As poéticas dos artistas no encontro com Guy Veloso, Jorane Castro e Janduari Simões

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Por: Debb Cabral

A noite da quinta-feira (09) foi marcada pelo segundo dia de encontros promovidos pela programação “Poéticas, fotografia e mu seus”, do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. O Museu da UFPA recebeu os artistas Guy Veloso, Jorane Castro e Janduari Simões para falar sobre seus trabalhos que integram a Coleção de Fotografias do projeto e suas trajetórias artísticas.

Guy Veloso comentou sobre a série “O Teatro do tempo”, exibida no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. “Eu sempre fotografei a religiosidade, mas percebi que também tem outras imagens que falam”, observou. Essa série era totalmente inédita até ser submetida ao júri do Diário Contemporâneo em 2015. Ele ainda não se reconhece plenamente nesse trabalho que enxerga como um ensaio amoroso, uma fotografia que vai para a abstração, não só da geografia, mas também da forma. As imagens da série não têm legendas e o forte caráter documental dos seus projetos anteriores.

Jorane Castro, Guy Veloso e Janduari Simões - Foto - Irene Almeida
Foto: Irene Almeida

Esse não-lugar, não identificado, não contextualizado também tem algo a dizer. “O lugar é o que carregamos dentro da gente”, observou o artista Alexandre Sequeira sobre o trabalho de Guy.

Já Janduari Simões trouxe fotografias do seu arquivo, feitas na época em que o fotografo baiano e chegou à capital paraense na década de 70. São pedaços de Belém, uma Belém que muitos não viram, mas que sentem saudades. Ao comparar com a cidade dos dias atuais o público presente viu imagens que militam contra a violência e o abandono.

Muita coisa mudou desde que o olhar estrangeiro capturou pelo primeiro impacto o pitoresco da cidade. Esse olhar de fora que conseguiu captar a cidade que se perdeu surpreende até mesmo o próprio artista. “Hoje eu fotografo em digital e não mais em preto e branco, então, quando eu olho uma imagem assim, eu ainda me surpreendo com o que eu fiz”, disse.

Jorane Castro, que é cineasta e começou seus experimentos na fotografia discutiu principalmente a nossa relação com a cidade. “Como é que a gente herda uma cidade como Belém e não cuida dela?”, questionou ao falar dessa cidade que adoece diante dos nossos olhos.

Jorane hoje dedica sua vida ao cinema, mas a fotografia e a sua lógica ainda se fazem presentes no processo criativo da artista. “Eu fotografo para ter e para guardar uma ideia. Eu faço a fotografia como um processo para chegar onde eu trabalho, que é no cinema”, explicou acrescentando que para ela as fotografias funcionam como “anotações visuais” e referências para futuros trabalhos.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA).

Em imagens, o mistério da fé

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> Fotografia da série “Penitentes”, de Guy Veloso

Para compor a série “Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo”, o fotógrafo Guy Veloso foi até comunidades distantes do interior do país e lá passou vários períodos, como Semana Santa e Dia de Finados, em busca de grupos que ainda hoje realizam rituais de penitência.

Foram oito anos para fotografar 118 grupos em todas as cinco regiões do Brasil. Mas até chegar à completude, Guy construiu uma rede de informações e contatos necessários para planejar suas viagens e obter permissão para fotografar. O percurso deste projeto será o cerne da oficina “Fotografia Documental”, o segundo curso oferecido pelo II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas presencialmente no Museu da UFPA, até 11/03.

Saber como elaborar um projeto de pesquisa e de realização de um ensaio deste gênero é o primeiro passo para a consolidação de um trabalho, segundo o próprio ministrante. Com o recorte do projeto “Penitentes”, densa pesquisa iniciada em 2002, Guy foi convidado pelos curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias para compor a mostra oficial da 29ª Bienal de São Paulo em 2010.

Para a oficina, o fotógrafo vai mostrar como se desenvolveram as pesquisas prévia e de campo. “Vou falar sobre como elaborar um projeto prático de fotografia documental e das fases que envolvem o planejamento, desde a escolha do tema, até a pré-produção, os contatos, a exibição, pós-produção, etc”, explica. Além disso, a oficina também prevê elementos que envolvem, por exemplo, técnicas de abordagem pessoal.

PESQUISA

Para fotografar os grupos de alimentadores das almas, como também são conhecidos os penitentes, Guy precisou contatar antes historiadores, sociólogos, antropólogos, e entidades como secretarias de cultura municipais, além de representantes dos próprios grupos. Antes de fotografar, sempre procura conversar com os fotografados, entender como se dá o ritual, imaginar qual a melhor localização para fotografar, qual fonte de luz aproveitar.

“Meu equipamento é discreto e o primeiro contato é sem a câmera. Já fiquei quatro anos para obter autorização e quando consegui o pneu do carro que eu estava furou”, conta. Isso aconteceu em Juazeiro, na Bahia. O nordeste foi a região onde tudo começou e onde se tem maior registro de penitentes. Mas em 2009 Guy começou a supor poderiam existir penitentes nas cinco regiões brasileiras.

Jamais pesquisador algum divulgou essa informação. Guy Veloso testemunhou os grupos religiosos de norte a sul. A pesquisa foi o suporte essencial para a realização do projeto, que no início era intuitivo. “Agora é tudo mais sistematizado. O estudo é fundamental. É importante sempre querer saber mais sobre o assunto, tanto historicamente quanto emocionalmente. O ensaio sai sempre melhor”, destaca o fotógrafo.

Exemplos do envolvimento emocional foram algumas intempéries no meio do projeto, como acidente de carro em Sergipe, furto de uma câmera filmadora em Aracajú, dengue em Oriximiná, depressão no Ceará em decorrência do tema e brigas por telefone com a então namorada. “Nunca pensei em desistir, mas uma vez já `dei um tempo’, saí de Juazeiro com raiva, estava ficando tenso demais com os cânticos tristes e evocações à morte. Fui para Recife, para a praia e fiquei apenas dois dias. Voltei correndo para lá, para o sertão, para o meu tema”.

PARTICIPE

Oficina “Fotografia Documental”, com Guy Veloso. Inscrições gratuitas no Museu da UFPA (Av. José Malcher,1192, Nazaré). Período da oficina: 22 a 26/03. Informações: 3224-0871.

SAIBA MAIS

Guy Veloso
www.fotografiadocumental.com.br

(Texto: Assessoria de Comunicação)

Abertas as inscrições para “Fotografia documental”

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> Imagem da série “Penitentes”, de Guy Veloso

Estão abertas as inscrições para a oficina “Fotografia Documental”, que será ministrada por Guy Veloso, experiente foto-documentarista.

O curso objetiva a realização de um projeto temático de média e longa duração, desde a sua concepção, passando por fases como a pesquisa, a realização, a exibição e a pós-produção. O autor terá como exemplo-base o projeto  “Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo”, desenvolvido pelo fotógrafo entre 2002 e 2010.

No projeto, o artista documentou nada menos que 118 grupos religiosos de caráter secretos, nas cinco regiões do país. O ensaio foi exposto recentemente na 29ª Bienal Internacional de São Paulo/2010.

Também serão abordados temas como técnicas de abordagem, ética fotográfica, mercado de fotografia autoral e apresentação de projetos para galerias e museus.

Sobre o artista

Guy Veloso, é fotógrafo desde 1988. Seu trabalho enfoca a religiosidade brasileira. Possui obras nos acervos da University of Essex Collection of Latin American Art, Colchester-Inglaterra; Centro Português de Fotografia, Porto-Portugal; Coleção Joaquim Paiva, entre outros. Em 2005 integra o livro “História Visual – Fotografia no Brasil, Um olhar das Origens ao Contemporâneo”, de Ângela Magalhães e Nadja Peregrino. Entre 2005 e 2007 sua mais recente individual, “Entre a Fé e a Febre: Retratos”, itinerou pelo Brasil, Argentina, Chile e Alemanha.

PARTICIPE

Até o dia 11 de março, inscrições abertas para a oficina “Fotografia Documental”, com Guy Veloso. A atividade será realizada entre 22 e 26. Informações: 3224-0871 / 3242 – 8340. Todas as atividades são gratuitas.

(Texto: Assessoria de  Comunicação)