Tecnologia”. O bate-papo com o público será no dia 24 de junho, às 19h, no Museu da UFPA, com entrada franca.

Movimento Carta das Laranjeiras. Foto: Adelmo Santos

Paralelo ao seu trabalho pessoal de documentação antropológica do homem e da cultura das regiões Norte e Nordeste, com atenção especial para as festas populares, a artista também atua em colaboração com diferentes instituições culturais.

Na palestra, Isabel apresentará duas dessas experiências, o histórico do Prêmio Pierre Verger, criado em 2002 e que passou por mudanças e aperfeiçoamentos sempre como fruto de lutas da comunidade fotográfica local, através do Fórum de Fotografia da Bahia e do Movimento Carta das Laranjeiras. Serão compartilhados os aspectos criativos da luta desta última etapa do movimento.

Além disso, a fotógrafa abordará o Programa Kabum! de Arte e Tecnologia, desenvolvido por 12 anos pela ONG CIPÓ-Comunicação Interativa para a formação de jovens de comunidades populares. Segundo ela, “o programa trabalhou de forma transdisciplinar entre as linguagens de fotografia, vídeo, design e computação gráfica e alcançou resultados significativos na produção artística e em transformações socioeducativas”.

ISABEL GOUVÊA

Mestre em Artes Visuais pela UFBA, em 2008 e fotógrafa formada pela ECA/USP, em 1976. Atuou na comissão Prêmio Pierre Verger nos anos de 2006 e 2007 e como curadora da exposição e publicação da 6ª edição do Prêmio em 2017. Em 1980 começou a trabalhar na Fundação Cultural do Estado da Bahia, onde coordenou a pesquisa fotográfica do Projeto História dos Bairros de Salvador. Desenvolve trabalhos em arte e comunicação junto à ONG CIPÓ-Comunicação Interativa, com mostras realizadas em Salvador, São Paulo, Barcelona e Milão. Coordenou a Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia de Salvador. Atualmente coordena a implantação do LabCIPÓ, espaço inovador de formação e produção em arte e tecnologia. Integra o Fórum dos Produtores Culturais da Fotografia Baiana e compõe a Diretoria Nacional da Gestão 2017-2019 da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil – RPCFB.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

SERVIÇO: Diário Contemporâneo realiza palestra com Isabel Gouvêa. Data: 24 de junho, às 19h. Local: Museu da UFPA. Endereço: Av. Governador José Malcher – esquina com Generalíssimo Deodoro. Entrada franca. Informações: Rua Gaspar Viana, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Edital e inscrições no site:  www.diariocontemporaneo.com.br. Confirme presença no Evento do Facebook.

[INSCRIÇÕES ENCERRADAS] Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até hoje

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As inscrições para a 10ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia estão prestes a acabar. O candidato interessado tem só até a meia-noite de hoje, 13 de junho, para submeter seu trabalho por meio da ficha de inscrição disponível no site www.diarioconteporaneo.com.br. Serão concedidos três prêmios no valor de R$10.000,00 cada.

Meu Brasil Varonil, de Gabriela Lima, selecionada em 2018.

Para esta edição comemorativa foi proposto um encontro renovado entre as experiências curatoriais dos anos de 2010 e 2014. Na estreia do projeto se pensou na multiplicidade da identidade brasileira, enquanto na edição de número cinco a temática livre refletiu as diversas possibilidades poéticas da fotografia.

Apesar de ser um prêmio de fotografia, o Diário Contemporâneo abre espaço também para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes. Assim, o artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho. Serão selecionados no máximo 18 artistas, incluindo os três premiados.

JÚRI

A comissão de seleção e premiação será formada por Isabel Gouvêa, mestre em Artes Visuais pela UFBA e fotógrafa formada pela ECA/USP, integrante do Fórum dos Produtores Culturais da Fotografia Baiana e da diretoria nacional da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil; Octavio Cardoso, graduado em Engenharia Civil pela UFPA e cuja trajetória profissional passou tanto pela publicidade quanto pelo jornalismo, aspecto que se reflete na sua obra, que vai do preto e branco ao colorido manipulado, além da documentação da paisagem e do vaqueiro marajoara; e Heldilene Reale, doutoranda do programa de pós-graduação em Artes da UFMG, mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura pela UNAMA, artista, pesquisadora e professora do curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem da UNAMA.

PALESTRA

Aproveitando a passagem de Isabel Gouvêa por Belém, o Diário Contemporâneo abrirá com ela a sua programação de palestras da 10ª edição. “Lutas criativas no campo da arte: As experiências da Bahia no Prêmio Pierre Verger e no Programa Kabum! de Arte e Tecnologia” ocorrerá no dia 24 de junho, às 19h, no Museu da UFPA. A entrada será franca.

SERVIÇO:  10º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até hoje. Edital e ficha no site www.diariocontemporaneo.com.br. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com.

Octavio Cardoso na comissão do 10º Diário Contemporâneo

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O fotógrafo paraense Dirceu Maués teve um imprevisto de agenda e não poderá mais fazer parte da comissão de seleção e premiação do 10º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, sendo substituído pelo também fotógrafo, Octavio Cardoso.

Da série Lugares Imaginários, de Octavio Cardoso.

BIOGRAFIA

Nascido em Belém e graduado em Engenharia Civil pela UFPA, Octavio Cardoso começou a fotografar em 1984, na Fotoativa, onde sempre esteve ligado, tendo sido seu presidente de 2000 a 2007. Sua trajetória profissional passou tanto pela publicidade quanto pelo jornalismo. Aspecto que se reflete na sua obra, que vai do preto e branco ao colorido manipulado, além da documentação da paisagem e do vaqueiro marajoara. Trabalhou no Jornal O Liberal, Estúdio Luiz Braga, Kamara Kó Fotografia, WO Fotografia e atualmente é editor do Jornal Diário do Pará.

Sua relação com o Diário Contemporâneo vem desde a estreia do projeto, pois na primeira edição teve premiada a sua série “Lugares Imaginários”. Em 2011, foi um dos curadores da mostra “Diários da Cidade”, que exibiu trabalhos de fotojornalistas e esteve no bate-papo sobre este tema. Em 2012, realizou a oficina “Ensaio – Resumindo uma Ideia”, que abordou temas como a narrativa e a edição fotográfica. Em 2016, seus trabalhos que integram a Coleção de Fotografias do projeto foram expostos e ele, assim como outros artistas, participou das rodas de conversa com o público.

RETROSPECTIVA – 2012: A fotografia da memória

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Em 2012, o Prêmio Contemporâneo de Fotografia realizava sua terceira edição e se mostrava cada vez mais consolidado como um edital de grande competição do país, além de produzir impacto na formação e produção de conhecimento em Artes Visuais e no intercâmbio artístico. “Memórias da Imagem” foi o tema escolhido para propor uma reflexão sobre o caráter atemporal da imagem fotográfica.

A memória acontece a todo momento e na fotografia ela é constantemente reinventada a cada leitura que a imagem recebe, a cada olhar e interpretação crítica. Ela não é só o registro de algo que ocorreu diante da câmera mas sim, um diálogo com aquele que vê a imagem no tempo presente e futuro.

Da série “Uma e outra erupção”, de Ilana Lichtenstein, premiada em 2012.

O JURI

Buscando ter um olhar cada vez mais plural, a comissão de seleção do terceiro Prêmio Contemporâneo de Fotografia foi composta por um fotógrafo, uma pesquisadora e um professor.

Nascido em Registro, São Paulo, Miguel Chikaoka é formado em engenharia pela Universidade de Campinas e é idealizador da Associação Fotoativa, onde atua como arte-educador com metodologia própria em ações que estimulam o pensamento crítico e criativo sobre o fazer fotográfico. Miguel foi o artista convidado de 2012 e também realizou o bate-papo “Trajetórias do Fotográfico”, tendo a mediação de Mariano Klautau Filho, curador do projeto.

Pós-doutora junto ao Programa de Pós-graduação em Estética e História da Arte do MAC-USP, Heloisa Espada atua nas áreas de curadoria, pesquisa e crítica de arte e é curadora de Artes Visuais do Instituto Moreira Salles desde 2008. Além de integrar a comissão de seleção, ela abriu a programação de palestras do projeto com a apresentação “Sombras e arte: Brasília ‘onírica’ e ‘barroca’ – A fotografia de Marcel Gautherot”. A palestra trouxe o tema de um dos seus livros e de sua tese de doutorado, explorando a fotografia na arte moderna.

Jorge Eiró foi o terceiro integrante do júri da terceira edição. É arquiteto, escritor e artista plástico. Além de ser doutor e mestre em Educação pela UFPA, é professor nesta universidade e na UNAMA. Também é membro do conselho curador do CCBEU, tendo executado diversos trabalhos de curadoria em exposições de Artes Visuais em Belém.

ARTISTA CONVIDADO

No Museu da UFPA, Miguel Chikaoka exibiu “Para ter de onde se ir”. O título da mostra foi uma referência ao poema “A Cabana”, do paraense Max Martins. Chikaoka escolheu Belém como sua casa e ajudou a consolidar o cenário da fotografia do Pará que conhecemos hoje com ações em arte e educação que estimulam o olhar e o pensamento crítico.

Na exposição, foi priorizada a exibição de trabalhos ainda inéditos mas sem a obrigação de realizar uma retrospectiva da carreira do fotógrafo. Foram para a parede as errâncias e os caminhos tomados pelo artista, refletindo seus movimentos de vida a partir das imagens em técnicas e apresentações diversas como digital, analógico e pinhole. Coloridos e em preto e branco, foram compartilhados os percursos que o artista topou na sua trajetória poética de experimentações.

Da série “Pretéritos Imperfeitos”, de Gordana Manic, selecionada em 2012.

PREMIADOS E SELECIONADOS

A comissão escolheu, entre os 304 inscritos, os trabalhos do Coletivo Garapa (SP), Ilana Lichtenstein (SP) e Lucas Gouvêa (PA) como premiados.

Paulo Fehlauer, Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes, integrantes do Garapa, levaram o Prêmio Memórias da Imagem com a obra “Morar”. O ensaio retratou a desaparição de edifícios emblemáticos demolidos em São Paulo e refletiu sobre memória, paisagem, progresso e a dinâmica ansiosa das grandes metrópoles.

Mas o relógio correu em outro ritmo nas imagens de “Uma e outra erupção”, da artista Ilana Lichtenstein, vencedora do Prêmio Diário Contemporâneo. Eram fotografias do imaginário, como que saídas de um sonho e que nos convidavam a observar as pessoas, paisagens e animais atravessados pelo tempo não de maneira cruel, mas silenciosa e simultaneamente.

Qual a duração da imagem? Talvez ela necessite do movimento e ficar fixa somente na fotografia não é mais o suficiente, assim “Spinario”, vídeo de Lucas Gouvêa, vencedor do Prêmio Diário do Pará, mostra é que é preciso abrir todas as possibilidades poéticas. Vídeo, fotografia e performance estão conectadas nas imagens do artista que retira os espinhos do pé e os usa para “furar os olhos” do espectador. A pinhole digital captou uma nova narrativa simultânea à medida que cada buraco foi aberto em uma reflexão sobre a imagem e a luz.

Foram selecionados também os trabalhos de Alberto Bitar (PA), Ana Emília Jung (PR), Coletivo Cêsbixo (PA), Érico Toscano Cavallete (SP), Fábio Messias Martins de Souza (SP), Fabio Okamoto (SP), Fernando Schmitt (SP), Gabriela Lissa Sakajiri (SP), Gordana Manic (SP), Isabel Santana Terron (SP), Lívia Aquino (SP), Marian Wolff Starosta (RJ), Patrícia Gouvêa e Isabel Löfgren (RJ), Pedro Augusto Machado Hurpia (SP), Renato Chalu Pacheco Huhn (PA), Roberta Dabdab (SP), Romy Pocztaruk (RS), Tuca Vieira (SP), Vanja von Sek (PA) e Wagner Okasaki (PA).

AÇÕES

Além das palestras e encontros com Heloisa Espada e Miguel Chikaoka, o projeto também realizou o bate-papo “Imagem, Realidade e Fabulação a reinvenção da memória na vila de lapinha da serra”, com Alexandre Sequeira. Esta foi a oportunidade na qual o artista, que integrou o júri da segunda edição, pôde conversar sobre a pesquisa realizada entre 2008 e 2010 e que foi o objeto da sua dissertação de mestrado, defendida na UFMG. Para Alexandre, a fotografia é o pretexto do encontro e do início das relações afetivas, seus trabalhos de caráter relacional são documentos e memórias construídas à muitas mãos.

As ações formativas também incluíram oficinas. “Retratos Híbridos”, com Valério Silveira, instigou os participantes a intervir sobre as imagens. Feitos com a dupla exposição direto na câmera ou com a aplicação de desenhos, texturas e padrões em softwares de edição, os resultados foram retratos compostos de uma combinação de significados.

O minicurso “Uma introdução à história do livro fotográfico”, foi realizado por Joaquim Marçal, pesquisador da Biblioteca Nacional e curador, pela BN, do portal Brasiliana Fotográfica, além de professor agregado da PUC-Rio. Nele, Joaquim abordou com os participantes as origens do livro fotográfico e temas como a utilização de originais fotográficos, “cópias fiéis” e reprodução fotomecânica.

Premiado na primeira edição do projeto, Octávio Cardoso realizou a oficina “Ensaio – Resumindo uma Ideia”, que abordou temas como a narrativa e a edição fotográfica. A partir de exemplos como a extinta revista Life Magazine, pioneira no uso de ensaios como forma de comunicação, o fotojornalista propôs aos participantes a realização de dois ensaios e o desenvolvimento da melhor escolha de como apresenta-los. Técnica, prática, teoria e poética puderam ser vistas juntas no resultado do curso.

O PROJETO

Há uma década o Diário Contemporâneo vem lançando proposições e chamando os artistas para o debate, consolidando o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

RETA FINAL DAS INSCRIÇÕES 

O prazo para a inscrição no 10ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia está acabando. Os interessados têm somente até o dia 13 de junho (quinta-feira) para submeter seus trabalhos ao edital da edição especial de aniversário. Serão oferecidos três prêmios no valor de R$10.000,00 cada e as inscrições são realizadas somente pelo site www.diariocontemporaneo.com.br

Nota de pesar – Marcelo Costa

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O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia lamenta o falecimento de Marcelo Costa, artista de São Paulo que participou de duas edições do projeto.

Janelas. Foto: Marcelo Costa

Em 2015, com a temática “Tempo Movimento”, Marcelo expos a série “Janelas”, com imagens dos mesmos lugares, fotografados em tempos distintos, e que quando reunidos e reconstruídos, tornam-se algo diferente do que já foram, e assim, transformam-se também seus significados. Na ocasião, o artista esteve na capital paraense para a abertura das mostras e pôde participar de momentos de trocas com fotógrafos, artistas, curadores e pesquisadores de Belém.

Lugar onde o tempo sofre. Foto: Marcelo Costa

Já em 2017, em “Poéticas e Lugares do Retrato”, ele exibiu “Lugar onde o tempo sofre”, série na qual ao se apropriar de imagens de ex-votos de mulheres que creem na cura de alguma enfermidade, procurou criar simbologias que deambulavam entre a fragilidade do ser e a força da natureza. Intercaladas às imagens das mulheres, que por meio da dor buscam o contato com o divino, a edição trouxe imagens de paisagens revolvidas pela ação do homem.

O projeto presta suas condolências e deseja conforto para o coração dos familiares e amigos neste momento de luto.

RETROSPECTIVA – 2011: A dinâmica do urbano

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A edição de número dois do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia ocorreu em 2011 com a temática de “Crônicas Urbanas” e, após refletir sobre as identidades brasileiras no ano anterior, o projeto trouxe o questionamento acerca da cidade como lugar de ação da cultura.

Da série “Ainda queria falar de flores”, de Anita Lima, selecionada em 2011.

Com o desenvolvimento da imagem fotográfica, o registro das cidades, pessoas e seus modos de vida foi crescendo junto. O cotidiano, seus desafios e representações foram, então, colocados como lugares de provocação para os artistas. Questões urbanas, ambientais, sociais e artísticas se sobrepõem nas cidades do século XXI e o contemporâneo é um tempo desafiador e crítico.

A cidade foi elemento fundamental para as narrativas fotográficas apresentadas. O tema de 2011 colocou o artista como parte importante do espaço urbano. Nele, o fotógrafo não é mero espectador atento para capturar o que salta ao seu olhar, mas sim um ator que vive suas próprias representações e expressões de identidade.

COMISSÃO DE SELEÇÃO

Os trabalhos foram julgados por uma comissão formada por Alexandre Sequeira, artista plástico e fotógrafo, mestre em Arte e Tecnologia pela UFMG, doutorando em Arte pela mesma instituição, professor do ICA/UFPA e que desenvolve trabalhos que estabelecem relações entre fotografia e alteridade social; Tadeu Chiarelli, curador e crítico de arte, professor titular no curso de Artes Visuais da USP, ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo e do Museu de Arte Contemporânea da USP e que já atuou como curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo; e Marisa Mokarzel, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e mestre em História da Arte pela UFRJ, professora e pesquisadora do Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e professora de História da Arte do curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem, ambos da UNAMA.

Os três membros do júri também tiveram a oportunidade de encontrar e conversar com o público de Belém. Tadeu Chiarelli realizou o bate-papo “A Fotografia e o Museu Contemporâneo: curadoria e pesquisa” no qual debateu assuntos como a inserção cada vez mais forte da fotografia na arte contemporânea e o papel cultural que exerce o museu de arte hoje. Na ocasião, o crítico apresentou obras que fazem parte do acervo do MAC-USP e analisou como este acervo estava sendo repensado.

Marisa Mokarzel ministrou a palestra “Imagens e Afetos” na qual refletiu sobre o acumulo de imagens e a falta de afeto tendo como apoio “A arte da desaparição”, de Jean Baudrillard. Ela discutiu a arte no mundo contemporâneo observando os trabalhos de Luiz Braga, artista convidado da edição.

Já Alexandre Sequeira realizou a oficina “Diálogos Fotográficos”, na qual proporcionou diálogos entre as duplas formadas por participantes. Autores como Nelson Brissac Peixoto, filósofo e professor da PUC/SP e Ítalo Calvino, escritor italiano foram debatidos. As duplas também puderam sair para fotografar e pensar juntas, construindo narrativas através do diálogo e da poética do encontro.

Sabonete de bolinha, 1998. Foto: Luiz Braga

ARTISTA CONVIDADO

Luiz Braga foi o artista convidado da segunda edição. A mostra “Solitude”, apresentava fotografias coloridas e em preto e branco que indicavam a memória daquele que não está. O artista, que registrou boa parte das recentes transformações da cidade de Belém, sempre teve como marca forte a figura humana, mas nessas imagens somente o seu rastro está presente. Por meio das lembranças que se misturam, o público pôde passear por diversas casas, desde uma residência sua antiga até a do escritor paraense Bruno de Menezes, na Cidade Velha.

O convite para adentrar no ambiente do lar também pôde ser visto no vídeo “Do outro lado da rua” formado por cerca de 70 fotografias de uma novena feita na casa de Dona Zuleide, vizinha que morava em uma casa em frente ao seu estúdio fotográfico. Entre os cantos e ladainhas, a fé e a acolhida estão evidentes em uma pequena memória de quem foi aquela mulher e de como foi esta cidade.

Luiz Braga também realizou um bate-papo com o público. A ideia era aproximá-lo de sua trajetória e das motivações criativas que levaram o artista a produzir trabalhos que vão desde a fotografia clássica até a narrativa fragmentada em vídeo, como os que foram apresentados na edição de 2011 do projeto.

PREMIADOS E SELECIONADOS

A comissão analisou 287 obras e premiou os trabalhos de Silas José de Paula (CE), Leonardo Sette (PE) e Roberta Carvalho (PA).

Silas foi o vencedor na categoria “Crônicas Urbanas” com a série “Gente no Centro” na qual suas imagens quadradas registram um pouco da agitação urbana e de suas pessoas. Onde muitos enxergam caos e desordem, Silas viu o multicolorido das barracas e daquelas figuras humanas sem rosto que se misturam apressadas à paisagem da cidade.

Já Leonardo Sette, vencedor na categoria “Diário Contemporâneo” com sua instalação “As Luzes Inimigas”, apresentou sua técnica impecável alinhada com uma narrativa multimídia. As fotografias em preto e branco registram de um jeito documental clássico protestos de cunho político ocorridos na França. Já o vídeo com imagens registradas em um trem mostra seus passageiros transportados com pressa até seu destino, ao mesmo tempo em que leem com tranquilidade o jornal. Agitação e naturalidade na Cidade-Luz sob o olhar crítico do artista.

Sarkozy-Le Pen, Paris, 2007. Foto: Leonardo Sette

No Diário Contemporâneo a fotografia é o ponto de partida para as reflexões e isso pôde ser confirmado com a premiação de Roberta Carvalho na categoria “Diário do Pará” com o trabalho “Symbiosis”. Nele as árvores interagem com a cidade, pulsam e olham aqueles que passam pela rua. Projetadas nas copas das arvores, as imagens de rostos humanos tornam mais efetiva a relação entre homem e natureza. Experimentação e expressividade que falam daquilo que é orgânico e que liga todos os seres vivos.

Além disso, foram selecionados os trabalhos de 18 artistas, são eles Anita Lima (SP), Carlos Dadoorian (RJ), Coletivo Cia De Foto (SP), Everaldo Nascimento (PA), Fabio Okamoto (SP), Felipe Baenninger (SP), Fernanda Antoun (RJ), Fernanda Grigolin (PR), Francilins (MG), Haroldo Saboia (CE), Ionaldo Rodrigues (PA), José Diniz (RJ), Keyla Sobral (PA), Marina Borck (BA), Pedro David (MG), Péricles Mendes (BA), Ricardo Macêdo (PA) e Viviane Gueller (RS).

FOTOJORNALISMO NO MUSEU

Dentre as novidades da segunda edição estava “Diários da Cidade”, uma mostra especial com trabalhos de 18 fotógrafos do Jornal Diário do Pará. Adauto Rodrigues, Alex Ribeiro, Amaury Silveira, Anderson Coelho, Antônio Melo, Celso Rodrigues, Cezar Magalhães, Everaldo Nascimento, Keylon Feio, Marcelo Lelis, Marcos Santos, Mário Quadros, Mauro Ângelo, Ney Marcondes, Rogério Uchôa, Tarso Sarraf, Thiago Araújo e Wagner Almeida integraram a coletiva. A curadoria desta mostra foi de Mariano Klautau Filho, Alberto Bitar e Octávio Cardoso.

Os fotojornalistas são profissionais que vivenciam diretamente a dinâmica das cidades. Os trabalhos dos fotógrafos do Jornal Diário do Pará saíram, então, do acervo do jornal para as paredes do museu. Além disso, um bate-papo foi realizado com os fotojornalistas e o público. O encontro também contou com a presença de Octávio Cardoso, editor de fotografia do Diário do Pará e a mediação da jornalista Dominik Giusti.

AÇÕES

Além da ação formativa com Alexandre Sequeira, foram oferecidas mais duas oficinas. “Processos da Cianotipia”, com Eduardo Kalif, deu a oportunidade dos participantes se debruçarem sobre um dos primeiros processos de impressão fotográfica em papel.

Já em “Fotografia Documental”, Guy Veloso usou a sua pesquisa para o projeto “Penitentes” como ponto de partida para compartilhar com os participantes como elaborar um projeto de pesquisa e realização de um ensaio documental. Planejamento, mapeamento, técnicas de abordagem, exibição, redes de contatos e informações foram alguns dos temas abordados.

Ernani Chaves realizou o bate-papo “Fotografia, cidade e o retorno do flâneur”, no qual, a partir de Walter Benjamin e Franz Hessel, mostrou a possibilidade do flâneur na fotografia, esta como uma leitura da cidade e o fotografo como um narrador. O encontro teve a mediação de Ionaldo Rodrigues.

E Mariano Klautau Filho, curador do projeto, na palestra “Mutações do Fotográfico” analisou ideias como deslocamento, poética, narrativa e ação nas temáticas e trabalhos das duas edições então realizadas do Diário Contemporâneo.

O PROJETO

O Diário Contemporâneo contribuiu para a descentralização das questões sobre arte no país, pois há uma década vem lançando proposições e chamando os artistas para o debate, consolidando o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

INSCRIÇÕES ABERTAS

Em 2019 o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia comemora 10 anos de atuação. As inscrições da edição especial de aniversário já estão abertas e seguem até dia 13 de junho sendo realizadas somente pelo site www.diariocontemporaneo.com.br

RETROSPECTIVA – 2010: O nascimento do Diário Contemporâneo

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No ano de 2010 Belém conheceu o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, projeto abrigado no Museu da UFPA e que nascia com o objetivo de trazer reflexões culturais, sociais, estéticas e politicas através da imagem fotográfica. A fotografia paraense já havia alcançado, décadas antes, um reconhecimento nacional, mas ainda não existia um projeto permanente para esta linguagem artística que continuamente estivesse formando, apresentando e analisando a arte contemporânea com um olhar mais descentralizado.

Seleção de trabalhos 2010. Foto: Irene Almeida

TEMÁTICA

O tema Brasil Brasis cabia muito bem à ideia de se pensar as múltiplas faces do país. Não há uma identidade e sim, várias. Uma cultura móvel que se monta, desmonta e se remonta de maneira dinâmica e imprevisível. O Diário Contemporâneo convidou os artistas a pensarem esses Brasis e compartilharem através das imagens suas ideias, questionamentos e ações sobre este país tão curioso. Ao mesmo tempo que já nasceu abrangente; pois mesmo sendo um prêmio de fotografia o projeto aceita propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes; o Prêmio, ao olhar o país em sua pluralidade de significados, apresentou a experiência intima do que é o Brasil.

COMISSÃO DE SELEÇÃO

O júri da edição de estreia foi formado por Cláudia Leão, fotógrafa, pesquisadora, professora em Artes e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP; Eder Chiodetto, mestre em Comunicação e Artes pela USP, jornalista, autor, fotógrafo e curador independente especializado em fotografia; além de Mariano Klautau Filho, curador geral do projeto, fotógrafo, pesquisador, professor da UNAMA e, recentemente, doutor em Artes Visuais pela ECA/USP.

O trio premiou entre 282 inscritos os trabalhos de Octávio Cardoso (PA), Paulo Wagner (PA) e Coletivo Parêntesis (SP), além de selecionarem 22 outros artistas. O número de trabalhos submetidos ao edital já mostrava que o projeto tinha sido acolhido pela comunidade artística e estava com sua história apenas começando.

Cada um ainda teve a oportunidade de conversar com o público durante a programação do projeto. A palestras “Fotojornalismo Contemporâneo – Crise e Reinvenção”, com Eder Chiodetto; “Das Imagens e dos Esquecimentos”, com Cláudia Leão e “Territórios da Fotografia Contemporânea”, com Mariano Klautau Filho foram algumas das ações realizadas na 1ª edição.

ARTISTAS CONVIDADOS

Além de integrante do júri, Cláudia Leão também apresentou suas obras como artista convidada ao lado de Dirceu Maués. O artista, que recentemente conquistou seu doutorando em Artes na UFMG, é mestre em Artes Visuais pela Universidade de Brasília e desenvolve trabalho autoral nas áreas da fotografia, cinema e vídeo, tendo como base de pesquisa a desconstrução do dispositivo fotográfico. Ele apresentou os vídeos “Um Lugar Qualquer – Praia do Outeiro” e “Somewhere Alexanderplatz – Berlim”. Dirceu também teve a oportunidade de falar sobre o seu processo e pesquisa durante a palestra “De Outeiro a Berlim”, além de realizar a oficina “Fotografia para brincar de fotografia”.

Já Cláudia é uma das fundadoras do Caixa de Pandora, grupo com trabalhos de registro do patrimônio histórico de Belém e investigações semióticas. A artista apresentou trabalhos que misturavam retratos e fotografias de família através imagens presas em janelas e vidros. São obras construídas por meio da manipulação em laboratório fotográfico de memórias revisitadas em suportes como espelhos oxidados e vidros pontilhados.

Sem título, da série Lugares Imaginários, de Octavio Cardoso

PREMIADOS E SELECIONADOS

Os premiados na edição de estreia foram o Coletivo Parênteses (SP) que levou o Prêmio Diário Contemporâneo; Paulo Wagner (PA), vencedor do Prêmio Diário do Pará; e Octávio Cardoso (PA) que venceu o Prêmio Brasil Brasis.

O Coletivo Parênteses foi constituído por Paloma Klein, Rodrigo Antonio e Vicente Martos com o objetivo de trabalhar questões da atualidade através de múltiplas plataformas. As imagens de “Confluências”, série vencedora, apresentavam o espaço intimo doméstico com um item sempre ao centro, a televisão. Emoldurada por objetos afetivos e pela vida cotidiana, a tela apresenta diariamente a todos nós os outros Brasis.

“Preto Olympia”, “Azul Praça”, “Verde Barraca”, “Azul Amazônia”, “Cinza Avenida”. Os títulos dos trabalhos premiados de Paulo Wagner já denotam a sua relação anterior com a pintura. Imagens de cenários urbanos desfocadas e intervistas com formas geométricas apresentaram a cidade como uma paleta de cores.

A cor também foi destaque em na premiada série “Lugares Imaginários”, de Octávio Cardoso. O azul das imagens é hipnotizante e trouxe a sensação de sonho atrelado à memória. O fotojornalista usou o azul quase infinito para dar um tom mais subjetivo e menos documental às imagens que trazem um pouco da relação com as águas da Amazônia.

Além dos premiados e artistas convidados foram exibidos trabalhos de mais outros 18 artistas selecionados: Grupo UMCERTOOLHAR (SP), Flávio Damm (RS), Kenji Arimura (SP), Eurico Alencar (MA), Yukie Hori (SP), Pedro Motta (MG), Flavya Mutran (PA), José Diniz (RJ), Rodrigo Torres (RJ), Celso Oliveira (RJ), João Menna Barreto (RS), Haroldo Sabóia (CE), Felipe Pereira Barros (AL), Eliezer Carvalho (PA), Alberto Bitar (PA), Mateus Sá (PE), Sofia Dellatorre Borges (SP), Carlos Dadoorian (RJ).

A edição de estreia também concedeu menções honrosas à Walda Marques (PA), Gina Dinucci (SP), Felipe Pamplona (PA) e Flávio Araújo (PA).

Reflexões II, de Mateus Sá, selecionado em 2010

 AÇÕES

A programação do projeto contou ainda com a palestra “O mundo como fisionomia. Retrato ou paisagem?”, de Patrick Pardini que apresentou as diversas fisionomias (urbanas, arquitetônicas, minerais, animais, vegetais) obtidas através do formato do retrato, indicando uma relação muito mais intima com o que foi fotografado, mesmo que não seja a figura humana.

Miguel Chikaoka ministrou a oficina “De olhos vendados” com uma reflexão sobre a materialidade e o simbolismo da luz no fazer fotográfico. Miguel voltou à luz, gênese da fotografia, e convidou os participantes a desviciarem um pouco o olhar para além do visível, imediato e superficial.

Outro destaque da programação foi a oficina “Margem da Cor”, ministrada por Luiz Braga, com atividades e debates centrados na fotografia em cor como forma de expressão artística. O trabalho de Luiz tem o uso da cor como parte essencial da sua mensagem e o artista apresentou diversos efeitos que se obtém através do conhecimento da luz, suas diferentes fontes e intensidades.

O PROJETO

O Diário Contemporâneo contribuiu para a descentralização das questões sobre arte no país, pois há uma década vem lançando proposições e chamando os artistas para o debate, consolidando o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

INSCRIÇÕES ABERTAS

Em 2019 o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia comemora 10 anos de atuação. As inscrições da edição especial de aniversário já estão abertas e seguem até dia 13 de junho sendo realizadas somente pelo site www.diariocontemporaneo.com.br

Uma década dedicada à fotografia

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Em 2019 o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia comemora uma década de atuação. O edital já foi lançado e as inscrições seguem abertas até 13 de junho sendo realizadas somente pelo site www.diariocontemporaneo.com.br.

Em 2010, na sua estreia, o projeto propôs o tema Brasil, Brasis a partir das diversas identidades contemporâneas que constituem o país. Já em 2014 a temática foi livre e agora, neste ano, o Diário Contemporâneo quer fazer um encontro renovado entre estas edições e propor a livre experimentação artística ao se pensar sobre as transformações que exprimem o país de hoje.

C Nova Feira, de Ionaldo Rodrigues, premiado com a residência artística em 2018.

Em 10 anos de atuação o Prêmio acompanhou diversas transformações na nossa sociedade. Segundo Mariano Klautau Filho, curador do projeto, os trabalhos exibidos “de um modo geral refletem o que ocorre no país, mas sempre a partir das questões propostas em cada edição no sentido de estimular o artista a pensar inicialmente em seus procedimentos e como eles irão traduzir as circunstâncias daquele momento. Esta décima edição toca especialmente em assuntos relacionados às identidades do país propondo um retorno à temática que inaugurou o projeto em 2010. Vamos ver como os artistas reagem a esse contexto”.

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FORMAÇÃO

O Projeto sempre quis ser mais que um edital, assim o Diário Contemporâneo se esforçou ao longo das edições em proporcionar ações como workshops e oficinas para o público, encontros com os artistas, formação de mediadores culturais e acolhida de turmas escolares nos espaços dos museus. Todo ano, milhares de alunos de nível fundamental e médio passam pelas mostras do Prêmio e são recepcionados por estudantes de Artes Visuais que passaram por um treinamento específico em cima da temática da edição, trabalhos selecionados e formação pedagógica de público crítico.

Um dos maiores exemplos do alcance do projeto é a Mostra Fotográfica “Retratos em Preto e Branco”, realizada há dois anos pelos alunos da Escola de Ensino Médio e Fundamental Cornélio de Barros, do bairro da Marambaia que, inspirados pelo que viram nas exposições, retornam à sala de aula e contam suas próprias histórias através da fotografia.

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ACERVO

Um dos legados do Diário Contemporâneo é também a sua Coleção de Fotografia Contemporânea que foi formalizada em 2016, após um intenso trabalho de organização sistemática dos trabalhos que o Projeto vinha reunindo desde a sua primeira edição. São fotografias, vídeos, instalações e outras linguagens produzidos por mais de 40 artistas de todas as regiões do país. Uma coleção de fotografia contemporânea que está sob a guarda das duas instituições públicas parceiras do projeto: o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e o Museu da UFPA.

“A coleção criada associa o Prêmio a um projeto mais duradouro e estabelece uma consciência museológica para a produção contemporânea na medida em que o Prêmio só existe na sua relação com os museus e a preservação do patrimônio público. E creio que deve ser uma poucas coleções de fotografia contemporânea brasileira com esse perfil, ainda que seja embrionária”, observou Mariano.

Além disso, no mesmo ano e incorporada à Coleção, através de uma parceria entre o projeto, o Museu da UFPA e a Tenda de Livros, da artista curitibana Fernanda Grigolin, o Diário Contemporâneo constituiu uma biblioteca que reflete um mapeamento da produção artística nacional. São fotolivros de artistas iniciantes e consagrados, muitos deles resultados de pesquisas acadêmicas. A equipe da biblioteca do Museu da UFPA realizou, inclusive, um estudo para aprender como catalogar esse formato novo.

Ionaldo Rodrigues e Ricardo Ribeiro, premiados com a residência, conversam sobre seus trabalhos e as experiências vividas. Foto: Irene Almeida

INTERCÂMBIO ARTÍSTICO

Ao longo dos anos o Diário Contemporâneo descentralizou os debates. “O Projeto vem contribuindo bastante com a circulação de uma produção nacional quando reúne artistas e pesquisadores em torno de atividades das mais diversas desde workshops até conferências e cursos”, disse Mariano.

O fotógrafo paraense Ionaldo Rodrigues acompanhou de perto a trajetória do Prêmio e analisou que “sendo também um projeto de debate e estímulo à produção artística desenvolvido a partir da estrutura de um jornal, eu percebo um diálogo entre o Diário Contemporâneo e o Suplemento Literário publicado na Folha do Norte entre 1946 e 1951. A partir de um outro contexto, acho que o Diário Contemporâneo segue uma linha  de valorização da formação, do debate crítico e da produção estética que coloca Belém numa interação muito produtiva com a cena nacional e internacional. A atenção que o projeto dedica à documentação e à memória do que é produzido durante as edições e a formação de uma Coleção vai oferecer uma base pra no futuro a gente entender a contribuição do Diário na pesquisa e produção fotográfica do nosso tempo, sem localismos ou regionalismos”.

Ionaldo participou da história do Prêmio de diferentes formas, desde como público na primeira edição, até ano passado, quando foi premiado com a residência artística em São Paulo. “Eu estudei sociologia na UFPA e tive o meu primeiro contato com fotografia como forma de expressão na Fotoativa durante a graduação, desde esse momento o que mais me atraiu foi perceber que fotografia podia ser um dispositivo de pensamento e expressão, um laboratório de experimentos em trabalho manual e intelectual. Ter participado do Diário Contemporâneo como público nas oficinas, exposições e atividades formativas, ministrando oficina e como fotógrafo nas mostras foi, pra mim, uma chance de experimentar várias possibilidades do fotográfico e construir um percurso. A publicação de dois trabalhos nos catálogos do projeto com uma mediação crítica foram, também, muito importantes pra mim”, finalizou.

SERVIÇO

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

Diário Contemporâneo abre inscrições para edição de aniversário

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Estão abertas as inscrições para a 10ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Serão oferecidos três prêmios no valor de R$ 10.000,00 cada e as inscrições seguem até 13 de junho sendo realizadas somente pelo site www.diariocontemporaneo.com.br.

A décima edição é um encontro renovado das experiências curatoriais dos anos de 2010 e 2014. Segundo Mariano Klautau Filho, curador do projeto, “em 2010, propusemos pensar o Brasil como uma trama intricada de modos, atitudes, paisagens e falas que se opõem e se complementam.  E em 2019, como andam esses Brasis? Como andam as poéticas visuais atravessadas pela fotografia e as imagens técnicas?”.

Série Palacete Pinho. Foto: Luiz Braga.

>>> Baixe aqui o Edital 2019

Em 2010 o mote foi Brasil, Brasis e o projeto fez o convite para pensar o país e as identidades contemporâneas que o constituem. Já em 2014 a temática livre trouxe a maior diversidade de trabalhos e propostas artísticas em um recorde de inscrições.

“Se por um lado, voltamos, dez anos depois, à temática das identidades do Brasil, tema que marcou a inauguração do projeto, por outro, propomos um campo livre para experiências poéticas que reflitam o país de hoje com suas pautas e urgências a desafiar mais uma vez o artista e as questões identitárias, sejam elas de natureza cultural, social ou estética”, acrescenta.

O JÚRI

A comissão de seleção e premiação será formada por Isabel Gouvêa, mestre em Artes Visuais pela UFBA e fotógrafa formada pela ECA/USP, integrante do Fórum dos Produtores Culturais da Fotografia Baiana e da diretoria nacional da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil; Dirceu Maués, doutorando em Artes na Universidade Federal de Minas Gerais e que desenvolve um trabalho autoral nas áreas da fotografia, cinema e vídeo que tem como base de pesquisa a desconstrução do dispositivo fotográfico; e Heldilene Reale, doutoranda do programa de pós-graduação em Artes da UFMG, mestre em Comunicação, Linguagem e Cultura  pela UNAMA, artista, pesquisadora e professora do Curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem da UNAMA.

INSCRIÇÕES ONLINE

Outra grande novidade desta edição é a inscrição exclusivamente online. Não será mais necessário o envio de dossiês pelo serviço de correios. O candidato interessado deve preencher a ficha de inscrição disponível no link http://www.diariocontemporaneo.com.br/sobre/ e em seguida anexar o dossiê em PDF contendo os seguintes itens: portfólio com as imagens da série proposta, breve apresentação sobre o trabalho, currículo resumido, minibio e dados técnicos de montagem, formato e dimensões para a apresentação da obra. Todos os detalhes sobre a inscrição estão descritos no item 2 do edital.

O PRÊMIO

2019 marca os 10 anos de atuação do Diário Contemporâneo. Ao longo da sua trajetória, o projeto premiou dezenas de artistas, selecionou centenas deles e recebeu milhares de visitantes em suas exposições. O Prêmio também contribuiu para a descentralização das questões sobre arte no país. Há uma década vem lançando proposições e chamando os artistas para o debate, consolidando o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Diário Contemporâneo abre espaço também para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes. O artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho. Serão selecionados no máximo 18 artistas, incluindo os três premiados. Esta edição comemorativa contará com um número maior de artistas convidados pela curadoria dentre aqueles que participaram ao longo dos nove primeiros anos. Assim, será exibida uma mostra com aproximadamente 30 participantes entre selecionados, convidados e premiados.

SERVIÇO:  X Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia já está com inscrições abertas. Informações: Rua Gaspar Viana, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Edital e ficha de inscrição no link http://www.diariocontemporaneo.com.br/sobre/. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

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Por: Debb Cabral

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia tem em seu site toda a memória do Projeto, além de estar presente nas redes sociais, como Facebook, Instagram e o Twitter.

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