RETROSPECTIVA – 2017: O olhar para o retrato

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O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia realizou em 2017 a sua 8ª edição. Depois de voltar-se para a Coleção de Fotografias no ano anterior, o projeto retornou ao formato de edital. “Poéticas e lugares do retrato”, temática escolhida, teve como objetivo destacar obras que propusessem um diálogo com as práticas e poéticas do retrato, desde a sua configuração tradicional até as experiências e representações que pudessem expandir os seus lugares e significados enquanto ação artística.

A grande novidade da edição foram os dois prêmios no formato de intercâmbio. Um artista de Belém fez residência artística em São Paulo e um artista de fora da capital paraense fez em Belém.

“Doce Obsessão Vol. 2”, de Hirosuke Kitamura

O JURÍ

A comissão foi formada por Alexandre Sequeira, mestre em Arte e Tecnologia pela UFMG, doutorando em Arte pela mesma instituição e professor na Faculdade de Artes Visuais da UFPA.

Camila Fialho, pesquisadora independente em Artes, também integrou o júri. Ela, que é a presidente da gestão atual da Associação Fotoativa, é formada em Letras e mestre em Literatura Francesa, além de ter especialização em Práticas Curatoriais e Gestão Cultural.

Isabel Amado, curadora e especialista em conservação, foi o terceiro nome escolhido. Desde 2000 ela dirige a empresa Anima Montagens, especializada na organização e na manutenção de arquivos e acervos de fotografia. É sócia da Galeria da Gávea, especializada em fotografia brasileira contemporânea, e mantêm um escritório em São Paulo especializado em fotografias vintage. Isabel abriu a programação formativa do projeto com a fala “Fotografia e o Circuito da Arte: entre o museu e a galeria”.

ARTISTA CONVIDADO

Geraldo Ramos exibiu no Museu da UFPA um novo olhar sobre a sua produção que documenta a região amazônica. O recorte inédito apresentou fotografias produzidas em película, preto e branco, cromo e digital. “Interiores” foi o nome da mostra que se destacou como uma incursão por décadas de paisagens, pessoas, ritos, florestas e cultura popular.

O título partiu de uma característica muito forte no trabalho de Geraldo que é o mergulho, muitas vezes intimista, na visualidade do interior do estado. O jornalista com formação em artes visuais, ainda realizou um bate-papo sobre sua trajetória, processos e apresentou ao público alguns dos trabalhos quem vem desenvolvendo.

 

Painéis em Cametá. Foto: Geraldo Ramos

PREMIADOS E SELECIONADOS

João Urban ganhou na categoria “Prêmio Diário Contemporâneo” com o ensaio “Tu i Tam, poloneses aqui e lá”, sobre imigrantes poloneses no Paraná e que busca semelhanças na Polônia. As imagens exibidas tiveram a característica de apresentar os mesmos personagens fotografados com até 24 anos de diferença, entre 1980 e 2004. João realizou ainda a conversa “A presença do retrato na fotografia documentária”, em que apresentou mais detalhes do trabalho premiado.

Hirosuke Kitamura, que levou o “Prêmio Residência Artística em Belém”, apresentou dois vídeos. “Doce Obsessão Vol.1” veio de uma vivência em Guaicurus, bairro de grande prostituição em Belo Horizonte e “Doce Obsessão Vol.2”, que mostrou um pedaço da vida de uma personagem transexual da mesma região.

Guido Couceiro Elias era calouro do curso de Artes Visuais da UFPA quando ganhou o “Prêmio Residência Artística em São Paulo”, mostrando que a sensibilidade artística é algo que está presente desde jovem. Sua série fotográfica, “Vivaz”, veio de um desejo particular de registrar a própria família, focando em seus integrantes mais idosos e nas relações destes que convivem juntos há mais de um século.

A “Conversa com os Residentes”, da qual participaram Hirosuke e Guido, além de seus respectivos tutores, Alexandre Sequeira e Lívia Aquino, foi o momento em que eles puderam dialogar com o público sobre as experiências, deslocamentos e percepções.

Os artista selecionados na edição foram Alex Oliveira (MG), André Penteado (SP), A C Junior (RJ), Emanoela Neves (PA), Filipe Barrocas (SP), Francisco Pereira (MG), Gui Mohallem (MG), Gringo ColetivoGui Christ e Gabi Di Bella (SP), Hans Georg (RJ), Isabel Santana Terron (SP), Janaina Wagner (SP), Juliana Jacyntho (SP), Keyla Sobral (PA), Leticia Ranzani (SP), Marcelo Costa (SP), Mirian Guimarães (SP), Pedro Silveira (MG), Renata Laguardia (MG), Rodrigo Linhares (SP), Sara Alves Braga (MG), Silas de Paula (CE), Victor Galvão (MG) e Viviane Gueller (RS).

Outra novidade foi a participação de Lucas Negrão, Suely Nascimento, Pedro Sampaio, Miguel Moura e Tarcisio Gabriel na mostra final do projeto na condição de participações especiais, como estímulo à produção de jovens artistas no estado do Pará.

Foto: Alex Oliveira

AÇÕES

Cinthya Marques e Rodrigo Correia coordenaram a ação educativa daquele ano, intitulada “Olhar e ser visto: práticas educativas na poética do retrato”. Este também foi o nome do minicurso que eles fizeram para a formação de mediadores.

A oficina “Fotografar a Fotografia” foi ministrada por Lívia Aquino. Voltada para a pesquisa e reflexões teóricas sobre a imagem fotográfica, a ação formativa usou como pontos de partida para os debates dois textos, um do artista Robert Smithson e outro do escritor Italo Calvino.

Filipe Barrocas lançou seu livro “O corpo neutro” acompanhado de uma leitura feita por Ruma de Albuquerque e Oneno Moraes.

 “Fora do Lugar – Oficina de Fotografia Contemporânea” foi ministrada pelo fotógrafo e artista visual, Alex Oliveira. Ela contou com aulas técnicas e práticas de fotografia, produção fotográfica e artística processual, exercício de curadoria e uma exposição fotográfica coletiva através da técnica lambe-lambe, como forma de intervenção urbana.

“O Retrato e o Tempo” foi a oficina ministrada pelo professor de artes visuais, desenhista e fotógrafo, Valério Silveira. A partir da temática da edição, a ação formativa proporcionou um diálogo sobre o retrato e suas práticas, usando a interpretação do tempo como elemento prioritário para a discussão e produção da imagem.

O projeto também realizou uma programação especial para as crianças integrando o Projeto Circular Campina-Cidade Velha, com atividades de desenho e pincel de luz.

O curso “O corpo ao limite. Fotografia, cinema e práticas extremas contemporâneas” foi ministrado pelo professor e pesquisador franco-português, Samuel de Jesus. Ele abordou a questão da fisiognomonia e o pensamento de que é possível ‘medir’, em sua época, o indivíduo em função das suas supostas características físicas.  Samuel também realizou leituras de portfólio.

A palestra “Diálogos sobre Artes Visuais e Amazônia(s)”, do professor e pesquisador John Fletcher, encerrou a programação. Ele elencou eventos, artistas e obras para propor uma compreensão sobre modos de vida e estéticas articuladas na e para as Amazônias, fazendo também um panorama da história artística de Belém.

MOSTRA ESCOLAR

O grande destaque de todos os anos é sempre o trabalho realizado junto às escolas. Quase seis mil alunos tiveram a experiência de poder se envolver com as obras da edição. Os estudantes do 1º ano da E.F.M. Profº Cornélio de Barros, do bairro da Marambaia que, na ocasião, visitavam as mostras do projeto pelo quarto ano consecutivo, ficaram inspirados no que viram. Eles realizaram suas próprias imagens com fotos de familiares e amigos, o que resultou na “I Mostra Fotográfica Retratos em Preto e Branco”, realizada na escola.

O PROJETO

Em 2019, o Diário Contemporâneo comemora uma década de atuação. Ele se tornou um dos grandes editais de competição do país, além de consolidar o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

RETROSPECTIVA – 2016: A Coleção de Fotografias

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A edição de 2016 do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia teve como destaque a constituição oficial da Coleção de Fotografias do projeto. Não houve edital de seleção e toda a atenção foi especialmente dedicada à Coleção que veio sendo formada desde 2010.

Desde o início da sua atuação, o Diário Contemporâneo sempre buscou ser mais que um prêmio. Assim, Belém recebeu por meio da ação do projeto, uma coleção de fotografia contemporânea que está sob a guarda das duas instituições públicas parceiras: o Espaço Cultural Casa das 11 Janelas e o Museu da UFPA.

Arquitetura do Esquecimento, de Daniela de Moraes

Integram o acervo trabalhos em fotografia, vídeo, instalação e outras linguagens produzidos por 44 artistas de todas as regiões do país. São eles: Carlos Dadoorian (SP), Luiz Braga (PA), Coletivo Garapa (SP), Ilana Lichtenstein (SP), Lívia Aquino (SP), Lucas Gouvêa (PA), Daniela Alves e Rafael Adorjan (DF e RJ), Emídio Contente (PA), Wagner Almeida (PA), Marcio Marques (SP), Renan Teles (SP), Ricardo Hantzschel (SP), Alex Oliveira (BA), Diego Bresani (DF), Yukie Hori (SP), Francilins Castilho Leal (MG), Ivan Padovani (SP), Ionaldo Rodrigues (PA), Rafael D’Alò (RJ), Randolpho Lamonier (MG), Pedro Clash (SP), Daniela de Moraes (SP), Dirceu Maués (PA), Felipe Ferreira (RJ), Guy Veloso (PA), Júlia Milward (RJ), Marco A. F. (RS), Marise Maués (PA), Marcílio Costa (PA), Pedro Cunha (CE), Tom Lisboa (PR), Tuca Vieira (SP), Véronique Isabelle (Canadá), Alberto Bitar (PA), Ana Mokarzel (PA), Janduari Simões (BA), Jorane Castro (PA), Miguel Chikaoka (SP), Octavio Cardoso (PA), Roberta Carvalho (PA), Walda Marques (PA), José Diniz (RJ), Mateus Sá (PE) e Péricles Mendes (BA).

MOSTRA ESPECIAL

A mostra especial “Belém: Ressaca, Heranças” teve a cidade e seu espaço urbano como objeto de reflexão em um momento histórico, pois 2016 foi o ano em que Belém completou seus 400 anos. A proposta da curadoria aos artistas participantes foi pensar a cidade criticamente tendo como referência a estrutura física e simbólica de alguns de seus patrimônios arquitetônicos em processo de transformação. Trabalhos de Alexandre Sequeira, Ana Mokarzel, Coletivo CêsBixo, Luiz Braga, Martin Perez, Paula Sampaio, Walda Marques e Wagner Almeida integraram a exposição.

Belém, Pará, Brasil. Cidade. Palacete Faciola, Martín Pérez, UY e Cecilia Moreno, RN. Artista convidado da 7ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. 10/03/2016. Foto: Martín Pérez.
Palacete Faciola. Foto: Martín Pérez.

BIBLIOTECA

A parceria entre o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, o Museu da UFPA e Tenda de Livros, projeto da artista Fernanda Grigolin resultou no lançamento da biblioteca da Coleção Diário Contemporâneo de Fotografia.

Constituída por 50 livros de quase 40 autores, ela tem como algumas das características a diversidade de produções e origens, equidade entre os gêneros, publicações independentes, livros de fotógrafos iniciantes e consagrados, além de resultados de pesquisas dentro das universidades.

Fernanda teve a oportunidade de realizar um bate-papo com o público de Belém sobre isso, na ocasião também houve o lançamento do livro Recôncavo e a distribuição do Jornal de Borda.

A artista curitibana que vive entre Campinas e São Paulo também realizou a oficina “A fotografia no livro em três ações: produzir, editar e circular”, de acompanhamento de projetos de livros com ênfase em fotografia.

DIÁRIO CONTEMPORÂNEO NAS ESCOLAS

A oficina “Experiência do Olhar”, realizada por Irene Almeida com assistência de Rodrigo José, foi realizada nas escolas da rede pública. Os alunos conheceram a Coleção Diário Contemporâneo de Fotografia e a proposta da edição, compartilharam suas ideias a partir do que viram e construíram câmera obscuras em ações que trabalharam a fotografia como fator de descoberta. As ações formativas foram realizadas na Escola Municipal Rotary, Escola E. de E. Fundamental e Médio Professor José Alves Maia e na Unidade Pedagógica São José, localizada na Ilha Grande, na parte insular do Município de Belém.

Belem, Pará, Brasil. Belém. Pincel de Luz, oficina sobre fundamentos da fotografia para crianças do ensino fundamental na Escola Rotary Foto: Janduari Simões/Diario do Pará. 14.03.2016
Foto: Janduari Simões

AÇÕES

Cinthya Marques, coordenou a ação educativa da 7ª edição. Ela realizou o minicurso “Trajetórias educativas: por um olhar em expansão” no qual norteou questões essenciais para a formação do debate sobre o tema, além da proposição de percursos educativos para as visitas em prol da sensibilização do olhar a partir das obras do acervo.

“Horizonte Reverso” foi a oficina realizada por Dirceu Maués. Nela, os integrantes tiveram acesso ao processo de criação do fotógrafo, discutindo a relação com os dispositivos tecnológicos e participando da construção das câmaras obscuras.

Um convite para investigar a si mesmo. Assim foi o workshop “Na direção do Medo”, com o artista mineiro Gui Mohallem que instigou os participantes a darem um mergulho interior em busca de suas dificuldades e medos e, por meio de uma produção imagética, se aprofundarem em direção às suas questões mais internas. Os trabalhos mais recentes de Gui também foram tema de uma conversa informal do artista com o público.

Shenyang, China. Foto: Eugênio Sávio

Na era da imagem digital, a oficina “Fotojornalismo em tempos de transformação”, com o fotógrafo mineiro Eugênio Sávio, veio debater os novos dilemas da profissão. Além disso, Eugênio realizou um bate-papo no qual falou sobre seu trabalho como fotojornalista, produtor cultural do projeto Foto em Pauta e curador do Festival de Fotografia de Tiradentes.

A última oficina ficou a cargo da fotógrafa paraense Walda Marques. “Self-me” trabalhou o autorretrato como forma de autoconhecimento e construção de narrativas sobre si.

Palestras sobre os museus e rodas de conversas com Guy Veloso, Janduari Simões, Jorane Castro, Miguel Chikaoka, Alexandre Sequeira, Veronique Isabelle, Ana Mokarzel, Walda Marques, Octavio Cardoso, Pedro Cunha, Rosangela Britto, Marisa Mokarzel, Mariano Klautau Filho, Ionaldo Rodrigues, Wagner Almeida, Jorge Eiró e Geraldo Teixeira encerraram a edição. O lançamento da publicação “Fotografia Contemporânea Amazônica – Seminário 3×3”, de Sávio Stoco, artista e pesquisador de Manaus e a palestra “Velho ou antigo?”, de Jussara Derenji, diretora do Museu da UFPA, foram destaques da programação.

O PROJETO

Em 2019, o Diário Contemporâneo comemora uma década de atuação. Ele se tornou um dos grandes editais de competição do país, além de consolidar o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

RETROSPECTIVA – 2012: A fotografia da memória

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Em 2012, o Prêmio Contemporâneo de Fotografia realizava sua terceira edição e se mostrava cada vez mais consolidado como um edital de grande competição do país, além de produzir impacto na formação e produção de conhecimento em Artes Visuais e no intercâmbio artístico. “Memórias da Imagem” foi o tema escolhido para propor uma reflexão sobre o caráter atemporal da imagem fotográfica.

A memória acontece a todo momento e na fotografia ela é constantemente reinventada a cada leitura que a imagem recebe, a cada olhar e interpretação crítica. Ela não é só o registro de algo que ocorreu diante da câmera mas sim, um diálogo com aquele que vê a imagem no tempo presente e futuro.

Da série “Uma e outra erupção”, de Ilana Lichtenstein, premiada em 2012.

O JURI

Buscando ter um olhar cada vez mais plural, a comissão de seleção do terceiro Prêmio Contemporâneo de Fotografia foi composta por um fotógrafo, uma pesquisadora e um professor.

Nascido em Registro, São Paulo, Miguel Chikaoka é formado em engenharia pela Universidade de Campinas e é idealizador da Associação Fotoativa, onde atua como arte-educador com metodologia própria em ações que estimulam o pensamento crítico e criativo sobre o fazer fotográfico. Miguel foi o artista convidado de 2012 e também realizou o bate-papo “Trajetórias do Fotográfico”, tendo a mediação de Mariano Klautau Filho, curador do projeto.

Pós-doutora junto ao Programa de Pós-graduação em Estética e História da Arte do MAC-USP, Heloisa Espada atua nas áreas de curadoria, pesquisa e crítica de arte e é curadora de Artes Visuais do Instituto Moreira Salles desde 2008. Além de integrar a comissão de seleção, ela abriu a programação de palestras do projeto com a apresentação “Sombras e arte: Brasília ‘onírica’ e ‘barroca’ – A fotografia de Marcel Gautherot”. A palestra trouxe o tema de um dos seus livros e de sua tese de doutorado, explorando a fotografia na arte moderna.

Jorge Eiró foi o terceiro integrante do júri da terceira edição. É arquiteto, escritor e artista plástico. Além de ser doutor e mestre em Educação pela UFPA, é professor nesta universidade e na UNAMA. Também é membro do conselho curador do CCBEU, tendo executado diversos trabalhos de curadoria em exposições de Artes Visuais em Belém.

ARTISTA CONVIDADO

No Museu da UFPA, Miguel Chikaoka exibiu “Para ter de onde se ir”. O título da mostra foi uma referência ao poema “A Cabana”, do paraense Max Martins. Chikaoka escolheu Belém como sua casa e ajudou a consolidar o cenário da fotografia do Pará que conhecemos hoje com ações em arte e educação que estimulam o olhar e o pensamento crítico.

Na exposição, foi priorizada a exibição de trabalhos ainda inéditos mas sem a obrigação de realizar uma retrospectiva da carreira do fotógrafo. Foram para a parede as errâncias e os caminhos tomados pelo artista, refletindo seus movimentos de vida a partir das imagens em técnicas e apresentações diversas como digital, analógico e pinhole. Coloridos e em preto e branco, foram compartilhados os percursos que o artista topou na sua trajetória poética de experimentações.

Da série “Pretéritos Imperfeitos”, de Gordana Manic, selecionada em 2012.

PREMIADOS E SELECIONADOS

A comissão escolheu, entre os 304 inscritos, os trabalhos do Coletivo Garapa (SP), Ilana Lichtenstein (SP) e Lucas Gouvêa (PA) como premiados.

Paulo Fehlauer, Leo Caobelli e Rodrigo Marcondes, integrantes do Garapa, levaram o Prêmio Memórias da Imagem com a obra “Morar”. O ensaio retratou a desaparição de edifícios emblemáticos demolidos em São Paulo e refletiu sobre memória, paisagem, progresso e a dinâmica ansiosa das grandes metrópoles.

Mas o relógio correu em outro ritmo nas imagens de “Uma e outra erupção”, da artista Ilana Lichtenstein, vencedora do Prêmio Diário Contemporâneo. Eram fotografias do imaginário, como que saídas de um sonho e que nos convidavam a observar as pessoas, paisagens e animais atravessados pelo tempo não de maneira cruel, mas silenciosa e simultaneamente.

Qual a duração da imagem? Talvez ela necessite do movimento e ficar fixa somente na fotografia não é mais o suficiente, assim “Spinario”, vídeo de Lucas Gouvêa, vencedor do Prêmio Diário do Pará, mostra é que é preciso abrir todas as possibilidades poéticas. Vídeo, fotografia e performance estão conectadas nas imagens do artista que retira os espinhos do pé e os usa para “furar os olhos” do espectador. A pinhole digital captou uma nova narrativa simultânea à medida que cada buraco foi aberto em uma reflexão sobre a imagem e a luz.

Foram selecionados também os trabalhos de Alberto Bitar (PA), Ana Emília Jung (PR), Coletivo Cêsbixo (PA), Érico Toscano Cavallete (SP), Fábio Messias Martins de Souza (SP), Fabio Okamoto (SP), Fernando Schmitt (SP), Gabriela Lissa Sakajiri (SP), Gordana Manic (SP), Isabel Santana Terron (SP), Lívia Aquino (SP), Marian Wolff Starosta (RJ), Patrícia Gouvêa e Isabel Löfgren (RJ), Pedro Augusto Machado Hurpia (SP), Renato Chalu Pacheco Huhn (PA), Roberta Dabdab (SP), Romy Pocztaruk (RS), Tuca Vieira (SP), Vanja von Sek (PA) e Wagner Okasaki (PA).

AÇÕES

Além das palestras e encontros com Heloisa Espada e Miguel Chikaoka, o projeto também realizou o bate-papo “Imagem, Realidade e Fabulação a reinvenção da memória na vila de lapinha da serra”, com Alexandre Sequeira. Esta foi a oportunidade na qual o artista, que integrou o júri da segunda edição, pôde conversar sobre a pesquisa realizada entre 2008 e 2010 e que foi o objeto da sua dissertação de mestrado, defendida na UFMG. Para Alexandre, a fotografia é o pretexto do encontro e do início das relações afetivas, seus trabalhos de caráter relacional são documentos e memórias construídas à muitas mãos.

As ações formativas também incluíram oficinas. “Retratos Híbridos”, com Valério Silveira, instigou os participantes a intervir sobre as imagens. Feitos com a dupla exposição direto na câmera ou com a aplicação de desenhos, texturas e padrões em softwares de edição, os resultados foram retratos compostos de uma combinação de significados.

O minicurso “Uma introdução à história do livro fotográfico”, foi realizado por Joaquim Marçal, pesquisador da Biblioteca Nacional e curador, pela BN, do portal Brasiliana Fotográfica, além de professor agregado da PUC-Rio. Nele, Joaquim abordou com os participantes as origens do livro fotográfico e temas como a utilização de originais fotográficos, “cópias fiéis” e reprodução fotomecânica.

Premiado na primeira edição do projeto, Octávio Cardoso realizou a oficina “Ensaio – Resumindo uma Ideia”, que abordou temas como a narrativa e a edição fotográfica. A partir de exemplos como a extinta revista Life Magazine, pioneira no uso de ensaios como forma de comunicação, o fotojornalista propôs aos participantes a realização de dois ensaios e o desenvolvimento da melhor escolha de como apresenta-los. Técnica, prática, teoria e poética puderam ser vistas juntas no resultado do curso.

O PROJETO

Há uma década o Diário Contemporâneo vem lançando proposições e chamando os artistas para o debate, consolidando o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

RETA FINAL DAS INSCRIÇÕES 

O prazo para a inscrição no 10ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia está acabando. Os interessados têm somente até o dia 13 de junho (quinta-feira) para submeter seus trabalhos ao edital da edição especial de aniversário. Serão oferecidos três prêmios no valor de R$10.000,00 cada e as inscrições são realizadas somente pelo site www.diariocontemporaneo.com.br

RETROSPECTIVA – 2011: A dinâmica do urbano

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A edição de número dois do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia ocorreu em 2011 com a temática de “Crônicas Urbanas” e, após refletir sobre as identidades brasileiras no ano anterior, o projeto trouxe o questionamento acerca da cidade como lugar de ação da cultura.

Da série “Ainda queria falar de flores”, de Anita Lima, selecionada em 2011.

Com o desenvolvimento da imagem fotográfica, o registro das cidades, pessoas e seus modos de vida foi crescendo junto. O cotidiano, seus desafios e representações foram, então, colocados como lugares de provocação para os artistas. Questões urbanas, ambientais, sociais e artísticas se sobrepõem nas cidades do século XXI e o contemporâneo é um tempo desafiador e crítico.

A cidade foi elemento fundamental para as narrativas fotográficas apresentadas. O tema de 2011 colocou o artista como parte importante do espaço urbano. Nele, o fotógrafo não é mero espectador atento para capturar o que salta ao seu olhar, mas sim um ator que vive suas próprias representações e expressões de identidade.

COMISSÃO DE SELEÇÃO

Os trabalhos foram julgados por uma comissão formada por Alexandre Sequeira, artista plástico e fotógrafo, mestre em Arte e Tecnologia pela UFMG, doutorando em Arte pela mesma instituição, professor do ICA/UFPA e que desenvolve trabalhos que estabelecem relações entre fotografia e alteridade social; Tadeu Chiarelli, curador e crítico de arte, professor titular no curso de Artes Visuais da USP, ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo e do Museu de Arte Contemporânea da USP e que já atuou como curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo; e Marisa Mokarzel, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e mestre em História da Arte pela UFRJ, professora e pesquisadora do Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e professora de História da Arte do curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem, ambos da UNAMA.

Os três membros do júri também tiveram a oportunidade de encontrar e conversar com o público de Belém. Tadeu Chiarelli realizou o bate-papo “A Fotografia e o Museu Contemporâneo: curadoria e pesquisa” no qual debateu assuntos como a inserção cada vez mais forte da fotografia na arte contemporânea e o papel cultural que exerce o museu de arte hoje. Na ocasião, o crítico apresentou obras que fazem parte do acervo do MAC-USP e analisou como este acervo estava sendo repensado.

Marisa Mokarzel ministrou a palestra “Imagens e Afetos” na qual refletiu sobre o acumulo de imagens e a falta de afeto tendo como apoio “A arte da desaparição”, de Jean Baudrillard. Ela discutiu a arte no mundo contemporâneo observando os trabalhos de Luiz Braga, artista convidado da edição.

Já Alexandre Sequeira realizou a oficina “Diálogos Fotográficos”, na qual proporcionou diálogos entre as duplas formadas por participantes. Autores como Nelson Brissac Peixoto, filósofo e professor da PUC/SP e Ítalo Calvino, escritor italiano foram debatidos. As duplas também puderam sair para fotografar e pensar juntas, construindo narrativas através do diálogo e da poética do encontro.

Sabonete de bolinha, 1998. Foto: Luiz Braga

ARTISTA CONVIDADO

Luiz Braga foi o artista convidado da segunda edição. A mostra “Solitude”, apresentava fotografias coloridas e em preto e branco que indicavam a memória daquele que não está. O artista, que registrou boa parte das recentes transformações da cidade de Belém, sempre teve como marca forte a figura humana, mas nessas imagens somente o seu rastro está presente. Por meio das lembranças que se misturam, o público pôde passear por diversas casas, desde uma residência sua antiga até a do escritor paraense Bruno de Menezes, na Cidade Velha.

O convite para adentrar no ambiente do lar também pôde ser visto no vídeo “Do outro lado da rua” formado por cerca de 70 fotografias de uma novena feita na casa de Dona Zuleide, vizinha que morava em uma casa em frente ao seu estúdio fotográfico. Entre os cantos e ladainhas, a fé e a acolhida estão evidentes em uma pequena memória de quem foi aquela mulher e de como foi esta cidade.

Luiz Braga também realizou um bate-papo com o público. A ideia era aproximá-lo de sua trajetória e das motivações criativas que levaram o artista a produzir trabalhos que vão desde a fotografia clássica até a narrativa fragmentada em vídeo, como os que foram apresentados na edição de 2011 do projeto.

PREMIADOS E SELECIONADOS

A comissão analisou 287 obras e premiou os trabalhos de Silas José de Paula (CE), Leonardo Sette (PE) e Roberta Carvalho (PA).

Silas foi o vencedor na categoria “Crônicas Urbanas” com a série “Gente no Centro” na qual suas imagens quadradas registram um pouco da agitação urbana e de suas pessoas. Onde muitos enxergam caos e desordem, Silas viu o multicolorido das barracas e daquelas figuras humanas sem rosto que se misturam apressadas à paisagem da cidade.

Já Leonardo Sette, vencedor na categoria “Diário Contemporâneo” com sua instalação “As Luzes Inimigas”, apresentou sua técnica impecável alinhada com uma narrativa multimídia. As fotografias em preto e branco registram de um jeito documental clássico protestos de cunho político ocorridos na França. Já o vídeo com imagens registradas em um trem mostra seus passageiros transportados com pressa até seu destino, ao mesmo tempo em que leem com tranquilidade o jornal. Agitação e naturalidade na Cidade-Luz sob o olhar crítico do artista.

Sarkozy-Le Pen, Paris, 2007. Foto: Leonardo Sette

No Diário Contemporâneo a fotografia é o ponto de partida para as reflexões e isso pôde ser confirmado com a premiação de Roberta Carvalho na categoria “Diário do Pará” com o trabalho “Symbiosis”. Nele as árvores interagem com a cidade, pulsam e olham aqueles que passam pela rua. Projetadas nas copas das arvores, as imagens de rostos humanos tornam mais efetiva a relação entre homem e natureza. Experimentação e expressividade que falam daquilo que é orgânico e que liga todos os seres vivos.

Além disso, foram selecionados os trabalhos de 18 artistas, são eles Anita Lima (SP), Carlos Dadoorian (RJ), Coletivo Cia De Foto (SP), Everaldo Nascimento (PA), Fabio Okamoto (SP), Felipe Baenninger (SP), Fernanda Antoun (RJ), Fernanda Grigolin (PR), Francilins (MG), Haroldo Saboia (CE), Ionaldo Rodrigues (PA), José Diniz (RJ), Keyla Sobral (PA), Marina Borck (BA), Pedro David (MG), Péricles Mendes (BA), Ricardo Macêdo (PA) e Viviane Gueller (RS).

FOTOJORNALISMO NO MUSEU

Dentre as novidades da segunda edição estava “Diários da Cidade”, uma mostra especial com trabalhos de 18 fotógrafos do Jornal Diário do Pará. Adauto Rodrigues, Alex Ribeiro, Amaury Silveira, Anderson Coelho, Antônio Melo, Celso Rodrigues, Cezar Magalhães, Everaldo Nascimento, Keylon Feio, Marcelo Lelis, Marcos Santos, Mário Quadros, Mauro Ângelo, Ney Marcondes, Rogério Uchôa, Tarso Sarraf, Thiago Araújo e Wagner Almeida integraram a coletiva. A curadoria desta mostra foi de Mariano Klautau Filho, Alberto Bitar e Octávio Cardoso.

Os fotojornalistas são profissionais que vivenciam diretamente a dinâmica das cidades. Os trabalhos dos fotógrafos do Jornal Diário do Pará saíram, então, do acervo do jornal para as paredes do museu. Além disso, um bate-papo foi realizado com os fotojornalistas e o público. O encontro também contou com a presença de Octávio Cardoso, editor de fotografia do Diário do Pará e a mediação da jornalista Dominik Giusti.

AÇÕES

Além da ação formativa com Alexandre Sequeira, foram oferecidas mais duas oficinas. “Processos da Cianotipia”, com Eduardo Kalif, deu a oportunidade dos participantes se debruçarem sobre um dos primeiros processos de impressão fotográfica em papel.

Já em “Fotografia Documental”, Guy Veloso usou a sua pesquisa para o projeto “Penitentes” como ponto de partida para compartilhar com os participantes como elaborar um projeto de pesquisa e realização de um ensaio documental. Planejamento, mapeamento, técnicas de abordagem, exibição, redes de contatos e informações foram alguns dos temas abordados.

Ernani Chaves realizou o bate-papo “Fotografia, cidade e o retorno do flâneur”, no qual, a partir de Walter Benjamin e Franz Hessel, mostrou a possibilidade do flâneur na fotografia, esta como uma leitura da cidade e o fotografo como um narrador. O encontro teve a mediação de Ionaldo Rodrigues.

E Mariano Klautau Filho, curador do projeto, na palestra “Mutações do Fotográfico” analisou ideias como deslocamento, poética, narrativa e ação nas temáticas e trabalhos das duas edições então realizadas do Diário Contemporâneo.

O PROJETO

O Diário Contemporâneo contribuiu para a descentralização das questões sobre arte no país, pois há uma década vem lançando proposições e chamando os artistas para o debate, consolidando o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

INSCRIÇÕES ABERTAS

Em 2019 o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia comemora 10 anos de atuação. As inscrições da edição especial de aniversário já estão abertas e seguem até dia 13 de junho sendo realizadas somente pelo site www.diariocontemporaneo.com.br

Diário Contemporâneo promoveu o compartilhamento das residências artísticas

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O último evento da programação da abertura das mostras da 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foi uma “Conversa com os Residentes”, da qual participaram Hirosuke Kitamura e Guido Couceiro Elias, além de seus respectivos tutores, Alexandre Sequeira e Lívia Aquino. O encontro ocorreu na noite de 06 de maio, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e teve a mediação de Mariano Klautau Filho.

A residência artística, novidade desta edição, surgiu da inquietude do Projeto. “A ideia da residência vem da necessidade de experimentação e do incomodo de poder estar numa espécie de piloto automático, repetindo um modelo. A residência é um procedimento cada vez mais importante para a arte contemporânea”, afirmou Mariano.

Foto: Irene Almeida

A figura de um tutor, ou um pesquisador para acompanhar esse residente foi essencial, pois promoveu o debate e a reflexão. Segundo Lívia Aquino, sua atuação foi de orientação e provocação do artista. “O meu processo com o Guido foi direcionar ele a lugares em que ele pudesse ativar a sua percepção, sempre levando em conta o seu desejo artístico e a sua pratica”, contou.

O que é possível praticar em uma experiência que te desloca para um outro campo de ação e ambiente? Guido Couceiro Elias se relacionou com a cidade de São Paulo através das palavras. Ele escreveu a fotografia. “Eu notei que dava para fazer as imagens que eu estava vendo através da escrita. Comecei a escrever para continuar o processo iniciado pela fotografia e, quando percebi, fiquei mais próximo das pessoas através das palavras”, lembrou o artista.

MERGULHAR NA CIDADE

Em Belém, Alexandre Sequeira recebeu Hirosuke Kitamura em sua casa. O tutor observou que “o Prêmio, através da residência, oportuniza ao artista entrar em contato com um outro território. Os trabalhos que eles inscreveram foram premiados e estão na parede expostos, isso proporcionou um não compromisso com o resultado e sim com a experiência. Para mim, isso é interessante, pois eu também reflito como artista”, disse.

Hirosuke veio a Belém e imergiu na cidade, absorveu dela o máximo que pode, mas sempre com um movimento de retorno e de estabelecimento de relações. Ele conviveu intensamente com pessoas que não costumam habitar o espaço dos museus, mas que também tinham muito a contribuir.

O artista produziu centenas de imagens durante o período da sua residência e disse, “gostei muito de ter vindo na época das chuvas, porque eu pude ver como as pessoas convivem com ela de maneira natural. Eu consigo ter acesso a uma relação mais aberta com as pessoas e com o ambiente, sem máscaras”, finalizou.

Algumas das imagens que Hirosuke fez foram devolvidas a cidade em formato lambe lambe, afixadas em locais próximos aos da sua produção e daqueles com que o artista se relacionou.

VISITAÇÃO

A exposição “Poéticas e Lugares do Retrato” exibe os trabalhos premiados, selecionados e participações especiais. As obras ficam divididas entre o Museu da UFPA e o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Além disso, o MUFPA recebe a mostra individual “Interiores”, com trabalhos de Geraldo Ramos, artista convidado. A visitação segue até dia 30 de junho, no MUFPA e 02 de julho, nas Onze Janelas.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Museu da Universidade Federal do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até hoje

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As inscrições para a 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia encerram hoje. O projeto, criado em 2010, concederá três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo que dois deles serão concedidos na forma de bolsa para residência artística. Os trabalhos terão como ênfase a temática “Poéticas e lugares do retrato”. O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.diariocontemporaneo.com.br e os dossiês devem ser entregues na secretária do projeto, localizada na Rua Aristides Lobo, 1055 (entre Tv. Benjamin Constant e Tv. Rui Barbosa), no Bairro do Reduto.

A comissão de seleção e premiação desta edição será composta por Alexandre Sequeira (PA), artista plástico e fotógrafo; Camila Fialho (RS), pesquisadora independente em artes; e Isabel Amado (RJ), curadora e especialista em conservação.

Belém, Pará, Brasil. Cidade. Projeto Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia vai a escola com a Oficina "Exoeriência do Olhar" ministrada por Irene Almeida e assistência de Rodrigo José. 10/03/2016. Foto: Cinthya Marques.
Foto: Cinthya Marques

Sobre as residências artísticas, novidades no edital deste ano, Camila comentou, “vejo essa mudança com uma expansão para além do espaço-tempo em que o Prêmio ocorre. O que em certa medida já acontece através de oficinas e palestras, ao propor um alargamento da experiência da exposição com espaços mais aprofundados de reflexão e experimentação no campo da imagem. Para o artista que recebe a premiação, esse para além do espaço-tempo se projeta numa vivência concreta que se expande tanto para dentro, num mergulho em sua própria produção, pois o ambiente imersivo de uma residência permite justamente uma dedicação mais direcionada às suas próprias poéticas e investigações; quanto para fora, no ambiente de troca com a cidade e as pessoas com quem o artista irá conviver”.

Camila é de Porto Alegre e fez parte da equipe que idealizou e coordenou a primeira experiência de residência no Condomínio Cultural, em São Paulo. Ela já foi residente e encara esse momento como “um divisor de águas na minha experiência com a cidade e com as artes, o qual me despertou esse especial apreço pelo ambiente das residências, que hoje estão inscritas num braço importante da circulação de artistas e pesquisas em artes, abarcando situações de trocas e experimentação sem igual”.

Alexandre Sequeira acolherá um dos premiados para morar no seu projeto Residência São Jerônimo. Ele disse, “o Diário Contemporâneo se afirma, desde sua primeira edição, como um evento que reúne artistas de diversos estados do país num rico diálogo sobre questões relacionadas à fotografia e seus pontos de intersecção com outras linguagens, promovendo assim a amplitude de seu campo de articulações na cena contemporânea. Sem dúvida afirma-se como um dos mais importantes eventos fotográficos no país. Minha expectativa é de entrar em contato com um profícuo campo de discussões acerca do retrato – um gênero que atravessa toda a história da fotografia e que, por esse motivo, é capaz de apontar para as transformações que a mesma apresentou ao longo de sua existência”.

Foto: Irene Almeida

Ele acrescentou, “a Residência São Jerônimo surge com a expectativa de ser um espaço que discute as relações entre imagem, memória e permanência – assunto tão caro à cidade de Belém e tão afim a questões que permeiam a fotografia. A possibilidade de receber um artista do Diário Contemporâneo em uma casa edificada nos primeiros anos da década de 1940, na cidade de Belém, é de grande importância na medida em que, através desse período de vivência, o artista – ao entrar em contato com uma atmosfera repleta de memórias individuais e coletivas – pode contribuir através de sua produção com discussões que tanto importam à cidade e a seus moradores.

Isabel Amado comentou sobre a sua vinda para olhar a fotografia do Brasil através de Belém, “as minhas expectativas são sempre muito positivas quando se fala de fotografia em Belém do Pará e do Diário Contemporâneo, que eu vejo como sendo uma ação e iniciativa de fomento da linguagem fotográfica que está embasada em discussões e reflexões contemporâneas e que, por consequência, nos traz também a oportunidade de fluir essas ideias por todo o Brasil”.

Ela, que é especialista na manutenção de arquivos e acervos de fotografia, enxerga a consolidação da Coleção de Fotografias, que ocorreu na edição passada, um grande passo dado pelo Prêmio. “Um projeto que tem como objetivo criar uma coleção de fotografias, demonstra de antemão uma preocupação extremamente louvável da necessidade de se preservar a memória e a história da fotografia e ainda, disponibilizar material de estudos para futuras curadorias e compreensão da cultura fotográfica de um período”.

SERVIÇO: Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até hoje. Edital e Ficha de Inscrição no site http://www.diariocontemporaneo.com.br.  Realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA). Informações: Rua Aristides Lobo, 1055 (entre Tv. Benjamin Constant e Tv. Rui Barbosa) – Reduto. Contatos: (91) 3355-0002; 98367-2468 e diariocontemporaneodfotografia@gmail.com.

Residência Artística é a grande novidade da 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

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Por: Debb Cabral

As residências artísticas dão ao residente os suportes físico e financeiro que ele precisa, além da orientação e acompanhamento da sua produção artística. A 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia tem este formato de intercâmbio como grande novidade. Suas inscrições, que estão abertas, seguem até o dia 15 de fevereiro e os interessados podem encontrar no site www.diariocontemporaneo.com.br o edital e a ficha de inscrição.

As propostas artísticas para as residências terão como ênfase a temática “Poéticas e lugares do retrato” da 8ª edição. Por meio dessa prática colaborativa, o projeto, que se já consolidou entre os grandes editais do país, quer aprimorar o diálogo entre as produções local e nacional.

Foto de Alexandre Sequeira. Sem título, da série “Residência São Jerônimo” (2015)

Segundo Mariano Klautau Filho, curador do projeto, “uma residência artística permite que o artista desenvolva um trabalho em que o processo e a troca de experiências são tão importantes quanto os resultados finais. O Diário Contemporâneo sempre foi um projeto comprometido com a formação em arte e a pesquisa sobre fotografia como linguagem. Transformar dois prêmios em residência artística resulta do nosso interesse na experimentação, no fluxo de artistas entre Belém e outros lugares do Brasil. É claro que isso muda a dinâmica e as expectativas em relação aos sete anos do Prêmio, mas achamos que é melhor apostar numa experiência de intercâmbios do que repetir um mesmo padrão estabelecido há anos, por mais que tenha sido bem sucedido. Assim como o Prêmio criou uma coleção, podemos promover as residências porque envolvem o artista mais intensamente no projeto, suscitando uma relação de partilha com o público sobre o processo criativo”.

Nesta edição, um artista de Belém fará residência artística em São Paulo, sob a orientação da artista e pesquisadora Lívia Aquino, em parceria com o Atelier Condomínio Cultural; e um artista de fora da capital paraense fará em Belém, sob a orientação do artista e pesquisador Alexandre Sequeira, por meio de seu projeto de pesquisa “Residência São Jerônimo”, que surgiu a partir de seu projeto de doutorado na UFMG. Segundo Alexandre, a pesquisa busca “a partir da permanência de artistas em uma casa desgastada pelo tempo e prenha de memórias e histórias, suscitar discussões e reflexões poéticas acerca da memória e da sobrevivência de imagens”.

Sobre o encontro das propostas ele comentou: “considero a ideia do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, de incorporar a Residência São Jerônimo como um dos espaços de acolhimento de artistas premiados pelo evento, como uma possibilidade de um rico encontro, na medida em que a fotografia tem sua essência conceitual e filosófica intimamente relacionada à memória. Do mesmo modo, considero uma questão absolutamente pertinente e essencial de ações dessa natureza acontecerem em Belém, pelo fato de, a meu ver, ser uma cidade que demonstra certa resistência em lidar com suas heranças”.

Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia trata-se de um projeto nacional, que em seus anos de atuação contribuiu para a consolidação do Pará como lugar de reflexão e criação em artes. É uma realização do jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, do Museu da UFPA e apoio da Sol Informática.

SERVIÇO: O VIII Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia recebe inscrições até 15 de fevereiro. Informações: Rua Aristides Lobo, 1055 (entre Tv. Benjamin Constant e Tv. Rui Barbosa) – Bairro: Reduto. Contatos: (91) 3355-0002, 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

Sexta-feira de encontros com as poéticas dos artistas

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Por: Debb Cabral

Dando sequência à série de encontros promovidos pela programação “Poéticas, fotografia e mu seus”, do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, a varanda do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas recebeu na noite de sexta-feira (10) os artistas Véronique Isabelle, Ana Mokarzel, Sávio Stoco e Alexandre Sequeira para falar sobre suas trajetórias.

 Foto: Irene Almeida
Foto: Irene Almeida

Ana Mokarzel tem trabalhos nos dois espaços expositivos, o MUFPA e as Onze Janelas. Ambos os trabalhos se relacionam, ainda que não tenham sido pensados para isso. Destroços, escombros e abandonos estão presentes nas séries “Ausência” e “Permanência”. O primeiro é um trabalho muito casual, com processo bem intuitivo, como um mergulho. “Era uma total ausência, mas eu senti a necessidade de estar ali”, contou Ana. Já “Permanência” surgiu do convite para participar da mostra especial “Belém: ressacas, heranças”, que levou a fotógrafa à uma intensa pesquisa sobre a cidade e o seu passado.

Sávio Stoco veio a Belém para lançar a publicação “Fotografia Contemporânea Amazônica – Seminário 3×3”, premiada na 11ª edição do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, mas antes disso ele conversou com o público presente sobre sua produção e o processo que resultou no livro.

O transito de pessoas e a circulação entre os estados da região Norte são as bases para fazer com que a comunicação seja reforçada e eliminar uma fronteira que não é só geográfica. “Essa rede que a gente está fazendo, a gente não está inventando. Essa circulação que está acontecendo, e que a gente está intensificando, tem um lastro histórico”, explicou Sávio.

Véronique Isabelle apresentou um pouco do processo que levou a produção da obra “JEGUATA MBYA YVYJU’PE / A caminhada do povo Guarani Mbya”, que integra a coleção de fotografias do projeto. É um trabalho muito pessoal, que aprofundou as relações com as pessoas e com as paisagens. Uma fotografia relacional intuitiva, emocional e de entrega. “O trabalho da Véronique traz para a Coleção essa experiência de uma fotografia mais alargada”, finalizou o mediador Alexandre Sequeira.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA).

Pesquisa e memória nos catálogos do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

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Por: Debb Cabral

Criado em 2010 pelo Jornal Diário do Pará, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia chega a sua 5ª edição em 2014. A cada ano é lançado um catálogo, que além de ser a memória do projeto, é também fonte de pesquisa sobre a fotografia e a arte contemporânea brasileira. Sua distribuição de forma gratuita permitiu que ele chegasse aos artistas participantes do projeto, curadores, pesquisadores, instituições da área, cursos de graduação e pós-graduação em artes, além das bibliotecas de todas as regiões do país. A disponibilização online no site do projeto de todas as edições já lançadas ajuda ainda mais na disseminação deste material e democratiza o seu acesso.

É um produto que tem seu lançamento como um dos momentos mais aguardados do projeto, pois compila os trabalhos dos premiados e selecionados, textos transcritos das conversas com os artistas convidados, além de artigos de pesquisadores atuantes na área de fotografia e arte contemporânea, que dão um teor ainda mais significativo enquanto referência para a pesquisa em fotografia.

Até agora foram lançadas quatro publicações que seguiram as temáticas Brasil Brasis em 2010; Crônicas Urbanas em 2011; Memórias da Imagem em 2012 e Cultura Natureza em 2013, norteadoras, em seus respectivos anos, das diversas mostras de artistas selecionados, premiados e convidados, palestras, encontros, cursos e oficinas. As publicações já reuniram até agora entre textos críticos, artigos, ensaios e depoimentos as participações de Eder Chiodetto, Patrick Pardini, Tadeu Chiarelli, Marisa Mokarzel, Heloisa Espada, Cláudia Leão, Ernani Chaves, Alexandre Sequeira, Val Sampaio, Maria Helena Bernardes e Andréia Feijó além dos textos de análise dos trabalhos selecionados assinados pelo curador do projeto. Entre os ensaios fotográficos e depoimentos de artistas convidados reunidos especialmente para o prêmio estão Luiz Braga, Miguel Chikaoka, Dirceu Maués, Cláudia Leão e Walda Marques.

.A produção paraense vem sendo reconhecida em todo país, porém ações como a publicação destes catálogos do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia ampliam o debate crítico em Belém sobre arte produzida no Brasil. Os catálogos são o resultado do encontro de pesquisadores de todas as regiões do país fazendo com que as fronteiras de acesso sejam extrapoladas. Além disso, ganhando visibilidade nacional e com esse retorno dado ao público, o número de participantes de outros estados tem aumentado a cada ano.

O projeto Diário Contemporâneo de Fotografia incentiva a cultura, a arte e a fotografia em toda a sua diversidade, aberto a todos os artistas brasileiros ou residentes no país, o qual oferece três prêmios no valor de R$ 10.000,00 cada. Este ano, ao contrário das edições anteriores, não será proposto nenhum tema específico, e as inscrições seguem abertas até o dia 18 de fevereiro. O Edital e a Ficha de Inscrição estão disponíveis no site www.diariocontemporaneo.com.br.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto realizado em Belém, promovido pelo jornal Diário do Pará, em parceria com o Museu da Universidade Federal do Pará e o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas da Secretaria de Cultura do Estado.

.SERVIÇO: Pesquisa e memória nos catálogos do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Inscrições para a 5ª edição até dia 18 de fevereiro. Os catálogos das edições anteriores, além do Edital e da Ficha de Inscrição deste ano podem ser acessados no site http://www.diariocontemporaneo.com.br.  Realização do jornal Diário do Pará, Rede Brasil Amazônia de Comunicação com patrocínio do Shopping Pátio Belém e Vale. Informações: Rua Aristides Lobo, 1055 (entre Tv. Benjamin Constant e Tv. Rui Barbosa) – Reduto. Contatos: (91) 3355-0002; 8367-2468 e premiodiario@gmail.com.

Oficina “Diálogos Fotográficos”: confira selecionados

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Foram divulgados hoje (28) os nomes dos selecionados para a oficina “Diálogos Fotográficos”, com Alexandre Sequeira. Tendo o eixo temático “Crônicas Urbanas” como elemento indutor, a atividade pretende estimular a construção de poéticas que, a partir da ação de duplas, estabeleçam relações dialógicas em torno de questões relacionadas à cidade. A oficina lançará mão de procedimentos como dupla exposição em filme cromo, pincel de luz, e outras possibilidades de “conversa” entre as duplas de participantes.

Confira abaixo a lista de selecionados:

1. Alexandre Silva

2. Analú Moraes

3. Bárbara Freire

4. Caio José de Carvalho Brito

5. Cindy Luiza Machado Dória Lopes

6. Desirèe Costa Giusti

7. Douglas Augusto da Silva Caleja

8. Elaine Andrade Arruda

9. Elen Espíndola de Santa Brígida

10. Eline Ribeiro do Nascimento

11. Fátima do Rosário Pacheco Soares

12. Flávia Suanny Santa de Souza

13. Ionaldo Rodrigues da Silva Filho

14. José Ricardo Carvalho de Macêdo

15. Karol Khaled

16. Magalene Rayol Gaspar

17. Mara Rodrigues Tavares

18. Marcos Joel dos Reis

19. Marise Maués Gomes

20. Marta de Lourdes Cosmo Macedo

21. Paulo Sérgio das Neves Souza

22. Renan Marinho de Pina

23. Sandro Destro Lima

24. Simone do Socorro Jares Novaes

25. Sissa Aneleh Batista de Assis

26. Tarso Glaidson Sarraf

27. Teonila Bezerra Lima

28. Veronique Isabelle

29. Wagner Yoshihiko Okasaki

30. Walbert Leite dos Santos