Diário Contemporâneo divulga premiados e selecionados da 11ª edição

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Em 2020, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia se reinventou mais uma vez. No decorrer dos últimos meses, com a realidade do coronavírus, foi preciso se reconfigurar. As inscrições já são realizadas online e, desta vez, a seleção dos trabalhos também foi. Os dois júris trabalharam nos últimos dias em reuniões virtuais para definir os escolhidos entre os 414 dossiês enviados no total.

“Foi um processo diferente. Nos reunirmos virtualmente, mas trabalhamos coletivamente com muito espaço para troca e para escuta do outro. Foram es escolhidos projetos com poéticas e falas potentes, o que vislumbro uma residência bem interessante, efervescente”, disse a artista Keyla Sobral, integrante da comissão da Residência Farol.

Comissão de seleção da Residência Farol. Foto: Irene Almeida.

Novas dinâmicas que aproximaram, por meio da internet, aqueles que há muito não se viam e puderam, então, se reunir para se debruçar sobre a arte. “O encontro virtual com Lívia e Keyla foi muito produtivo. Tivemos reuniões em alguns dias onde, primeiramente, líamos as proposições, as cartas de intenções e analisávamos trabalhos já realizados pelos artistas inscritos. Tomamos alguns princípios norteadores para nossas escolhas. Essencialmente consideramos que, apesar das pesquisas pessoais e das questões motivadoras de cada proponente, as propostas deveriam se colocar suficiente abertas ao contato com o lugar e com os outros participantes para efetivamente ‘ganhar corpo’. Isso por vezes era perceptível nas propostas de trabalho propriamente ditas mas, outras vezes, se evidenciava na carta de intenções – uma busca por diálogo, por troca, por ser afetadx pelo lugar. Ficamos felizes por chegar a um grupo, ao nosso ver, plural e rico de possibilidade de trocas, colaborações e aprendizados“, contou o professor e artista Alexandre Sequeira, do mesmo júri.

ABRAÇOS E ENCONTROS VIRTUAIS

“Para mim, foi uma experiência gratificante para esse período de quarentena, quando estava, de certa forma, emocionalmente desestruturada. Senti que são novas formas trabalho que chegaram para ficar. A seleção ocorreu tranquila, sem mudanças do presencial. Apenas, sem os abraços! Agradeço a oportunidade de conhecer trabalhos de muitos artistas”, disse a galerista Makiko Akao, que esteve na seleção dos trabalhos para a mostra Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos.

Comissão se seleção da mostra 2020:
Luiz Braga (Foto: Juliany Ledo),
Rosely Nakagawa (Foto: Lana Soares) e
Makiko Akao (Foto: Irene Almeida)

A arte vem como uma resposta ao que se vive, mas ela também traz os seus próprios questionamentos. “A seleção deste ano foi muito peculiar e surpreendente. A primeira surpresa foi o número de inscritos. Por conta da pandemia eu esperava menos trabalhos. Mas o número foi uma média dos últimos prêmios. A segunda surpresa foi a qualidade dos trabalhos e a abrangência nacional dos inscritos. O processo de seleção, graças à tecnologia não foi difícil. Os arquivos dos projetos sempre são enviados por PDF e os aplicativos de comunicação permitiram e facilitaram as diversas reuniões dos curadores e jurados. Foi peculiar a avaliação dos projetos diante da disposição e energia dos envolvidos. A pandemia e o desgoverno estiveram presentes o tempo todo nas discussões, contextualizando as nossas escolhas. Não tinha como ser indiferente”, analisou Rosely Nakagawa que este ano é curadora convidada da mostra.

O Diário Contemporâneo reorganizou seu calendário trazendo a realização das mostras e residências para o segundo semestre, nos meses de outubro e novembro, garantindo assim mais cuidado com a saúde de todos.

“O ato de se prosseguir com a realização do prêmio este ano é um ato de resistência e de valorização da arte e dos artistas. O conjunto de trabalhos escolhidos é uma teia que reforça o papel da arte em trazer esperança ao mundo. A presença da Rosely, como primeira curadora convidada, é também mais um elemento importante e positivo. Ela é uma pessoa muito acolhedora que certamente vai conduzir isso muito bem”, finalizou o fotógrafo Luiz Braga.

Confira o resultado da seleção:

PREMIADOS E SELECIONADOS 2020

  • Anna Ortega (RS) – PRÊMIO RESIDÊNCIA ARTÍSTICA BELÉM
  • Suely Nascimento (PA) – PRÊMIO RESIDÊNCIA ARTÍSTICA RECIFE
  • Alline Nakamura (SP)
  • Andreev Veiga (PA)
  • Arthur Seabra (BA)
  • Beto Skeff (CE)
  • Cecília Urioste (PE)
  • Élcio Miazaki (SP)
  • Fernando Jorge (CE)
  • Hans Georg (RJ)
  • Henrique Montagne (PA)
  • Iezu Kaeru (PE)
  • José Diniz (RJ)
  • Karina Motoda (SP)
  • Lara Ovídio (RJ)
  • Melvin Quaresma (PR)
  • Miriam Chiara (MG)
  • Tetsuya Maruyama (RJ)
  • Vanessa Ramos Carvalho (CE)
  • Zé Barretta (SP)

RESIDÊNCIA FAROL

  • Janaina Miranda Lima Silva (DF)
  • Ícaro Moreno Ramos e Gabriela Sá (MG)
  • Jessica Lemos (BA)
  • Giovanna Picanço Consentini (PA)
  • Marcílio Benedito Caldas Costa (PA)

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.

Os movimentos e fluxos da Residência Artística Farol

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-> Inscrições prorrogadas até 25/05. Saiba mais AQUI.

Em 2020, o Prêmio Diário Contemporâneo concederá todos os seus prêmios no formato de residências artísticas. Duas delas serão realizadas em Belém e Recife, a terceira será na llha de Mosqueiro. Cinco artistas serão premiados nesta última, sendo selecionados dois paraenses e três artistas de outros estados. A Residência Artística Farol será coordenada pela artista, pesquisadora e professora Lívia Aquino. Os interessados em participar deverão inscrever-se exclusivamente para esta categoria de residência coletiva. O dossiê deve ser anexado na ficha de inscrição. Todas as informações estão no site http://www.diariocontemporaneo.com.br/.

Os residentes, durante o período de 21 de junho a 10 de julho de 2020, terão como atelier e local para hospedagem uma residência na Praia do Farol.  Eles participarão de encontros, conversas e atividades de experimentação e criação artística.

Por seu caráter coletivo, o Prêmio Residência Artística Farol é uma atividade autônoma, não integrada à mostra expositiva. Pensando nisso, o projeto formou uma comissão específica para realizar a seleção dos candidatos que realizarão essa atividade. Ela é formada por Alexandre Sequeira, Keyla Sobral e Lívia Aquino.

Viva Maria, intervenção de Lívia Aquino na fachada do MEP, no 9º Diário Contemporâneo. Foto: Irene Almeida

MOVIMENTOS E DINÂMICAS

A residência artística é uma proposta voltada à formação e experimentação do artista. “O deslocamento de seu círculo de relações sociais habituais e com a perspectiva de estar em convívio com o outro, instiga o artista a reorientar sua dinâmica de trabalho, pautada agora pela incorporação de outras linhas de força”, observou Alexandre Sequeira.

O artista paraense já recebeu dois residentes do Diário Contemporâneo em edições anteriores através do seu projeto Residência São Jerônimo. Isso vai ocorrer em 2020 de novo, quando um novo premiado de fora de Belém vier para cá.

A experiência da residência não tem impacto somente no artista, mas em todo o seu entorno e naquele que o acolhe, como é o caso de Alexandre.

“A Residência São Jerônimo mantém em sua estrutura, ainda a figura de um morador, no caso eu que, além de trabalhar como artista, atuo em outro contexto (o da universidade) como professor. Mas quando incorporei essa forma de utilização de meu espaço residencial, buscava, acima de tudo, a possibilidade de ativar encontros e trocas de ideias”, acrescentou.

Sem título, da série “Residência São Jerônimo”. Foto: Alexandre Sequeira.

PRÁTICAS COLETIVAS

A Residência Farol se diferencia das outras duas residências deste ano pelo seu aspecto coletivo. Serão cinco artistas que conviverão, realizarão trocas e terão experiências em comum.

Para isso, Lívia Aquino elaborou atividades especialmente pensadas para esta ação. “São conversas e trocas de processo entre os artistas residentes; ativações e ações partilhadas e/ou coletivas que podem ser construídas pelos residentes; encontros com artistas e pesquisadores que vivem e produzem em Belém; rodas de leituras que partem da experiência da ilha do Mosqueiro, sua história e da praia do Farol, bem como da casa onde acontece a residência”, contou ela.

Lívia também já recebeu dois residentes do Diário Contemporâneo antes. Desta vez, ela também se desloca, torna-se alguém em movimento, fora do seu ambiente cotidiano. Isso tudo tem impacto, inclusive, nas dinâmicas que ela realizará em Mosqueiro.

Retrato Falado 1, de Keyla Sobral, selecionada em 2017.

A LIBERDADE DO FAZER

As residências do Diário Contemporâneo não têm o compromisso com a apresentação de um resultado expositivo. O projeto propõe liberdade para que os artistas criem, pensem e se dediquem aos seus procedimentos. Ao fazer isso, investe na formação e mostra que a arte não está presa a um produto final, mas sim, ao processo. É por isso que o projeto entende a importância de dar todo o suporte e estrutura para que os artistas desenvolvam seus trabalhos.

“É extremamente enriquecedor essa troca de experiências, esse diálogo, que faz você pensar no seu próprio trabalho. Você não fica preocupado com um resultado imediato, acaba possibilitando uma aproximação mais minuciosa com o seu projeto, a sua pesquisa. É um momento de trocas e reflexões, e, que pode culminar num trabalho fechado ou em andamento. Para mim, o importante é o processo, a própria experiência desse encontro”, finalizou Keyla Sobral.

SERVIÇO:  O 11º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia inscreve até o dia 29 de março. Informações: Rua Gaspar Viana, 773 – Reduto. Contatos: (91) 3184-9310, 98367-2468 e diariocontemporaneodfotografia@gmail.com. Edital e inscrições no site:  www.diariocontemporaneo.com.br. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática e patrocínio da Alubar.