A sensibilização do olhar no minicurso que formou a equipe da Ação Educativa

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O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia reservou, em abril, um final de semana inteiro para a realização do minicurso de formação da sua equipe de mediadores culturais. Intitulada “Olhar e ser visto: práticas educativas na poética do retrato”, a ação educativa, sob a coordenação de Cinthya Marques e Rodrigo Correia, aprofunda a discussão a respeito das “Poéticas e Lugares do Retrato”, tema desta 8ª edição do Projeto.

Os coordenadores iniciaram o encontro com uma proposta de olhar o outro. Lápis e papel foram distribuídos e duplas foram formadas. Os participantes conversaram sobre si, suas memórias, experiências e desejos. Ao final, uma pessoa desenhou a outra como a via depois daquele breve diálogo. Este foi o início do relacionamento daqueles que, desde o mês de maio, trabalham em equipe e convivem diariamente.

Belém, Pará, Brasil. Cultura. Olhar e ser visto: práticas educativas na poética do retrato. Formação de mediadores da VIII edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia sob a coordenação de Cinthya Marques e Rodrigo Correia. 22/04/2017. Foto: Irene Almeida.
Fotos: Irene Almeida

“O retrato é um estilo presente em diversos períodos da história da arte e seu uso é comum a todos aqueles que experimentam retratar a si e ao outro”, explicou Cinthya ao passear pelas outras linguagens, como a pintura, antes de chegar a fotografia.

De que forma se pode trabalhar as práticas educativas no cerne do retrato? Como fazer com que as discussões iniciadas nos expositivos sejam ampliadas para a sala de aula? Estas e outras questões foram debatidas em grupo e, ao final, foi compreendido que o caminho norteador para isso será promover a sensibilização do olhar.

Além disso, os textos “Retrato e Sociedade na arte italiana – ensaios de história social da arte”, de Enrico Costelnuovo; “O destino das imagens”, de Jacques Rancière e “Olhar e ser visto – a figura humana da Renascença ao contemporâneo”, de Teixeira Coelho, foram lidos e debatidos em conjunto.

A forma como a sociedade enxerga o retrato fotográfico também foi pautada, uma vez que esta tem certos rituais com a fotografia, que é guardada com todo o cuidado, exibida com orgulho e descartada de forma passional. “A fotografia acaba sendo a materialização simbólica daquele individuo retratado”, observou Rodrigo.

Belém, Pará, Brasil. Cultura. Olhar e ser visto: práticas educativas na poética do retrato. Formação de mediadores da VIII edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia sob a coordenação de Cinthya Marques e Rodrigo Correia. 22/04/2017. Foto: Irene Almeida.

As obras que integram as mostras da 8ª edição foram apresentadas aos participantes do minicurso. Múltiplos olhares, múltiplas reações. Curiosidade, surpresa, rejeição, inspiração e melancolia foram alguns dos sentimentos despertados quando eles se depararam com a poética do outro.

Lucas Negrão, que integra a exposição deste ano, na condição de participação especial, foi da equipe da Ação Educativa no ano passado. Sobre essa experiência ele comentou que “o mais interessante na mediação é a troca, o diálogo entre dois mundos, dois seres que se prestam a fazê-lo”.

Do minicurso nasceu a equipe que trabalha diariamente na ação educativa desta edição. Eles dão suporte ao público visitante e tem como apoio, durante a visitação escolar, as propostas e dinâmicas pedagógicas que integram o tabloide do projeto, provocando questões e possibilitando que esses alunos se vejam como protagonistas, refletindo sobre si e sobre o outro. Além disso, eles participam de ações especiais, como a ocorrida no ultimo domingo (04), durante o Projeto Circular Campina / Cidade-Velha.

VISITAÇÃO

A exposição “Poéticas e Lugares do Retrato” exibe os trabalhos premiados, selecionados e participações especiais da 8ª edição do Diário Contemporâneo. As obras ficam divididas entre o Museu da UFPA e o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Além disso, o MUFPA recebe a mostra individual “Interiores”, com trabalhos de Geraldo Ramos, artista convidado. A visitação segue até dia 30 de junho, no MUFPA e 02 de julho, nas Onze Janelas.

SERVIÇO: O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Museu da Universidade Federal do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com ewww.diariocontemporaneo.com.br.

Construção e reflexão no minicurso de formação de mediadores

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Por: Debb Cabral

Um final de semana inteiro foi dedicado ao minicurso “Trajetórias educativas: por um olhar em expansão”, do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, destinado a formar um grupo de educadores que seja o suporte no diálogo entre as obras e o público que visita as exposições.

Cinthya Marques, coordenadora da Ação Educativa, abordou aspectos da Coleção de Fotografias proposta para esta edição e que compõem o projeto deste ano. Referências de pesquisa em fotografia e arte foram trocadas, além do material de suporte que foi dado aos participantes.

Belém, Pará, Brasil. Cidade. VII edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, realiza no SIM o mini-curso do projeto educativo "Trajetórias educativas: por um olhar em expanção" com a coordenadora Cinthya Marques. 12/03/2016. Foto: Irene Almeida.
Foto: Irene Almeida

Com o apoio do texto “Cotidiano, Colecionismo, Arte e Museu” de Afonso Medeiros, ela debateu o conceito e a origem da ideia de coleção. A problematização do acervo, bem como os critérios de escolhas de obras de arte também tiveram espaço no minicurso, mas o foco principal era o acesso democratizado. “Os museus se dedicam a conservar, resguardar e divulgar as obras de arte”, destacou a educadora.

A arte é muitas vezes vista com algo distante, restrita ao conhecimento dos iniciados. Daí que surgiu a necessidade dos mediadores, nas palavras de Afonso, “para nos guiarem por entre os labirintos das exposições, para induzirem a interlocução e reduzirem qualquer irregularidade”. O museu tem que ser visto como um espaço de encontro e não de intimidação, para isso é necessário respeitar o tempo das pessoas e deixa-las à vontade no espaço expositivo. Isso ajuda na comunicação com o público, pois ele não se sente inibido, torna-se mais participativo e começa a compartilhar suas experiências também.

Belém, Pará, Brasil. Cidade. VII edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, realiza no SIM o mini-curso do projeto educativo "Trajetórias educativas: por um olhar em expanção" com a coordenadora Cinthya Marques. 12/03/2016. Foto: Irene Almeida.
Foto: Irene Almeida

Tiago Freitas, participante do minicurso e que já atuou como mediador, observou, “nós estamos ali para facilitar o acesso das pessoas às obras, mas a gente acaba aprendendo muito e incorporando esse aprendizado a nossa mediação”. Enxergar as obras pelo seu olhar, pelo olhar do artista, pelo olhar do outro, tudo isso expande a relação com a arte e exercita o respeito mútuo no contato com uma perspectiva diferente.

“A mediação é como um jogo de tensões, então a gente tenta tornar aquela experiência o mais agradável possível”, apontou o participante Rodrigo José. Isso pode ser feito através de uma contextualização que ajuda a resinificar aquela obra que parecia banal ou desinteressante à primeira vista.

COMPARTILHAMENTO

Instigar o público é o objetivo e para isso os mediadores foram colocados no lugar dele. Reflexões sobre as obras que integram a Coleção, compartilhamento de informações e dinâmicas serviram para proporcionar uma nova forma de ver a arte. Se conhecer, compartilhar sobre si e conhecer o outro, foi assim que a dinâmica “Fio da Memória” fez com que os participantes falassem sobre o que colecionavam ou já colecionaram, partilhando aquilo que era mais precioso para si. Profissionais do Sistema Integrado de Museus (SIM) também participaram da capacitação como uma forma de atualização, além encontrarem no minicurso uma oportunidade de dividir experiências e inquietações.

Cada participante sorteou um trabalho da Coleção para estudar, analisar e fazer relações entre outras obras. O resultado foi uma visão muito mais completa do acervo do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, pois esses trabalhos já foram expostos em edições passadas, mas a formação em conjunto será inédita. “É uma oportunidade de vivenciar essa experiência, de pessoas que já viram os trabalhos em outros anos e que agora vão ver de novo. A pessoas mudam e os trabalhos também mudam. É preciso ter um olhar mais sensível em relação a isso”, finalizou Cinthya.

A partir desse minicurso será formada a equipe que trabalhará na ação educativa dessa edição. Eles ficarão à disposição para dar suporte ao público visitante e terão a dedicação reforçada na visitação escolar, com dinâmicas e o subsidio pedagógico do tabloide, colocando os alunos como protagonistas do processo de reflexão artística.