O suporte para a vivência artística na Conversa com os Residentes

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Os residentes Ricardo Ribeiro e Ionaldo Rodrigues, na companhia de Marisa Mokarzel e Lívia Aquino, suas respectivas tutoras, compartilharam com o público as experiências das residências artísticas realizadas em São Paulo e Belém. A conversa ocorreu na ultima quinta-feira (21), no Museu do Estado do Pará, com mediação de Mariano Klautau Filho, curador do projeto.

Os residentes, suas tutoras e o curador do projeto. Fotos: Irene Almeida.

Antes disso, Lívia Aquino apresentou o seu trabalho “Viva Maria”, que integra a mostra da nona edição como participação especial. Ele é uma citação direta a obra homônima de Waldemar Cordeiro, exposta na Bienal de Artes da Bahia de 1966, período da ditadura militar e que foi retirada pelo então governador Antônio Carlos Magalhães. “O contexto no qual o trabalho do Waldemar foi feito fez todo o sentido para mim, esse contexto me interessava muito. Eu fiquei olhando essa palavra e, no momento atual, tirar ela do singular e trazer para o plural era muito pertinente”, explicou.

Lívia Aquino falou sobre “Viva Maria”.

Lívia buscava não uma ideia de ponte entre dois momentos históricos, mas sim, de continuidade. “Passam os anos e nós ainda estamos nos mesmo problemas”, acentuou. “Viva Maria” é uma forma de resistência, um trabalho que acontece continuamente, inclusive, nos momentos de diálogo, onde as costuras e tessituras pessoais que são realizadas.

Na sequência, o curador do projeto explicou como se deu o processo da residência artística nessa edição. Mariano Klautau Filho enfatizou que “não há a obrigação de proporcionar um resultado e sim uma experimentação, pois cada um parte da sua própria dinâmica”. Isso dá aos artistas o suporte necessário para se dedicar à vivencia.

Público observa os processos dos artistas.

Foi o que aconteceu com Ricardo Ribeiro, que atuou em Belém com o acompanhamento de Marisa Mokarzel. Ele estava há dois anos trabalhando em “Puxirum”, premiado nesta edição do projeto, e aproveitou o período da residência para se debruçar sobre o que foi produzido. “Aqui em Belém eu consegui focar no projeto com a ajuda de muita gente que estava disposta a participar e a colaborar”, contou o artista. “O Ricardo tem pouco tempo na fotografia e esse pouco tempo já é muito marcante. Ele faz da fotografia um projeto de vida”, observou Marisa.

Sobre a residência de Ionaldo Rodrigues, da qual foi tutora em São Paulo, Lívia Aquino disse que colocou o artista em contato com uma rede de pessoas que pudessem colaborar com as reflexões que ele trazia. O paraense iniciou um trabalho a partir do arquivo/biblioteca da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A – EMPLASA, fonte de pesquisa e referência a qual chegou ainda durante a produção de “C Nova Feira”, premiado nesta edição. “Esse não é só um trabalho de arquivo, há uma inteligência poética por parte do Ionaldo que merece ser olhada com todo cuidado”, frisou Lívia.

Os residentes conversam sobre seus trabalhos e as experiências vividas.

“Eu nunca tinha tido a experiência de passar um mês, deslocado de tudo, pensando em um trabalho”, observou Ionaldo, ressaltando o papel fundamental do Diário Contemporâneo como incentivador na formação artística. Tanto “C Nova Feira” quanto a pesquisa realizada no acervo da EMPLASA trazem reflexões do fotógrafo sobre expansão urbana, memória, técnica e política.

Ao trabalhar com a macrofotografia em um relatório, o paraense tornava as palavras, imagens; escavava e destacava de seu contexto, criando novos significados e narrativas visuais. Tudo isso para atentar sobre a urbanização das zonas periféricas. “É uma infraestrutura que vem muito mais para viabilizar um fluxo econômico do que social. É para olhar quantas decisões técnicas e de engenharia são tomadas com interesses econômicos, quantos desequilíbrios ambientais são frutos de interesses econômicos e políticos”, finalizou.

Detalhe da pesquisa realizada por Ricardo Ribeiro.

VISITAÇÃO

A exposição “Realidades da Imagem, Histórias da Representação” exibe os trabalhos premiados, selecionados e participações especiais da 9ª edição do Diário Contemporâneo. As obras ficam no Museu do Estado do Pará – MEP. Além disso, o Museu da UFPA recebe a mostra individual “Lapso”, com trabalhos de Flavya Mutran, artista convidada e a mostra de videoarte “Audiovisual Sem Destino”, projeto de Elaine Tedesco. A visitação segue até dia 15 de julho.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu da UFPA, Museu do Estado do Pará, Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e colaboração da Sol Informática.

Diário Contemporâneo promove Conversa com os Residentes

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Em 2017, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia concedeu dois dos seus prêmios no formato de residência artística. A aposta em uma experiência de formação e reflexão foi tão positiva que, em 2018, o conceito foi mantido. Os artistas premiados nesta edição, Ionaldo Rodrigues e Ricardo Ribeiro, além de Lívia Aquino e Marisa Mokarzel, suas respectivas tutoras, conversarão com o público de Belém sobre todo o processo. O encontro será no dia 21 de junho, às 19h, no Museu do Estado do Pará, com mediação de Mariano Klautau Filho. A entrada será franca.

O paraense Ionaldo Rodrigues foi para São Paulo e teve a artista e pesquisadora, Lívia Aquino, como tutora. Ele conquistou o Prêmio Residência Artística São Paulo com a sua pesquisa “C Nova Feira”, na qual apresenta um material fotográfico que conta um pouco da história local.

Edição de imagens na residência artística em São Paulo. Foto: Ionaldo Rodrigues

Durante o seu período de residência ele, a partir do convite de Lívia, participou de atividades formativas como aulas, curso e encontros de grupos de acompanhamento de produção e pesquisa. “Nesses encontros eu pude falar e mostrar um pouco o ‘C Nova Feira’ e outros trabalhos meus. Tive uma mediação crítica muito produtiva sobre os trabalhos e também escuta e troca sobre a produção de outros artistas”, conta.

Paralelo a esses momentos, o artista iniciou um trabalho a partir do arquivo/biblioteca da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A – EMPLASA, fonte de pesquisa e referência a qual chegou ainda durante a produção de ‘C Nova Feira’. “No acervo físico da EMPLASA pude trabalhar com a reprodução fotográfica em macrofotografia de relatórios e planos diretores como fonte documental e espaço de investigação de sentidos entre palavra/imagem. A pesquisa desse material me levou a outro acervo, aos números da revista semanal Visão publicados durante a década de 1970, e disponibilizados pela biblioteca da ECA/USP. O acompanhamento desse trabalho e a edição em curso (nas fotos) está sendo feito com a participação da Lívia. A ideia que combinamos para conversa no Prêmio é o compartilhamento desse processo de produção/edição com as primeiras cópias de trabalho dispostas em uma mesa”, explica.

VIVÊNCIA EM BELÉM

Já o paulista Ricardo Ribeiro levou o Prêmio Residência Artística Belém e atuou na capital paraense tendo como tutora a curadora e pesquisadora, Marisa Mokarzel. Seu trabalho vencedor, “Puxirum”, tem lugar em São Pedro, uma comunidade de 120 famílias nas margens do rio Arapiuns, oeste do Pará.

Processos de reflexão na residência em Belém. Foto: Ricardo Ribeiro

“A residência foi excepcional e para mim veio num momento especial. Tendo concluído dois anos de trabalho de campo de ‘Puxirum’, eu precisava de tempo e foco para investigar o material produzido. Além disso, Belém se mostrou para mim uma cidade incrivelmente ativa do ponto de vista cultural. Vi e ouvi muita coisa boa e conheci pessoas incríveis, sempre dispostas a dar sua contribuição ao meu trabalho. Marisa Mokarzel, Paula Sampaio, Luiz Braga, Orlando Maneschy, José Viana e Marcone Moreira, meu ‘vizinho de residência’, são apenas algumas dessas pessoas que me ajudaram com o meu processo de criação. Isso sem falar, claro, no Mariano Klautau Filho, na Irene Almeida, no meu anfitrião, Milton Kanashiro, e todos na Fotoativa – eles verdadeiramente me conduziram pelas artes de Belém ao longo destes 40 dias”, comenta.

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A residência é uma forma de se apoiar e incentivar o desenvolvimento e a reflexão a partir das artes. “A troca entre artistas é fundamental. A arte não é uma ciência exata, não há certo e errado, nem verdades absolutas, é impossível aprender só pelos livros. A troca de experiências, percepções, conceitos e o ‘fazer’ são partes essenciais na formação de um artista e por isso a residência é tão importante – acredito muito nisso. Espero que o Diário Contemporâneo se fortaleça cada vez mais como um incentivador da formação de artistas comprometidos e que outras iniciativas semelhantes se espalhem pelo Brasil”, finaliza.

BANDEIRAS

Antes da conversa sobre a residência artística Lívia Aquino falará sobre “Viva Maria”, trabalho com o qual ela integra a exposição do MEP como convidada. Ele é uma citação direta à obra homônima de Waldemar Cordeiro, exposta na Bienal de Artes da Bahia de 1966, período da ditadura militar e que foi retirada pelo então governador Antônio Carlos Magalhães. “Cinquenta anos depois ela torna-se imagem frequente nas redes sociais associada a ‘canalhocracia’ escancarada no Brasil. O meu esforço é para mobilizar grupos distintos dispostos a costurar e conversar acerca de assuntos relevantes para os presentes, aquilo que pode ser de todos. Coser a palavra e ao mesmo tempo falar sobre quando somos feridos por ela – quando a canalhice é estrutural a ponto de respingar em todos nós”, explica a artista.

SERVIÇO: Diário Contemporâneo realiza Conversa com os Residentes. Data: 21 de junho de 2018, às 19h. Local: Museu do Estado do Pará. Endereço: Praça D. Pedro II, s/n. – Cidade Velha. Entrada franca. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará com apoio da Vale, apoio institucional do Museu da UFPA, Museu do Estado do Pará, Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e colaboração da Sol Informática. Informações: (91) 3184-9310;98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Site: www.diariocontemporaneo.com.br.

A Experiência da Residência: entrevista com Guido Couceiro Elias

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Estudante do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará, Guido Couceiro Elias ganhou o “Prêmio Residência Artística em São Paulo” nesta 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Durante mais de um mês ficou imerso na maior capital do país sob a orientação de Lívia Aquino e apoio do Condomínio Cultural.

Fotos: Guido Couceiro Elias

No Espaço Cultural Casa das Onze Janelas ele exibe “Vivaz”, sua série fotográfica premiada, que percorre retratos atuais e antigos da sua família, focando na memória, em seus integrantes mais idosos e nas relações destes que convivem juntos há mais de um século. Além disso, na sala do Laboratório das Artes podem ser vistas as suas produções mais recentes.

Diário Contemporâneo: A série premiada é bem intimista, realizada toda dentro de casa e o que você apresentou no Laboratório das Artes mostra uma vivência exterior pela cidade. Como você observa isso?

Guido: Acredito que isso se deu como uma necessidade minha em São Paulo, não tinha o aconchego do meu lar e tive que sair pra rua, voltar meu olhar para o externo, além do que lá eu era estrangeiro, tudo me fascinava. Agora, continuando esse exercício em Belém, vejo que foi muito importante me voltar para cidade. Consigo observar várias situações aqui que antes da residência eu não conseguiria.

Diário Contemporâneo: Você teve dificuldades? Quais foram?

Guido: Tive algumas sim. São Paulo é algo muito maior do que eu imaginava, eu não estava acostumado com algo tão grande, nunca tinha ido para lá. Algumas vezes me senti um nada naquela imensidão, tive crise de ansiedade e medo logo de princípio, mas aos pouco consegui lidar com aquilo tudo e aproveitar a cidade e o que ela proporcionava. No fim, fiquei apaixonado por São Paulo.

Diário Contemporâneo: Como se deu o relacionamento com a Lívia Aquino? De que forma se deu a sua vivência em São Paulo tendo ela como tutora?

Guido: A Lívia é uma pessoa incrível, foi muito proveitosa minha relação com ela em São Paulo. Ela é uma das pessoas em que me inspiro hoje em dia, uma pessoa extremamente inteligente, que me recebeu de braços abertos. Muito compreensiva, mas também muito provocativa. Com certeza essa vivência com ela me fez crescer e querer crescer cada vez mais.

Diário Contemporâneo: O que mudou em você depois da residência? E no seu olhar?

Guido: Eu mudei muito, parece que descobri uma outra parte minha. Minhas conversas com a Lívia, com Mariano, com a Irene e minha experiência em São Paulo me transformaram. Quero agora cada vez mais produzir, não só fotografia, mas escrever mais, estudar mais, experimentar outras linguagens, misturar linguagens como venho fazendo desde São Paulo, com textos e fotografias. A residência me abriu um leque de possibilidades que eu não considerava ou não enxergava.

Diário Contemporâneo: Como que você acha que essa experiência vai se manifestar nos seus próximos projetos?

Guido: Descobri uma diversidade libertadora, estou experimentando algumas coisas.

VISITAÇÃO

A exposição “Poéticas e Lugares do Retrato” exibe os trabalhos premiados, selecionados e participações especiais. As obras ficam divididas entre o Museu da UFPA e o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Além disso, o MUFPA recebe a mostra individual “Interiores”, com trabalhos de Geraldo Ramos, artista convidado. A visitação segue até dia 30 de junho, no MUFPA e 02 de julho, nas Onze Janelas.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Museu da Universidade Federal do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

Diário Contemporâneo promoveu o compartilhamento das residências artísticas

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O último evento da programação da abertura das mostras da 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foi uma “Conversa com os Residentes”, da qual participaram Hirosuke Kitamura e Guido Couceiro Elias, além de seus respectivos tutores, Alexandre Sequeira e Lívia Aquino. O encontro ocorreu na noite de 06 de maio, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e teve a mediação de Mariano Klautau Filho.

A residência artística, novidade desta edição, surgiu da inquietude do Projeto. “A ideia da residência vem da necessidade de experimentação e do incomodo de poder estar numa espécie de piloto automático, repetindo um modelo. A residência é um procedimento cada vez mais importante para a arte contemporânea”, afirmou Mariano.

Foto: Irene Almeida

A figura de um tutor, ou um pesquisador para acompanhar esse residente foi essencial, pois promoveu o debate e a reflexão. Segundo Lívia Aquino, sua atuação foi de orientação e provocação do artista. “O meu processo com o Guido foi direcionar ele a lugares em que ele pudesse ativar a sua percepção, sempre levando em conta o seu desejo artístico e a sua pratica”, contou.

O que é possível praticar em uma experiência que te desloca para um outro campo de ação e ambiente? Guido Couceiro Elias se relacionou com a cidade de São Paulo através das palavras. Ele escreveu a fotografia. “Eu notei que dava para fazer as imagens que eu estava vendo através da escrita. Comecei a escrever para continuar o processo iniciado pela fotografia e, quando percebi, fiquei mais próximo das pessoas através das palavras”, lembrou o artista.

MERGULHAR NA CIDADE

Em Belém, Alexandre Sequeira recebeu Hirosuke Kitamura em sua casa. O tutor observou que “o Prêmio, através da residência, oportuniza ao artista entrar em contato com um outro território. Os trabalhos que eles inscreveram foram premiados e estão na parede expostos, isso proporcionou um não compromisso com o resultado e sim com a experiência. Para mim, isso é interessante, pois eu também reflito como artista”, disse.

Hirosuke veio a Belém e imergiu na cidade, absorveu dela o máximo que pode, mas sempre com um movimento de retorno e de estabelecimento de relações. Ele conviveu intensamente com pessoas que não costumam habitar o espaço dos museus, mas que também tinham muito a contribuir.

O artista produziu centenas de imagens durante o período da sua residência e disse, “gostei muito de ter vindo na época das chuvas, porque eu pude ver como as pessoas convivem com ela de maneira natural. Eu consigo ter acesso a uma relação mais aberta com as pessoas e com o ambiente, sem máscaras”, finalizou.

Algumas das imagens que Hirosuke fez foram devolvidas a cidade em formato lambe lambe, afixadas em locais próximos aos da sua produção e daqueles com que o artista se relacionou.

VISITAÇÃO

A exposição “Poéticas e Lugares do Retrato” exibe os trabalhos premiados, selecionados e participações especiais. As obras ficam divididas entre o Museu da UFPA e o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Além disso, o MUFPA recebe a mostra individual “Interiores”, com trabalhos de Geraldo Ramos, artista convidado. A visitação segue até dia 30 de junho, no MUFPA e 02 de julho, nas Onze Janelas.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Museu da Universidade Federal do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

O verbo e a fotografia na oficina de Lívia Aquino

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A fotógrafa e pesquisadora no campo da imagem, Lívia Aquino, já tem uma relação antiga com o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Em 2012 foi selecionada para participar da mostra e, em 2015, foi integrante da comissão de seleção, além de realizar uma fala sobre a sua pesquisa na época. Agora, em 2017, Lívia retornou ao Projeto para ministrar a oficina “Fotografar a Fotografia”, que foi realizada nos dias 05 e 08 de maio, no auditório do Museu de Arte Sacra.

Foto: Flávia Bassalo

A artista iniciou pedindo que cada participante escolhesse um verbo que mais o representasse para se apresentar. Escrever, arquivar, desenhar, pensar, estudar. “Eu gosto dessa apresentação com os verbos porquê, de certa maneira, eles nos sacodem para observar as nossas ações”, explicou.

A ideia era refletir sobre as práticas, sejam elas pessoais, acadêmicas ou artísticas, além de debater a lógica da fotografia e como ela circula em diferentes contextos das práticas sociais. Estudantes, pesquisadores, artistas e professores constituíram o público da programação.

Como viver em um mundo com tantas imagens? O que fazer com todas elas? Para onde elas estão nos levando? Estes foram alguns dos questionamentos trazidos à tona.

Lívia Aquino e os participantes da oficina. Foto: Irene Almeida

Lívia Aquino usou como base para a conversa os textos “Um passeio pelos monumentos de Passaic”, do artista Robert Smithson e “Aventura de um Fotógrafo”, de Italo Calvino, que foram lidos em voz alta. “Ler junto tem uma ação de presença que, a meu ver, é fundamental. A leitura partilhada e comentada é recorrente para mim”, afirmou.

Trabalho. Operação. Processo. Que tempo-espaço comporta a expressão “fotografar a fotografia”? Quando lido, o texto de Smithson ajudou a debater questões como ruína, patrimônio, memória e cidade. No convite ao deslocamento, a monumentabilidade das coisas e como elas dialogam conosco. “O momento da escrita já nos aparta dos acontecimentos e nos coloca em outro tempo”, observou Madalena D’o Felinto, participante da oficina.

Nos dois dias de encontro a partilha foi intensa e, ao se debruçarem sobre os textos, outras referências surgiram, em uma reflexão teórica sobre a imagem fotográfica.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Museu da Universidade Federal do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

Selecionados para o oficina com Lívia Aquino

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A oficina Fotografar a Fotografia será voltada para a pesquisa e reflexões teóricas sobre a imagem fotográfica. Lívia Aquino usará como pontos de partida para os debates os textos “Um passeio pelos monumentos de Passaic”, do artista Robert Smithson e “Aventura de um Fotógrafo”, de Italo Calvino.

Confira a lista dos selecionados:

  1. Adan Bruno Costa Da Silva
  2. Alex Cardoso Oliveira
  3. Alexsandro Oliveira Santos
  4. Carolina Maria Mártyres Venturini Passos
  5. Deia Do Socorro Pinheiro Lima
  6. Diogo Chagas Lima
  7. Flavia Silva Bassalo
  8. German Felipe Tapia Riveros
  9. Guido Couceiro Elias
  10. Heldilene Guerreiro Reale
  11. Ionaldo Rodrigues Da Silva Filho
  12. Karina Da Silva Martins
  13. Keyla Sobral
  14. Lorena Tamyres Trindade Da Costa
  15. Lucas Da Silva Negrao
  16. Maria Madalena Felinto Pinho
  17. Martín Pérez
  18. Natacha Colly Barros Martins
  19. Paula Karly Soares Diniz
  20. Renata Negrão Moreira
  21. Terezinha De Fátima Ribeiro Bassalo

No dia 06/05 (sábado), às 18h, Lívia Aquino participará de uma conversa com o público e com Alexandre Sequeira, Hirosuke Kitamura e Guido Couceiro Elias, no Museu da UFPA. A mediação será de Mariano Klautau Filho. O evento terá entrada franca.

[ENCERRADO] Abertas as inscrições para oficina com Lívia Aquino

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Simultaneamente à abertura das mostras, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia realizará uma intensa programação formativa que começará com a oficina “Fotografar a Fotografia”, ministrada pela fotógrafa e pesquisadora no campo da imagem, Lívia Aquino. A programação ocorrerá nos dias 05 e 08 de maio, das 09 às 13h, no Auditório do Sistema Integrado de Museus (SIM). As inscrições, que são gratuitas, serão realizadas de 22 a 28 de abril, via ficha de inscrição disponível no site www.diariocontemporaneo.com.br. O público-alvo são os fotógrafos, artistas, mediadores e educadores da área visual. As vagas são limitadas.

Robert Smithson – Um passeio pelos monumentos de Passaic

A oficina será voltada para a pesquisa e reflexões teóricas sobre a imagem fotográfica. Lívia Aquino usará como pontos de partida para os debates dois textos. “Um passeio pelos monumentos de Passaic”, do artista Robert Smithson, será um deles, pois relata a experiência deste ao vagar pela cidade americana onde nasceu, identificando marcos nesse deslocamento para tratá-los como monumentos. Ao observar o brilho do sol sobre uma ponte, Robert reconhece outras tantas imagens como aquela, já vistas anteriormente, escrevendo em seu relato que fazer uma fotografia daquilo seria como “fotografar uma fotografia”.

O escritor Italo Calvino também terá o seu conto a “Aventura de um Fotógrafo” discutido com os participantes. O texto relata a vida de Antonino, personagem que vivencia uma transformação ao ser atraído a virar fotógrafo e passa a questionar o poder dessas imagens em sua vida. Antonino torna-se imanente a um processo que o leva a uma encruzilhada: ou passa a viver fotograficamente, ou passa a considerar fotografáveis todos os momentos da vida. Crítico de si, ele avalia que “fotografar a fotografia” seria o único caminho possível para algo que se tornara essencial à sua existência.

Segundo Lívia, “’Fotografar a fotografia’ sugere, nos dois casos, uma estreita relação com a história das imagens, tanto no relato do artista quanto no do personagem da ficção. Assim, com base nessa introdução, a oficina visa refletir sobre essa expressão que se desdobra em distintos trabalhos de artistas a partir dos anos 1960, apontando seu caráter crítico e estruturante que ainda reverbera na atualidade. Investigar diferentes estratégias artísticas cujas pesquisas esbarram no sentido dessa afirmação como procedimento é o objetivo proposto”, explicou.

A ARTISTA

Lívia Aquino (CE) vive e trabalha em São Paulo. É pesquisadora do campo das artes visuais, professora e artista. Doutora em Artes Visuais e Mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente é coordenadora da pós-graduação em Fotografia e professora da pós-graduação em Práticas Artísticas Contemporâneas e do Tecnólogo em Produção Cultural da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Em 2015 foi contemplada com o Prêmio Funarte Marc Ferrez e com o Proac Livro de Artista. Participou de exposições na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Centro Cultural São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake, na Fototeca de Cuba, no Festival PHotoEspaña. É editora do blog Dobras Visuais.

AS EXPOSIÇÕES DO DIÁRIO CONTEMPORÂNEO

A 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia se volta para o gênero do retrato, suas poéticas e seus lugares. As mostras têm abertura marcada para o dia 04 de maio, às 19h, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas e 06 de maio, às 10h, no Museu da UFPA. A entrada é franca.

SERVIÇO: Diário Contemporâneo abre inscrições para oficina com Lívia Aquino. As inscrições são feitas pelo site www.diariocontemporaneo.com.br até 28 de abril. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do Jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Museu da Universidade Federal do Pará, Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/SECULT-PA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Gaspar Vianna, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310; 98367-2468; diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.

Diário Contemporâneo contemplará fotógrafo belenense com residência artística no Condomínio Cultural

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As inscrições para a 8ª edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foram prorrogadas até sexta-feira (17). O projeto concederá três prêmios no valor de R$10.000,00 cada, sendo que dois deles serão concedidos na forma de bolsa para residência artística. Um artista de Belém fará residência artística em São Paulo, sob a orientação da artista e pesquisadora Lívia Aquino, em parceria com o Condomínio Cultural, e um artista de fora da capital paraense fará em Belém, sob a orientação do artista e pesquisador Alexandre Sequeira, por meio de seu projeto “Residência São Jerônimo”. O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.diariocontemporaneo.com.br.

Sala da Peróba, um dos espaços do Condomínio Cultural. Foto: Paulo Pereira

O Condomínio Cultural foi criado em 2009 e hoje mantém uma programação artística e formativa diversificada, além de contar com parcerias com os moradores da região que também propõem iniciativas. Este espaço, que abrigará um fotografo de Belém por 45 dias, já é ocupado por aproximadamente outros 60 artistas (entre individuais e coletivos). Segundo Paulo Pereira, mediador da parceria entre o Diário Contemporâneo e o Condomínio, “o artista terá um espaço reservado a ele e a sua orientadora (Lívia Aquino), uma sala reservada e dinâmica que poderá ser utilizada para finalidades diversas. Além de sua sala dedicada, também há no Condô, vários espaços comuns/coletivos, onde também pode fazer uso”. Dessa forma, o artista de Belém terá uma vivência completa, pois poderá também circular e fazer visitas nos outros espaços, convivendo com os outros residentes. O premiado “receberá uma chave de acesso à Casa e poderá fazer seus horários de acordo com os horários do espaço”, tendo maior liberdade criativa.

 O lugar abriga e propõe o diálogo. Fotografia, cinema, teatro, circo, música e artes visuais são algumas das linguagens que dão vida ao espaço de 970 m² que conta com salas, ateliês, oficina e até uma horta. “Nosso tema deste ano é ‘A Casa’. A convivência é conversa constante em nossas propostas. Receber um artista de fora, para nós do Condô é sempre empolgante, pois além da troca de cultura e da convivência, nos possibilita ainda fazer algo juntos. De um almoço a uma exposição, o que levamos em consideração é o que deixamos para o outro nesta relação”, comentou.

Artistas do Condomínio Cultural em ação

Sobre a expectativa em relação ao intercâmbio e a parceria com Belém, Paulo afirmou: “o convite e a ideia desta residência, inicialmente proposta pela Lívia, nos deixou bem empolgados, pois tinha muito a ver com pensamentos para este ano. Apreciamos muito o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia pela sua estrutura e conceito, que vem muito ao encontro das nossas práticas nesta Casa. Primeiro, por ser um prêmio sem hierarquias, segundo, por ser um modo não restrito de enquadrar a fotografia, fazendo com que ela circule, viva e experimente outras linguagens em sua estrutura e, terceiro, por ser um prêmio de grandes apoiadores e grandes patrocinadores, mas que têm a preocupação de dialogar com as produções independentes. Dizemos que são olhos experientes, atentos aos novos caminhos, mas sem perder ou desviar os valores ou raízes fotográficas”.

Para o premiado com a residência artística em São Paulo, o mediador contou que foram pensadas propostas culturais que fossem, inclusive, além do espaço do Condomínio, carregando a pessoa que chega com o maior número de referências possível.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foi criado em 2010 e tornou-se um dos maiores editais do gênero no país. A 8ª edição traz como tema “Poéticas e lugares do retrato”, que tem como objetivo apresentar obras que proponham um diálogo com as práticas e poéticas do retrato, desde a sua configuração tradicional até as experiências e representações que possam expandir os seus lugares e significados enquanto ação artística.

SERVIÇO: 8º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia recebe inscrições até 17 de fevereiro. O projeto é uma realização do jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, do Museu da UFPA e apoio da Sol Informática. Informações: Rua Aristides Lobo, 1055 (entre Tv. Benjamin Constant e Tv. Rui Barbosa) – Bairro: Reduto. Contatos: (91) 3355-0002, 98367-2468;diariocontemporaneodfotografia@gmail.com e www.diariocontemporaneo.com.br.