Ação educativa realiza ciclo de encontros

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A edição de 2020 do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia vem fazendo uso das tecnologias digitais para seguir com suas atividades de maneira segura dentro do atual contexto.

A inscrição dos trabalhos e a seleção deles foi feita de maneira digital. Com os dossiês escolhidos pelo júri, a coordenadora da ação educativa, Dairi Paixão, realizou um ciclo de encontros virtuais com os artistas. Tudo isso para conhecer melhor os trabalhos e as inquietações daqueles que os produziram. As conversas serviram de base para a composição das propostas educativas desta edição.

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Confira a entrevista:

Como que funcionaram esses encontros?

Foi um trabalho de escuta e reflexão para acessar novas informações e pensar como o educativo pode cada vez mais democratizar conhecimentos da arte para o público, tendo em vista a fala dos artistas como mais uma referência para o diálogo no espaço expositivo.

A conversa começou com Irene Almeida, da produção do Diário Contemporâneo, no diálogo sobre a ideias para o educativo deste ano, ela também acompanhou todos os encontros. Na sequência, conversei com Mariano Klautau Filho, curador geral do projeto, sobre o tema e as provocações do título da obra de Rubem Fonseca.

Segui também no diálogo com a curadora convidada da mostra, Rosely Nakagawa, para ouvir e compreender melhor o processo de seleção, a leitura das obras com o contexto que estamos vivenciando hoje, a conexão entre as obras selecionadas e a disposição das obras no espaço expositivo.

Depois do encontro com a Rosely, pensamos de promover esse ciclo de encontros com os artistas da mostra, a partir da localização dos artistas por sala. O ciclo de encontros durou uma semana onde, na prática, fomos adequando também com a disponibilidade de cada um. Mesmo assim, conseguimos promover encontros lindos, ricos de aprendizados, trocas e de fortalecimento com a arte.

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Como que foi essa troca?

Tivemos sete encontros de uma escuta muito preciosa para esses tempos que estamos vivendo. Cada um na sua casa e, mesmo distantes em diversos pontos do Brasil, nos conectamos por algumas horas. Nos encontramos e trocamos experiências e reflexões sobre as obras, a relação delas com os artistas das salas e o contexto contemporâneo do fazer de cada artista.

Foi possível conhecer um pouco do processo criativo de cada um e quais as sensações e significados que o trabalho tem na vida deles. Sinto que acessamos camadas mais profundas no conhecimento das obras, o que contribui na metodologia de como apresentar as obras para os mediadores durante o minicurso de formação.

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Qual a importância dessa aproximação, ainda que virtual?

Foi importante principalmente conhecer o processo criativo dos artistas. Por exemplo, ouvir do artista e arte-educador Iezu Kaeru (PE), sobre o projeto Kawa, qual o sentir dele com o rio, quais as cidades em que ele fez as fotos e como é o uso dele da fotografia digital e analógica. No bate-papo fizemos uma conexão de que o trabalho dele traz uma poética das águas. A conversa seguiu nas conexões que esse trabalho tem com o nosso território de Belém.

Para mim, tem sido um exercício pensar como construímos esse processo educativo e, principalmente, da mediação nesse território de Belém, na Amazônia.

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A conversa seguiu com o trabalho da artista Suely Nascimento (PA) e como nos conectamos com “A Casa de Marlene”. Quando Suely abre sua casa para que possamos sentir seu lar, também abrimos nossa casa interna e revivemos nossas memórias acompanhadas de um cafezinho da tarde.

Entendo também que a conversa entre os artistas se constitui numa potência educativa, de aprender com esse olhar do outro e que conta com muito afeto das subjetividades que constituem as obras. As conexões são múltiplas e a subjetividade de cada pessoa constrói novos signos.

No segundo dia, conhecemos os artistas Vanessa Ramos Carvalho (CE), Sérgio Carvalho (PI) e Beto Skeff (CE). Nesse encontro foi possível ouvir o afeto que Sérgio tem pela cidade de Barra Grande, no Piauí, e como o exercício da fotografia na obra “Um lugar lindo de morrer” atravessou um momento difícil de perda na vida do artista.

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Temas contemporâneos que muitas vezes nos sufocam nas notícias do dia a dia, como a morte, podem se tornar mais leves de lidar quando temos a arte mediando essa compreensão de sentimentos. O trabalho de Vanessa e Sérgio nos atravessou dessa forma.

Assim como no diálogo com Beto Skeff em que conhecemos a história dos campos de concentração no Ceará, além de quais as coincidências que ele percebe no fato de ter nascido numa cidade próxima a esses espaços.

No trabalho “Currais da Alma”, uma história que poderia se perder no esquecimento nos traz reflexões profundas sobre quantas histórias de opressões são apagadas no país e quais são ouvidas, debatidas, lembradas, além de como os relatos visuais são importantes para essa tomada de consciência da nossa história.

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Do mesmo modo, somos tocados pelo trabalho de Arthur Seabra (PA). No jogo de luz e sombra, que reflete um sentido espiritual diante das imagens de um ritual de Candomblé à luz de candeeiros, as fotografias nos levam para um tempo outro. Arthur compartilha dos significados da luz dourada referindo-se a realeza africana com muita beleza, cuidado e respeito. Ele nos aproxima da ritualidade sagrada de uma cerimônia de Candomblé.

Conhecemos mais sobre a paixão de José Diniz (RJ) por submarinos. Ele nos contou de seu fascínio desde a infância e sobre as diferentes experiências que viveu durante a pesquisa e criação das imagens do trabalho “O céu vem abaixo”.

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Como isso será refletido na ação educativa com os mediadores?

Cada encontro trouxe uma riqueza de detalhes do processo criativo, das obras, das escolhas e seleções de narrativa para a inscrição que nos aproximaram e nos trouxeram muitas compreensões, diálogos e debates sobre os trabalhos. Essa escuta fortalece a construção metodológica de apresentação dos trabalhos artísticos durante o curso de formação para mediadores e na construção do material didático presente no tabloide desta edição.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.

Sábado de intensa programação em “Poéticas, fotografia e museus”

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Por: Debb Cabral

O sábado (11) foi marcado por uma intensa agenda de encontros promovidos por “Poéticas, fotografia e museus”, do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. O Espaço Cultural Casa das Onze Janelas recebeu a programação.

A manhã começou com o encontro com Miguel Chikaoka, Pedro Cunha, Octávio Cardoso e Walda Marques para falarem sobre suas obras que integram a Coleção de Fotografias do projeto e suas trajetórias artísticas.

Miguel Chikaoka trabalha a fotografia através do seu percurso, do seu processo. “Eu percebo que o trabalho do Miguel nunca termina, ele está sempre emendando um com outro e dentro do percurso contemporâneo, o trabalho dele é o processo”, comentou a curadora Marisa Mokarzel.

Walda Marques lembrou o tempo em que ela e Octavio Cardoso eram parceiros de estúdio. “Ali também era um laboratório para a gente, foi um aprendizado de tudo”, contou. Luz, maquiagem, figurino, uma espécie de teatro de brincadeira. O lúdico era constante. Já Octávio comentou a série “Lugares imaginários”, que foi premiada na 1ª edição do projeto e integra a Coleção. “Eu preciso de algumas provocações”, explicou ao falar das imagens que remetem a um lado onírico da Amazônia com suas paisagens azuis.

Pedro Cunha falou sobre o seu processo e a sua fotografia de viagem. “Eu foco em paisagens urbanas que passariam despercebidas e a cidade é, para mim, um cenário maravilhoso”, comentou. As fotografias da série “…continua na minha memória” são brancas e suas cores bem suaves criam narrativas para os personagens urbanos.

AS ONZE JANELAS

Mariza Mokarzel e Rosangela Britto se reuniram com o público para falar sobre o momento inaugural do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Elas contaram que a ideia era dar uma finalidade museológica reorganizando-o para que Belém pudesse expor obras de arte e históricas. Isso deu certo, e hoje a Casa é reconhecida nacional e internacionalmente como o museu de arte contemporânea de Belém.

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Fotos: Irene Almeida

A mostra inaugural “Traços e Transições” foi além da exposição da Coleção Funarte, ela se relacionou com a produção local. “Nós queríamos que houvesse uma espécie de diálogo e que não ficasse limitada às salas expositivas, dialogando com a cidade e com o público no espaço aberto”, lembrou Mariza.

O museu está localizado bem no Centro Histórico de Belém, ele tem seu próprio discurso mas dialoga com os outros espaços e ainda com o patrimônio ambiental.

Elas também falaram sobre a criação do Sistema Integrado de Museus – SIM com sua diretoria e divisões. “O SIM visa estimular a articulação entre os museus do estado através de um eixo de sentido patrimonial e que relaciona a herança cultural com a produção contemporânea”, disse Rosangela.

Fotografia Contemporânea Paraense – Panorama 80/90 foi um projeto que veio em seguida e só fez fortalecer os objetivos em relação ao espaço. Já quando questionada sobre a retirada do museu da Casa, Rosangela respondeu, “alterar um equipamento museológico gera uma perda de sentido do eixo patrimonial que foi criado”.

LANÇAMENTO

Sávio Stoco falou sobre a publicação “Fotografia Contemporânea Amazônica – Seminário 3×3”, premiada na 11ª edição do Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, que ele veio lançar em Belém.

O deslocamento de artistas entre as cidades de Belém, Manaus e Boa Vista é o grande destaque do projeto. “Esses cenários têm dinâmicas particulares e nós queríamos aproveitar isso”, contou.

É o retrato de que estados vizinhos muitas vezes se isolam. “Pela primeira vez eu vi um projeto de arte que estava propondo o encontro entre três cidades da Amazônia. Isso nos reaproximou e nos fortaleceu”, observou Mariano Klautau Filho que integra o livro com um relato sobre o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia.

O projeto adentrou nas particularidades de cada local e viu o que poderia ser compartilhado, desde apresentações de processos pessoais até projetos como foi o caso do Diário Contemporâneo.

O lançamento contou com a distribuição gratuita do livro entre o público presente.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA).