O deslocamento do olhar e da vivência: Entrevista com Ana Lira

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Em 2020, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia trouxe alguns dos nomes que já passaram pelo projeto para ajudar a compor esta 11ª edição a muitas mãos. Ana Lira, fotógrafa, pesquisadora e especialista em Teoria e Crítica da Cultura, é uma delas.

No ano de 2018, Ana foi selecionada para a exposição, ministrou oficina e conversou com o público de Belém sobre os seus trabalhos que trazem muito do fazer e do pensar coletivo.

Este ano, ela retorna como tutora da Residência Artística Recife que acolherá, na capital pernambucana, um artista paraense ou residente no estado.

As inscrições para esta 11ª edição, que tem ainda outros dois prêmios de residência artística, foram estendidas até 30 de abril e são realizadas somente pelo site http://www.diariocontemporaneo.com.br/inscricoes/.

Ana Lira. Foto: Maria Chaves

Confira a entrevista com Ana Lira:

P: Qual a importância da residência para a formação do artista? Na residência, há o deslocamento, a mudança de cenário, de pessoas. O que isso pode gerar de ativação no pensar e no fazer artístico?

R: Vou responder as duas em uma, porque a segunda pergunta é uma resposta para a primeira. Eu creio que é ter a oportunidade de se deslocar e observar as coisas a partir de outras vias. Encontrar pessoas e contextos que, por viverem outras dinâmicas, temporalidades, circunstâncias e construções ajudam a olhar para questões da nossa vida que nos permitem afinar o olhar para etapas interessantes que ainda não desenvolvemos.

E, ao ver a nossa vida por outras guias, podemos olhar para o que estamos elaborando de maneira igualmente distinta. Este deslocamento faz com que possamos abrir outros processos criativos, ampliar vivências, desenvolver trechos de projetos que eram valorizados, encontrar outras formas de responder às questões que cruzam nossos caminhos.

Eu não penso na conexão residência – trabalho artístico em primeira instância, porque acho que esse deslocamento não muda o nosso trabalho. Ele muda a nossa vida e é essa transformação na vida que vai colocar a criação em outro lugar, porque agregamos outros referenciais para dialogar com o que tínhamos até aquele momento.

Então, mais do que ficar imerso completamente em um trabalho, na residência, a gente deve estimular que qualquer residente viva a cidade e as experiências que ela oferece – e sinta seus processos dentro disso.

P: Seus processos artísticos pessoais são construídos muito com o fazer coletivo e em parceria com comunidades. Ou seja, ter o outro junto de si já é algo que faz parte da sua prática. Assim, como você recebeu o convite do Diário Contemporâneo para ser a tutora de uma residência do projeto?

R: Então, eu acho que a gente precisa ampliar um pouco o conceito de comunidade. Eu estava falando sobre isso em outra residência que eu fiz, ano passado. Todo mundo vive em comunidade, porque a gente articula nem que seja um mínimo de experiências em comum com algum grupo de pessoas.

A questão é que algumas comunidades possuem acesso a diversas coisas que potencializam a vida e outras comunidades são sacrificadas pelos governos nesses acessos – e são forçadas pelas circunstâncias a se reinventar. Não gosto muito de pensar nessa ideia de “comunidade como o outro”, como algo externo e diferente da nossa vida como sociedade. Acho que essa vivência de quarentena com o coronavírus tem sido precisa em nos mostrar isso…

A questão é que as sensibilidades cotidianas me interessam. Eu fui criada em um bairro distante e fronteiriço; que por décadas dividiu a rotina entre ser o bairro da universidade e, ao mesmo tempo, manter grupos de moradores cuja rotina migrava entre o ser ribeirinho e o ser rural. Essas convivências removem muitas noções estagnadas de hierarquia e nos colocam em outro lugar.

Hoje, estamos vivendo uma super gentrificação neste bairro, mas foi a vida nele que me ajudou a perceber, em meus mais diversos deslocamentos, a importância de não cortar o elo entre a materialização criativa e as bases contextuais que a geraram. Percebi a importância de não levar a materialização para o lugar de isolamento, a ponto de perder totalmente a referência de onde partiu, porque isso não faz sentido para as cosmologias da qual eu faço parte.

Acho que por trazer essas referências e por ter com o prêmio uma relação de absoluta sinceridade, no sentido de frequentemente dar retornos sobre como as dinâmicas dele afetam a produção da fotografia/artes visuais em nosso entorno, que eu fui convidada. Essa conversa existiu pela primeira vez na edição de 2019, mas ano passado foi impossível para mim orientar qualquer pessoa, porque eu estava em um ciclo intenso de viagens. Este ano, nós acordamos de receber a residência em Recife e espero que, apesar de qualquer contexto dessa pandemia, seja uma experiência boa para quem vier.

Terrane. Foto: Ana Lira

P: O que aqueles que desejam se inscrever na Residência Artística Recife podem esperar de atividades e ações propostas.

R: Recife é uma cidade bem intensa em termos de criação, mas pouco institucional nesse sentido. Um residente cuja prática esteja focada em museus, galerias e espaços mais institucionais pode ter poucas opções na cidade. Há opções, mas não é o nosso forte…

Por outro lado, é  um lugar de muita criação livre, vivências, circulação e experiências cotidianas. As trocas com outros artistas e com a própria cidade já oferecem a possibilidade de repensar as experiências de vida. Então, o ideal é que quem aplicar para Recife saiba que o aprendizado vai estar na observação cotidiana e nas potências de intercâmbio com outras cidades da região metropolitana, agreste e sertão.

Nesse sentido, há uma certa conexão com Belém, cuja experiência sensorial transforma qualquer vida e processo artístico. Então, precisa vir aberto para esses entrelaçamentos. Aberto para conviver, sentir cheiros, ouvir sonoridades, ficar preso no trânsito, sair de casa sem hora pra voltar, emendando experiências diferentes em um único dia, mesmo com muita chuva. Ver uma cidade que fecha cedo e acorda muito cedo – e que se pode construir experiências de rever esse lugar. Pensar na praia e no tubarão ao mesmo tempo, encontrar alguém no meio do caminho e se apaixonar; enfim, todos esses deslocamentos possíveis. E sentir o que isso transforma nos processos de criação…

SERVIÇO:  O 11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até o dia 30 de abril. Informações: (91) 98367-2468 e diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Edital e inscrições no site:  www.diariocontemporaneo.com.br. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.

A fotografia e o contemporâneo: Entrevista com Rosely Nakagawa

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Em um mundo de constantes transformações, que imagens a fotografia escolhe? Por que? De que maneira? O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia acompanha essas inquietações visuais há mais de uma década.

Nesta 11º edição, ele decidiu propor experiências do pensar e do fazer artístico mais compartilhadas. São três prêmios de residência artística, uma delas coletiva, inclusive. Compartilhada também foi a curadoria da mostra principal que traz, neste ano, Rosely Nakagawa como curadora convidada.

O prazo para as inscrições foi estendido até 30 de abril e elas são realizadas pelo site http://www.diariocontemporaneo.com.br/inscricoes/.

Rosely Nakagawa. Foto: Miguel Gonçalves Mendes

Rosely Nakagawa é curadora e editora de artes visuais. Formada em Arquitetura pela FAU-USP, fundou a Galeria Fotóptica em 1979, coordenou a Casa da Fotografia FUJI e foi curadora das galerias FNAC de 2003 a 2009. Atua como curadora independente, tendo realizado mostras de arte em instituições nacionais e internacionais. Em Belém, foi curadora do Projeto Fotografia Contemporânea Paraense – Panorama 80/90 no Museu Casa das Onze Janelas.

Confira a entrevista com ela:

P: O tema desta 11ª edição parte da literatura. Para a fotografia, qual a importância deste diálogo com as outras linguagens?

R: Eu faria uma inversão na sua questão, falando da importância da fotografia para as outras linguagens. E ainda reforçaria que a palavra “fotografia” deve ser revista, hoje ela é mais “imagem”. Ela é tecnologia de grafia de pontos sensíveis à energia, ondas eletromagnéticas, pontos algorítmicos que produzem imagens.

Hoje ela está presente na criação desde o princípio. O processo de criação se dá a partir de imagens, antes de qualquer anotação, leitura ou pensamento.

P: Qual é o papel do curador na arte contemporânea? 

R: O curador felizmente tem mudado de papel rapidamente, ocupando um lugar mais adequado, menos protagonista do que nos últimos anos. Ele deve voltar a ocupar o seu lugar, o de estar atualizado nos processos de criação dos artistas, acompanhando-os em toda sua dimensão, e trabalhando na fatia que lhe cabe: a de estimular, difundir e provocar a reflexão sobre os processos de criação diante da expectativa do artista e do público.

P: O curador de arte tem uma atuação que busca provocar reflexões, mas também precisa lidar com questões de ordem prática, como montagem, escolha de suportes e o relacionamento com as instituições. Como isso se dá?

R: A discussão destes elementos são parte do processo de criação e é obrigação do curador saber onde eles são necessários e quais os aparatos mais adequados. A relação Institucional nem sempre.  Cabe ao curador criar um espaço para a arte e para o público junto as Instituições, abrindo novos olhares, pontos para discussão, interação e formação.

Mas longe da administração destes espaços. Dentro deles, se houver um curador, ele deveria atuar ao lado de um comitê mais amplo e imparcial.

P: Você vem acompanhando a fotografia paraense há anos. Que transformações ocorreram com ela?

R: A fotografia assim como outros processos criativos é orgânica, permeável e mutante. Desde 1980, no encontro da Semana de Fotografia da FUNARTE, quando estive em Belém pela primeira vez, até o ano 2000 quando acompanhei mais de perto uma gama maior de profissionais para o Panorama da Fotografia Contemporânea, a fotografia sofreu uma mudança radical do ponto de vista de tecnologia, com a introdução da plataforma digital. A técnica ainda em 1990 era um fator estrutural para a construção da fotografia e responsável pelo seu resultado. O equipamento e os acessórios eram uma escolha que determinava a aproximação com o objeto do trabalho. A cor, ou o preto e branco, o grão, a mudança sutil de luz do céu da Amazônia, a velocidade da ação diante do fotógrafo. A resolução ou a falta dela no registro das paisagens.

De 2000 para 2020, as mudanças se notam mais críticas no âmbito sociocultural, ambiental, ético, humano. Várias questões presentes nas fotografias nos anos 1980 e 1990, se exacerbaram, e se mostram presentes como imagens contemporâneas; a marginalidade, o gênero, os desastres naturais, a ética. A diferença de abordagem não se limita mais ao equipamento, mas à elaboração crítica do imaginário prévio à captação. A imagem produzida pela câmera exige uma sofisticação de pensamento e conceituação para ser uma imagem do universo da arte contemporânea.

P: E nestes anos de atuação do Diário Contemporâneo, no que você acredita que ele contribuiu para estas transformações?

R: O Diário Contemporâneo criou e ocupa um espaço para acompanhar e documentar a produção neste período de mudanças. Mais que um edital ou prêmio, ele estimula desde o princípio, a reflexão, a pertinência, o processo, os itens mais importantes para o fazer artístico, que incluem a leitura, o roteiro, a fundamentação de um conceito e percepção muito próximos da literatura. O que justifica mais uma vez esta ligação entre imagem e literatura.

No início, tudo era imagem e verbo, sem separação, um só ideograma.

SERVIÇO:  O 11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até o dia 30 de abril. Informações: (91) 98367-2468 e diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Edital e inscrições no site:  www.diariocontemporaneo.com.br. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.

Conheça a Residência Artística Farol

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-> Inscrições prorrogadas até 30/04. Saiba mais AQUI.

Em 2020, o Prêmio Diário Contemporâneo concederá todos os seus prêmios no formato de residências artísticas. Duas delas serão realizadas em Belém e Recife, a terceira será na llha de Mosqueiro. O prêmio de 15.000,00 desta última será dividido entre cinco premiados que receberão uma bolsa no valor de R$ 3.000,00 cada. Serão selecionados dois paraenses e/ou residentes no Pará por pelo menos três anos e três artistas de outros estados. A Residência Artística Farol será coordenada pela artista Lívia Aquino.

Os residentes, durante o período de 21 de junho a 10 de julho de 2020, terão como atelier e local para hospedagem uma residência na Praia do Farol.  Eles participarão de encontros, conversas e atividades de experimentação e criação artística sob a orientação de Lívia.

Os interessados em participar da atividade deverão inscrever-se exclusivamente para ela. O dossiê com carta de intenção/proposição para residência, currículo e portfólio de trabalhos será anexado na ficha de inscrição devidamente preenchida no link: http://bit.ly/InscricaoResidenciaFarol

Fotos: Mariano Klautau Filho

O recurso financeiro da bolsa será destinado ao custeio de despesa com alimentação e locomoção na ilha e será pago três dias antes do início da residência. As passagens aéreas serão custeadas pelo projeto e não estão inclusas no valor da bolsa.

Por seu caráter coletivo, o Prêmio Residência Artística Farol é uma atividade autônoma, não integrada à mostra expositiva. Portanto, o projeto formará uma comissão específica para realizar a seleção dos candidatos que realizarão essa atividade.

RESIDÊNCIA FAROL POR LÍVIA AQUINO

Voltada para artistas e fotógrafos, a Residência Farol acontece no Mosqueiro, uma ilha fluvial localizada no rio Pará, a 70 km de Belém, em frente à baía do Marajó.

Lugar de veraneio, com praias de água doce, a ilha faz parte da história do ciclo da borracha no estado. Ao longo de três semanas os cinco residentes irão conviver numa casa situada na Praia do Farol na qual terão espaço para produzir, realizar encontros e conversas.

Atividades elaboradas para o período da residência:

  • Conversas e trocas de processo entre os artistas residentes;
  • Ativações e ações partilhadas e/ou coletivas que podem ser construídas pelos residentes;
  • Encontros com artistas e pesquisadores que vivem e produzem em Belém;
  • Rodas de leituras que partem da experiência da ilha do Mosqueiro, sua história e da praia do Farol, bem como da casa onde acontece a residência.

LÍVIA AQUINO

Pesquisadora do campo das artes visuais é professora e artista. Doutora em Artes Visuais e Mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente é coordenadora da pós-graduação em Fotografia e professora da pós-graduação em Práticas Artísticas Contemporâneas e no Tecnólogo em Produção Cultural da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo. Ministra oficinas em diversas instituições culturais.

Em 2015 foi contemplada com o Prêmio Funarte Marc Ferrez. Participou de exposições na Pinacoteca de São Paulo, no Centro Cultural São Paulo, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Instituto Tomie Ohtake, na Fundação Joaquim Nabuco, no Museu de Arte de Ribeirão Preto, no Sesc São Carlos, na Fototeca de Cuba. Autora do livro Picture Ahead: a Kodak e a construção do turista-fotógrafo.

SERVIÇO:  11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Informações: Rua Gaspar Viana, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310, 98367-2468 e diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Edital e inscrições no site:  www.diariocontemporaneo.com.br. Inscrições abertas até 29 de março. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.

Diário Contemporâneo realiza Conversa com Mateus Sá

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O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia realiza nesta terça-feira (24) a conversa “Respirando fotografia”, com Mateus Sá, fotógrafo e artista visual. O encontro com o público será às 19h, no Museu do Estado do Pará, com entrada franca.

Mateus, que participa como convidado da mostra “Interseções, 2010/2014”, também veio realizar a oficina “Fotografia: Vivência de Corpo e Alma”, na qual o seu objetivo é “estimular a percepção da fotografia como narrativa e leitura de mundo”.

Lugar das incertezas. Foto: Mateus Sá

Seus trabalhos carregam tanto uma abordagem documental quanto fictícia, com narrativas não lineares e reconstruções de memórias de infância. “A fotografia como parte integrante da vida. Cotidianamente respirando, conduzindo e sendo conduzido por ela”, afirmou o artista que tem uma relação na qual a imagem se confunde com o seu modo de vida.

Isto pode ser visto na série fotográfica “Lugar das incertezas”, na qual ele volta ao Vale da Lua, litoral sul de Pernambuco, lugar onde se perdeu aos cinco anos de idade. Nas imagens produzidas vê-se um misto de lembranças e imaginação.

 

O ARTISTA

Mateus Sá é fotógrafo e artista visual. Também atua como professor Universitário, produtor cultural, editor de livros e exposições. É cofundador da Escola Livre de Imagem – ELI e do Projeto FotoLibras. É um dos três coordenadores do Pequeno Encontro da Fotografia. Tem quatro livros publicados, cinco exposições individuais e integra a coleção Diário Contemporâneo de Fotografia, em Belém.

 

RETA FINAL

Esta é a última semana de visitação da mostra “Interseções, 2010/2019”, no Museu do Estado do Pará e Museu da UFPA, que segue aberta só até domingo (29).

 

SERVIÇO: Diário Contemporâneo realiza Conversa com Mateus Sá. Data: 24 de setembro, às 19h. Local: Museu do Estado do Pará. Endereço: Praça D. Pedro II, s/n. – Cidade Velha. Entrada franca. Informações: Rua Gaspar Viana, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2400; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br

As possibilidades do livro em oficina com José Diniz

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Com informações de Andressa Munhoz

 

Selecionado nesta 10ª edição, o fotógrafo José Diniz ministrou a oficina Experiência: [foto] livro de artista, no Museu da UFPA.

O carioca compartilhou com a turma um pouco sobre suas produções de fotolivros. Seu processo de pesquisa envolve recortes de memórias familiares com momentos de passeios de canoa com o pai e momentos aonde este mesmo cenário, também servia como inspiração para as pinturas que o pai do artista produzia.

O avô paterno do fotógrafo o presenteou com uma pequena câmera e José passou a produzir experimentações na fotografia que incluíam a criação de narrativas  visuais com miniaturas de aviões, submarinos e navios de guerra, temas que até os dias atuais também estão presentes em seu trabalho.

Em termos técnicos, José Diniz aponta que a criação de um livro é como um processo vivo, constante e, até mesmo, diário. Envolve muita pesquisa e muita experimentação, é um processo de aprendizado. Fazer livro é aprender. “Muitas pessoas colocam o livro como uma tarefa. Para mim, não é isso. Para mim, ele é uma experimentação”, disse.

A LIBERDADE DO FAZER

Ele também comentou sobre como as pessoas, às vezes, se prendem ao significado da palavra “livro” e que isso, em determinadas situações, pode se tornar um empecilho para a criatividade. É limitante pensar em uma produção padrão quando, na idealização de fotolivro ou livro de artista, várias possibilidades são possíveis: a forma de encadernação, a organização das imagens, os papeis e texturas usados na impressão, entre outros detalhes.

Pontos para se pensar no processo de formação de um livro de artista:

  • Objeto, tirar partido da mecânica do livro
  • Bidimensionalidade x Tridimensionalidade
  • Cinética, Movimento
  • Agregar materialidade
  • Desafiar leis
  • Alma do artista

PROCESSO E IDENTIDADE

Os fotolivros e livros de artistas produzidos por José Diniz variam entre edições de tiragem única e várias cópias, edições em miniatura e tamanhos ampliados, livros em caixas ou livros em edições de brochura.

Dentro desses materiais, ele varia imagens feitas por diversos tipos de equipamentos, recortes de notas de jornais, cenas retiradas de filmes e imagens de miniaturas de aviões ou barcos em cenários que confundem o leitor em um primeiro olhar. Toda essa forma de organização se dá como uma forma de criar uma narrativa que transita entre memória, realidade e fantasia, os mesmos temas parecem se repetir, mas sempre trazem um novo olhar.

Colocar “a alma do artista” no livro é o que José aponta como o fato de que, mesmo se tratando de um livro com várias tiragens, ele acaba sendo uma produção que visualmente não se assemelha com tantos outros livros impressos por grandes editoras. Isso faz com que cada livro seja diferente, carregando si uma identidade.

“Eu estou aqui para incentivar as pessoas a colocarem o livro como parte do seu processo de trabalho”, finalizou.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

[INSCRIÇÕES ENCERRADAS] Inscrições abertas para oficina com José Diniz

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O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia abriu inscrições para a oficina “Experiência: [foto] livro de artista” que será ministrada pelo fotógrafo José Diniz, no período de 12 a 14 de setembro, das 09 às 12h, no Museu da UFPA. As inscrições são gratuitas e serão feitas somente pelo site www.diaricontemporaneo.com.br.

O livro é um espaço onde o artista tem a possibilidade de expressar suas ideias, experimentações, reflexões e formas visuais baseadas no contexto dos seus projetos.

Foto: José Diniz

Segundo José, a oficina “tem como objetivo demonstrar práticas e caminhos para a produção do livro de artista tendo como base a sua própria experiência. Durante o curso também serão apresentados alguns conceitos e experiências de alguns artistas mundo afora”.

Na ação formativa alunos terão a oportunidade de ouvir sobre vários projetos desenvolvidos pelo artista e as respectivas soluções tendo o livro como produto final.

José Diniz integra a mostra “Interseções, 2010/2019” com “Travessia”, trabalho fruto de uma visita à região em que Guimarães Rosa descreve a desafiadora e difícil travessia do Liso do Sussuarão no seu livro Grande Sertão: Veredas. Um espaço físico e simbólico da travessia da vida. O ensaio é parte do projeto Sertão Cerrado.

O ARTISTA

Nascido em Niterói, José Diniz atualmente mora no Rio de Janeiro. Fez pós-graduação em Fotografia na Universidade Cândido Mendes. Em 2012, foi contemplado pelo prêmio Funarte – Marc Ferrez de fotografia, com o projeto Maresia e a Menção Honrosa no Concurso Fotolivro Iberoamericano – RM Editor Barcelona. Expôs pelo Diário Contemporâneo em 2010, 2011, 2018 e, agora, em 2019.

SERVIÇO: Diário Contemporâneo inscreve para oficina com José Diniz. As inscrições são feitas pelo site www.diariocontemporaneo.com.br. Vagas limitadas. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale. Informações: (91) 3184-9310; 98367-2400; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

RETROSPECTIVA – 2015: A imagem e o tempo

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Com o objetivo de encontrar obras que estabelecessem dinâmicas de mobilidade da imagem, a 6ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia trouxe o tema “Tempo Movimento”.

Desde que eram somente mídias analógicas, a fotografia e o cinema sempre foram referências conceituais mútuas. Porém, com explosão da tecnologia digital, uma convergência dessas mídias fez com que o processo se acentuasse e, assim, vemos hoje uma forte aproximação da linguagem fotográfica com a audiovisual.

That_crazy_feeling_in_America - Foto - Marco A.F.
That crazy feeling in America, de Marco A.F., premiado em 2015

A diferença entre as mídias, suas individualidades e suas identidades lhes empurraram para um sistema de parceria, no qual algo que uma linguagem não tenha em sua natureza, é facilmente absorvido da outra, se complementando. O que foi visto na sexta edição foi justamente isso, narrativas visuais mais fluidas, de caráter multimídia, principalmente com a elasticidade de uma imagem digital.

O JÚRI

A comissão de seleção foi formada pela fotógrafa e pesquisadora no campo da imagem, Lívia Aquino, doutora em Artes Visuais e mestre em Multimeios pela UNICAMP. Ela, que coordena e leciona na pós-graduação em Fotografia da FAAP-SP, realizou a primeira palestra da programação da 6ª edição. “Enunciados de um mundo-imagem [ou o que poderia ser um selfie de todos nós]”, trouxe uma reflexão que evidenciou um amplo sentido para o fotográfico no modo de vida contemporâneo, apontando um hibridismo tanto entre os sujeitos dessa história como pelos meios utilizados para se fazer o que ainda pode ser nomeado como fotografia.

Marisa Mokarzel, curadora, crítica e pesquisadora em Artes também integrou o júri. Ela é doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e mestre em História da Arte pela UFRJ, além de professora e pesquisadora do mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura e professora de História da Arte, ambos da UNAMA.

Val Sampaio, artista visual, produtora e curadora independente, foi a terceira integrante da comissão. Ela é professora do Instituto de Ciências da Arte da UFPA, na faculdade e no mestrado de Artes Visuais. É mestre e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e também tem pós-doutorado em Poéticas Digitais pela ECA-USP.

 

ARTISTA CONVIDADA

“Diante das cidades, sob o signo do tempo”, foi o nome da mostra de Jorane Castro, artista convidada da edição. Ter uma cineasta como homenageada reforçou o objetivo do Diário Contemporâneo em aumentar o diálogo da fotografia com as outras linguagens e ultrapassar as fronteiras entre elas, tendo como resultado uma produção artística mais hibrida.

Jorane é diretora, roteirista, produtora e professora do curso de Cinema e Audiovisual da UFPA. Ela coordena a Cabocla Produções e desenvolve pesquisas na área da linguagem audiovisual, privilegiando a Amazônia.

O que foi visto na exposição foram trabalhos inéditos da artista, desde fotos em preto e branco, uma fotografia urbana e muito sombria, na qual a artista transformava as pessoas em personagens das suas sequencias fotográficas; além experimentações atuais com a câmera do celular. Algumas micronarrativas ganharam um movimento muito interessante no suporte do vídeo.

O bate-papo “Fotografia, cinema e o tempo” foi um relato das experiências da cineasta, que desde muito nova esteve envolvida com o fazer fotográfico, reconhecendo que sua referência estética passa muito pela conexão com a fotografia de Belém.

Foto: Victor Saverio

PREMIADOS E SELECIONADOS

Os selecionados e premiados refletiram os questionamentos mais diversos a respeito do tempo, sua inconstância e força na vida. 400 trabalhos foram enviados, um número que cresceu em relação às quatro edições anteriores com tema.

“Prêmio Tempo Movimento” foi para “That Crazy Feeling In America”, do gaúcho Marco A. F., uma instalação composta de doze fotos e um vídeo. A série apresentou paisagens e situações comuns ao imaginário dos EUA. Imagens e textos foram extraídos de filmes hollywoodianos problematizando as possibilidades de reconfiguração do movimento fílmico em imagens e textos que, deslocados de seu contexto original, adquirem temporalidades e significações distintas.

Já o “Prêmio Diário Contemporâneo” foi para a obra “Loess”, da paraense Marise Maués. A performance foi produzida em 2015, na Ilha ribeirinha de Maracapucu Miri, município de Abaetetuba, de onde ela é egressa. Nela a artista se propôs a ficar por sete horas ininterruptas no leito de um igarapé. Relações com outras linguagens e novas sintaxes na representação fotográfica foram vistas neste trabalho.

Por último, o “Prêmio Diário do Pará” foi para a instalação “Horizonte Reverso”, do paraense Dirceu Maués, que desde 2003 desenvolve trabalho autoral nas áreas da fotografia, cinema e vídeo, os quais têm como base pesquisas com a construção de câmeras artesanais e utilização de aparelhos precários. O trabalho premiado foi uma parede de câmeras escuras empilhadas que apontavam para o mesmo lugar, em uma experiência na qual a imagem perfez um caminho de volta, em direção à imaterialidade.

Além dos premiados, estiveram presentes na exposição, as obras dos selecionados Andrea D’Amato (SP), Carolina Krieger (SP), Daniela de Moraes (SP), Edu Monteiro (RJ), Elaine Pessoa (SP), Felipe Ferreira (RJ), Pio Figueiroa (SP), Gui Mohallem (SP), Guy Veloso (PA), Isis Gasparini (SP), José Diniz (RJ), Solon Ribeiro (CE), Júlia Milward (RJ), Karina Zen (SC), Lara Ovídio (RN), Marcelo Costa (SP), Marcílio Costa (PA), Pedro Cunha (PA), Pedro Veneroso (MG), Sergio Carvalho de Santana (CE), Tiago Coelho – Régis Duarte (RS), Tom Lisboa (PR), Tuca Vieira (SP) e Victor Saverio (RJ).

Ramon Reis, Véronique Isabelle e Rafael Bandeira foram as três participações especiais que também integraram a mostra.

Experimentações na oficina de Ionaldo Rodrigues. Foto: Iza Rodriguez

AÇÕES

“Escavar, recordar: narrativas fotográficas a partir de reapropriações e laboratório de Cianotipia” foi o workshop realizado por Ionaldo Rodrigues. Nele, o artista propôs discussões a partir de leituras de imagens e experimentações dos participantes com a Cianotipia, processo de impressão fotográfica desenvolvido no século XIX. A ideia foi se aproximar do passado e experimentar novas possibilidades com a imagem fotográfica.

Philippe Dubois, um dos principais pesquisadores no campo da estética da imagem, esteve presente em Belém para ministrar a palestra “De Etienne-Jules Marey a David Claerbout, ou como o tempo fotográfico jamais deixou de ser assombrado pelo trabalho do movimento da imagem”. Ele debateu sobre essa visão dominante que estruturou diversas oposições entre as linguagens. Em sua palestra ele observou que nos anos 70, as coisas pareciam bem entrincheiradas entre a fotografia e o cinema.

O PROJETO

Em 2019, o Diário Contemporâneo comemora uma década de atuação. Ele se tornou um dos grandes editais de competição do país, além de consolidar o Pará como um espaço de criação e reflexão em artes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, parceria da Alubar e patrocínio da Vale.

Diário Contemporâneo aproxima crianças e adolescentes da fotografia

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Desde a sua primeira edição, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia tem o objetivo de estimular reflexões e debates a partir do contato com a arte. Os museus que recebem as mostras têm uma ação educativa totalmente pensada para as turmas escolares que as visitam. Além disso, o projeto tem expandindo a sua atuação para fora dos espaços expositivos.

No último dia 03, o Mercado do Porto do Sal recebeu a exposição “Um convite para [o] olhar” resultado de uma oficina homônima realizada por meio de uma parceria entre Diário Contemporâneo, Associação Fotoativa e Projeto Aparelho.

José Rosenildo foi um dos jovens que integrou o projeto no Porto do Sal e no último domingo exibia todo orgulhoso a foto que produziu. Foto: Irene Almeida

As crianças da comunidade produziram fotografias daquilo que mais achavam bonito no lugar onde vivem e tudo foi exposto em uma fotoinstatalação com câmaras obscuras que abrigavam histórias dentro e fora delas. “Eu gostei muito de ver a minha foto na caixa. Ficou muito legal e eu fiz umas fotos bacanas”, contou Talisson Tavares que em suas imagens mostrava desde uma garça voando no porto até um grafite de onça-pintada no muro.

Quinze crianças participaram da oficina e um mural com o retrato de cada uma delas foi feito. Era divertido se ver e reconhecer os amigos. Os próprios pequenos guiavam para apresentar suas fotos assim como fizeram com as facilitadoras durante a oficina. Dandara Ataíde nunca tinha tido a experiência de fotografar as ruas que vê diariamente. A câmara obscura também foi uma divertida novidade para ela. “Eu gostei muito de ver as fotos que fiz junto da caixa. Gostei da oficina, da experiência, de tudo”, disse.

A comunidade estava aberta à ação artística e se mostrou interessada em todo o processo. Parentes, amigos e outros moradores apareciam para ver o que estava acontecendo no Mercado e se surpreendiam com as produções das crianças.

“Foi uma das melhores coisas que já aconteceu aqui. Quando tem oficina todo mundo gosta. Eles aprendem e eu aprendo também”, comentou Dona Graça, dona de uma fruteira no box 2 do Mercado e que acompanhou de perto todo o trabalho realizado com as crianças.

Imagem feita durante a oficina feita pelo Diário Contemporâneo, Fotoativa e Coletivo Aparelho. Foto: José Roberto

DENTRO DOS MUSEUS

As exposições da 9ª edição seguem abertas e desde a sua inauguração os mediadores culturais atuam diariamente recebendo o público visitante. “Felicidade é trabalhar com o que se gosta”, afirmou Denise Sá que pelo segundo ano consecutivo repete a experiência de atuar na ação educativa do projeto.

“Tempo para duvidar: por uma formação de espíritos livres” é a proposta educativa desta edição e tem o compromisso com a formação de cidadãos de pensamento crítico e abertos ao diálogo entre arte e sociedade. A partir das obras, temáticas contemporâneas são debatidas com alunos e professores.

Os educadores que queiram levar as suas turmas podem solicitar o agendamento das visitas pelo site ou no telefone 4009-8695, no horário de 10 às 15h. As solicitações estão sujeitas à disponibilidade de agenda. Após o cadastramento de informações no site, todos os pedidos serão respondidos por email ou telefone.

VISITAÇÃO

A exposição “Realidades da Imagem, Histórias da Representação” exibe os trabalhos premiados, selecionados e participações especiais da 9ª edição do Diário Contemporâneo. As obras ficam no Museu do Estado do Pará – MEP. Além disso, o Museu da UFPA recebe a mostra individual “Lapso”, com trabalhos de Flavya Mutran, artista convidada e a mostra de videoarte “Audiovisual Sem Destino”, projeto de Elaine Tedesco. A visitação segue até dia 15 de julho.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu da UFPA, Museu do Estado do Pará, Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e colaboração da Sol Informática.

Diário Contemporâneo realiza Conversa com Rosely Nakagawa na próxima terça

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Com décadas de trabalho dedicadas à curadoria em fotografia a paulista Rosely Nakagawa desembarca em Belém para um encontro com o público paraense. Com entrada franca, a programação “Trajetória da curadoria de fotografia brasileira – uma conversa com Rosely Nakagawa” será realizada nesta terça (15), às 19h, no Museu do Estado do Pará. A mediação será de Mariano Klautau Filho, curador do projeto.

Corredor Casa Bruno de Menezes, 1998. Foto: Luiz Braga

No encontro serão debatidos temas como curadoria, mercado, coleções fotográficas e como tudo isso se relaciona com aqueles que produzem as imagens.

A associação entre curador e artista é fundamental no cenário artístico atual. Mais do que um editor, o curador se mostra como alguém que trabalha em conjunto, ativando a percepção do fotógrafo, além de propor situações e questionamentos que façam ele refletir sobre o trabalho desde o seu conceito até a apresentação final.

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Rosely conversará com o público sobre seu trabalho com os artistas da fotografia e sobre a valorização da atividade curatorial como um campo de reflexão sobre arte.

COLEÇÃO DE FOTOGRAFIAS

A formação de coleções fotográficas é uma atividade que vem crescendo junto da discussão sobre curadoria. Uma vez que ao optar por fazer a guarda de fotografias, o colecionador torna-se alguém que guarda também a memória.

Com esse pensamento, em 2016 o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia apresentou ao público a coleção de fotografia contemporânea que vem construindo desde o início do projeto ainda em 2010. Uma coleção compartilhada sob a guarda do Museu da UFPA e do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Uma coleção em constante processo de atualização e que conta com trabalhos de artistas de todas as regiões do país em diferentes suportes e linguagens.

Foto: Luis Alves, Fortaleza/CE.

ROSELY NAKAGAWA

É arquiteta pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP/SP, com especialização em Museologia (USP) e em Semiótica da Comunicação (PUC/SP). Sócia fundadora das edições João Pereira (1974), curadora fundadora da galeria Fotoptica de 1979 até 1986, foi curadora da Casa da Fotografia Fuji e das galerias FNAC. Atua como curadora independente. Realizou exposições em capitais brasileiras e em São Paulo atua nos espaços culturais SESC, Caixa Cultural, MASP, Pinacoteca do Estado, Centro Cultural Vergueiro, Cinemateca Brasileira, Itaú Cultural, Fundação Bienal, entre outras galerias particulares. No exterior foi curadora de mostras nos Estados Unidos, Japão, França, Portugal, Argentina, México, Montevideo, além de ter sido cocuradora, com Guy Veloso, da mostra Extremos, na Europalia, em Bruxelas.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu da UFPA, Museu do Estado do Pará, Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e colaboração da Sol Informática.

SERVIÇO: Diário Contemporâneo realiza Conversa com Rosely Nakagawa. Data: 15 de maio de 2018, às 19h. Local: Museu do Estado do Pará. Endereço: Praça D. Pedro II, s/n. – Cidade Velha. Entrada franca. Informações: (91) 3184-9310;98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Site: www.diariocontemporaneo.com.br.

Inscrições para a nona edição entram na sua reta final

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As inscrições para a 9ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foram prorrogadas até o dia 26 de março. O Projeto concederá três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo dois deles na forma de bolsa para residência artística nas cidades de São Paulo e Belém. O edital com a ficha de inscrição está disponível no link.

“Vivaz”, série premiada de Guido Couceiro Elias

A greve dos correios adiou em alguns dias o encerramento das inscrições. Mariano Klautau Filho, curador do Projeto, considera que “uma prorrogação sempre funciona a favor do artista, para que ele possa se organizar mais e mandar o seu material. Portanto, sempre terá um lado positivo apesar de mexer no nosso cronograma geral. Acredito que o resultado é termos muito mais opções e diversidade de trabalhos para selecionar”.

Os trabalhos terão como ênfase a temática “Realidades da Imagem, Histórias da Representação”. O tema escolhido tem como objetivo selecionar e premiar obras que proponham uma reflexão ampla sobre a prática social por meio da arte e o fazer artístico como expressão histórica.

Sobre o que espera para esta nona edição de um projeto que já se firmou como um dos grandes editais de fotografia e arte do país, Mariano acrescenta que suas expectativas são “as melhores possíveis, além da curiosidade em como os artistas vão interpretar a proposição temática este ano. Digo isso porque a fotografia sempre estabeleceu com a vida social uma relação muito intensa, e as questões da representação da realidade estão sempre em pauta quando falamos do signo fotográfico”, explica.

RESIDÊNCIA ARTÍSTICA

Pelo segundo ano consecutivo o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia concede dois de seus prêmios na forma de bolsa para residência artística. Sobre isso, Mariano comenta que “é importante continuar a experiência das residências, porque estamos desenvolvendo uma experiência nova, aprendendo a lidar com essa dinâmica. É um aprendizado que abre a possibilidade de o artista estabelecer relações com outros ambientes distintos de seu lugar de origem. A residência no Diário Contemporâneo é um laboratório para todos nós”, afirma.

Fotografia produzida por Guido Couceiro Elias durante a residência em São Paulo

Em 2017, da Bahia, Hirosuke Kitamura veio para Belém e o paraense Guido Couceiro Elias foi para São Paulo. “Depois de quase um ano da residência, percebi que ela foi um marco na minha vida, não apenas pela importância do prêmio, mas pela experiência em si, pelo o que ela mexeu comigo. Não foi fácil para mim ir a São Paulo com 18 anos, ainda não tendo iniciado os estudos na faculdade de Artes Visuais. Foi uma espécie de pulo, me colocou em uma realidade que eu não estava pronto ainda, mas se não fosse a residência, talvez eu não estivesse pronto para essa realidade hoje. Foi um momento muito especial”, lembra Guido.

Serão selecionados no máximo vinte artistas, incluindo os três premiados. O artista poderá inscrever-se livremente e concorrer a qualquer um dos prêmios de acordo com a sua linha de trabalho. O edital abre espaço também para propostas em vídeo, instalações, projeções e trabalhos que misturam suportes.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional realizado pelo jornal Diário do Pará, com apoio da Vale, apoio institucional do Museu do Estado do Pará – MEP, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA e do Museu da UFPA.

SERVIÇO:  O IX Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até dia 26. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.